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quarta-feira, 29 de julho de 2026

EUA planejam ampliar produção de torpedos diante de cenário de guerra em duas frentes

NDAA exige do Secretário da Marinha plano de modernização, produção e reforço de estoques dos torpedos MK-48 ADCAP, MK-54 e sistemas correlatos dentro de 90 dias

Submarino classe Virginia USS Minnesota (SSN 783), recebendo um torpedo Mark 48 ADCAP (Advanced Capability) durante uma recarga de armamento, na Base Naval de Guam, Foto da Marinha dos EUA 

O Congresso dos Estados Unidos determinou, por meio da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) para o ano fiscal de 2027, uma revisão ampla dos estoques e da capacidade produtiva de torpedos da Marinha norte-americana. 

A medida, sancionada nesta semana em Washington, tem como objetivo garantir que a força naval disponha de armamento submarino suficiente para sustentar dois conflitos regionais de grande escala ao mesmo tempo. 

O texto instrui o Secretário da Marinha, Hung Cao, a implementar a iniciativa em até 90 dias após a promulgação da lei.

Estoques mínimos e avaliação de capacidade industrial

De acordo com o documento, o primeiro componente da iniciativa é o estabelecimento de pisos de estoque para todos os torpedos em uso pela Marinha americana, incluindo os torpedos pesados MK-48 ADCAP (Advanced Capability), os torpedos leves MK-54, variantes avançadas, munições de treinamento e teste, além de contramedidas antitorpedo. 

Na prática, isso significa fixar uma quantidade mínima obrigatória desses armamentos que deverá permanecer disponível a qualquer momento.

Esses pisos de estoque devem ser calculados com base em estimativas de consumo de torpedos em cenários de confronto contra dois adversários navais de porte comparável ou quase equivalente ao dos Estados Unidos, conforme avaliação que integra a própria iniciativa prevista na NDAA. 

Ao lado da definição dos estoques mínimos, o Secretário da Marinha deverá apresentar um relatório sobre a capacidade atual da base industrial americana de torpedos, incluindo possíveis gargalos em áreas como sistemas energéticos, propulsão, sensores acústicos, eletrônica de guiagem, metais especiais, integração de armamento submarino, infraestrutura fabril e fornecedores de fonte única.

Modernização da infraestrutura de testes

A legislação também determina que a Marinha investigue e reformule a infraestrutura atual de testes de torpedos, incluindo embarcações-alvo, áreas de teste submarino, modelos digitais de simulação e ensaios em ambientes árticos e de grande profundidade. 

Outro ponto da norma prevê o desenvolvimento de meios para aumentar a resistência dos torpedos frente a contramedidas acústicas mais avançadas, além de métodos de suprimento e transporte mais ágeis em cenário de guerra.

Plano de expansão da produção

Paralelamente às revisões de estoque, a NDAA determina que o Secretário da Marinha formule um plano de ampliação significativa da capacidade produtiva da base industrial de armamento submarino, capaz de atender tanto às demandas do tempo de paz quanto a picos de produção em situação de conflito.

Carregamento de um torpedo leve Mark-54 em um P-8A Poseidon na Base Aérea de Kadena, Japão, Foto da Marinha dos EUA 

Essa seção da lei inclui instruções para que a Marinha busque fornecedores alternativos de segunda fonte, promova a expansão de instalações produtivas públicas e privadas, amplie a cooperação entre os setores público e privado na fabricação de torpedos e utilize de forma mais eficiente as autorizações de contratação plurianual. 

A força naval também deverá avaliar opções para reforçar elementos críticos da cadeia de suprimentos ligados a componentes sensíveis ou de difícil obtenção, sobretudo em cenário de guerra.

Segundo o texto da NDAA, o relatório completo do Secretário da Marinha sobre todos esses pontos deve estar concluído em até 120 dias após a sanção da lei, quando serão realizadas audiências no Congresso para apresentação das conclusões da Marinha. 

Entre os temas considerados prioritários pelos parlamentares estão os riscos de produção e de estoque, uma metodologia mais objetiva de testes de torpedos, estimativas de consumo em tempo de guerra e planos de investimento.

Novos sistemas em desenvolvimento

A iniciativa legislativa surge no contexto de um esforço já em curso pela Marinha para ampliar seu portfólio de armamento e contramedidas submarinas. 

O MK-58 Compact Rapid Attack Weapon (CRAW), projetado para atuar tanto em papel ofensivo quanto defensivo como munição antitorpedo de destruição cinética, deve ser o primeiro de dois novos torpedos a entrar em serviço, à frente do RAPTOR, torpedo pesado de baixo custo concebido para complementar os estoques atuais do MK-48 ADCAP.

No campo das contramedidas, a Marinha também tem avançado ao longo desta década tanto para navios de superfície quanto para submarinos. Em fevereiro de 2026, a empresa Ultra Maritime venceu um contrato para iniciar o desenvolvimento da próxima geração do dispositivo de contramedida acústica (ADC) MK6. 

Segundo informações disponíveis, essas melhorias qualitativas e produtivas nas contramedidas têm ocorrido no âmbito de uma arquitetura defensiva unificada contra torpedos, voltada tanto a navios quanto a submarinos da Marinha americana.

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