Lajes, Fairford, Ramstein e outras instalações sustentaram bombardeiros, caças e reabastecedores dos EUA durante a ofensiva de 2026
Seis bases da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) na Europa, assumiram papel estratégico ampliado durante a Operação Epic Fury, ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro e encerrada oficialmente em 5 de maio.
Instalações em Portugal, Reino Unido, Alemanha e Grécia sustentaram operações de bombardeiros estratégicos, caças, aeronaves de reabastecimento e reconhecimento, evidenciando a dependência mútua entre Estados Unidos e Europa na projeção de poder militar para o Oriente Médio.
O relacionamento entre continentes costumam ser descritos, de forma simplificada, como uma via de mão única, na qual a Europa dependeria unicamente da proteção americana.
A movimentação de aeronaves durante a Epic Fury mostrou o oposto: sem acesso às bases aéreas, e navais europeias, os Estados Unidos teriam a sua capacidade de atacar o Irã bastante reduzida, e tambem de sustentar uma campanha aérea de meses de duração no Oriente Médio.
Lajes Field herda protagonismo após fechamento de base espanhola
A Base Aérea de Morón, no sul da Espanha, funcionou como importante ponto de reabastecimento aéreo da USAF durante a fase inicial da operação, mas Madri suspendeu o uso da instalação por forças americanas pouco depois do início das hostilidades.
França, Itália, Áustria e Suíça também restringiram voos militares dos EUA relacionados ao Irã. Portugal, por sua vez, manteve a autorização de uso de suas bases, condicionada a que os Estados Unidos não atacassem alvos civis em território iraniano.
Com o fechamento de Morón, a Lajes Field, localizada nos Açores, ganhou peso ainda maior como elo intermediário no Atlântico Norte.
A instalação, sede da 65ª Ala de Base Aérea da USAF, deu suporte a bombardeiros B-2 Spirit em voos diretos a partir do território americano, que dependiam de reabastecimento sobre o arquipélago português antes de cruzar o corredor internacional entre os espaços aéreos de Marrocos e Espanha rumo ao Mediterrâneo.
A agência Reuters descreveu Lajes como "um centro estratégico que abriga a 65ª Ala de Base Aérea da Força Aérea dos Estados Unidos, prestando apoio de base e de rota para operações dos EUA, da OTAN e de aliados".
Base Aérea de Fairford consolidou-se como principal polo de bombardeiros estratégicos
No Reino Unido, a Base Aérea de Fairford se tornou uma das bases mais visadas do conflito por abrigar bombardeiros estratégicos americanos.
A instalação é fundamental para sustentar um ritmo elevado de ataques aéreos de longo alcance: embora bombardeiros consigam voar sem escalas a partir do território americano, o desgaste das tripulações e das aeronaves reduz drasticamente a taxa de surtidas quando não há uma base avançada de apoio.
O Reino Unido, inicialmente negou autorização para os bombardeiros em Fairford, mas recuou pouco depois. Outra alternativa disponível aos americanos era a base de Diego Garcia, no Oceano Índico, mas essa instalação é considerada mais vulnerável a ataques, com risco de destruição de aeronaves em solo.
Segundo o jornal britânico Oxford Mail, Fairford chegou a abrigar cerca de duas dezenas de bombardeiros estratégicos Rockwell B-1B Lancer, além de um destacamento recente de caças furtivos Lockheed Martin F-22 Raptor e uma presença permanente de aeronaves de reconhecimento Lockheed U-2S Dragon Lady.
À época da publicação da matéria original, em julho de 2026, os B-1B ali estacionados representavam aproximadamente metade da frota total da aeronave em operação.
Base Aérea de Lakenheath concentrou o maior contingente de caças da USAF na Europa
A Bae Aérea de Lakenheath, em Suffolk, abriga a 48ª Ala de Caça, composta por dois esquadrões de F-15E Strike Eagle e dois esquadrões de F-35A Lightning II — cerca de 48 unidades de cada modelo, número que teria caído para 44 F-15E após a perda de quatro aeronaves desse tipo durante as operações no Irã.
Com quase 100 caças de linha de frente operando simultaneamente, Lakenheath reuniu, isoladamente, mais aeronaves de combate do que praticamente qualquer outra base aérea do continente europeu — inclusive mais do que o total de caças operacionais da própria Real Força Aérea britânica (RAF), que dispõe de 47 F-35 (após a perda de uma unidade em operação a partir de porta-aviões) e 107 Eurofighter Typhoon remanescentes.
A base também serviu de ponto de apoio à movimentação de esquadrões de A-10C Warthog e F-22 Raptor durante o conflito.
Ramstein seguiu como "portal global" e nó de controle para operações no Oriente Médio
Na Alemanha, a Base Aérea de Ramstein manteve seu papel histórico como principal centro logístico dos Estados Unidos no continente europeu, essencial tanto para as operações da OTAN quanto para o eventual reforço rápido de tropas e suprimentos americanos. Em março de 2026, a emissora Euro News noticiou que a Alemanha havia autorizado o uso da base para operações relacionadas ao Irã.
A base de Ramstein funciona como centro de controle das operações dos Estados Unidos no Oriente Médio, concentrando conexões de dados e retransmissões via satélite para operações com drones, já que o controle direto a partir do território americano seria lento demais.
Na prática, o comando direto a partir dos Estados Unidos introduziria atraso de sinal incompatível com operações em tempo real, o que faz da base um nó avançado de direcionamento e supervisão de ataques. Ramstein é conhecida como o "Portal Global" (Global Gateway) para a Europa e abriga o maior contingente de militares e contratados civis americanos no continente.
Base de Mildenhall sustentou a espinha dorsal do reabastecimento aéreo
A terceira base aérea britânica citada na lista, Mildenhall, em Suffolk, sedia a 100ª Ala de Reabastecimento Aéreo dos Estados Unidos.
Estimativas citadas apontam que a USAF, concentra cerca de 75% da frota mundial de aeronaves-tanque, o que reforça o papel logístico da força aérea americana como elemento central de sua capacidade de projeção de poder.
Assim como a Lajes Field, Mildenhall ganhou importância adicional após o fechamento de Morón pela Espanha, sustentando o fluxo de reabastecimento tanto na fase de concentração de forças quanto no retorno das aeronaves aos Estados Unidos.
Em maio de 2026, uma aeronave KC-135 Stratotanker avariada por estilhaços foi fotografada retornando do Oriente Médio via Mildenhall.
Souda Bay, na Grécia, uniu logística naval e reabastecimento aéreo
Na ilha de Creta, a Naval Support Activity (NSA) Souda Bay funcionou como nó estratégico tanto para a Marinha quanto para a Força Aérea dos Estados Unidos.
A instalação prestou apoio a reparos, reabastecimento, ressuprimento, manuseio de munições e logística de frota no Mediterrâneo Oriental, tendo recebido o porta-aviões USS Gerald R. Ford antes e depois de sua participação nas operações.
A USAF utiliza o aeródromo do Aeroporto Internacional de Chania (Souda) para dar suporte a operações de reabastecimento aéreo de bombardeiros e caças em rota entre o Reino Unido ou os Açores e o Oriente Médio.
Souda Bay integra a rede de apoio do Comando Europeu (EUCOM), do Comando Central (CENTCOM) e do Comando para a África (AFRICOM) dos Estados Unidos, além de apoiar a Força Aérea Helênica.







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