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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Projeto RQ-XBR avança com apresentação da COPAC a empresas associadas da ABIMDE

Coronel Rafael Hiroshi Guarnieri, gerente do projeto na COPAC, apresentou às empresas associadas o andamento do processo que busca mapear capacidades brasileiras para o desenvolvimento de um Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada de Reconhecimento Experimental


A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), avançou na consulta à indústria nacional voltada ao Projeto RQ-XBR, iniciativa que pretende desenvolver um Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (SARP) de Reconhecimento Experimental Brasileiro. 


O tema foi apresentado no dia 09 de junho, em encontro promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), pelo Coronel Aviador Rafael Hiroshi Guarnieri, gerente do projeto na COPAC, que esclareceu dúvidas das empresas associadas sobre o processo em curso.


Objetivo da consulta


A consulta conduzida pela FAB tem como propósito identificar competências industriais e tecnológicas já existentes no Brasil em segmentos considerados críticos para o desenvolvimento de aeronaves remotamente pilotadas. Entre as áreas mapeadas estão plataformas aéreas, sensores, softwares embarcados, integração de sistemas, além de manutenção e suporte ao longo do ciclo de vida dos equipamentos.


O levantamento se insere em um movimento mais amplo da FAB para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em componentes considerados sensíveis, como turbinas, sistemas de navegação, aviônicos, sensores avançados e enlaces de comunicação protegidos — itens nos quais o Brasil ainda depende de importação ou nacionalização parcial, mesmo já operando aeronaves remotamente pilotadas como o RQ-1 ScanEagle, empregado pela Marinha em exercícios recentes de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Papel da ABIMDE na articulação


Ao promover o encontro entre a COPAC e as empresas associadas, a ABIMDE cumpriu seu papel de aproximar demandas estratégicas da Força Aérea das capacidades já disponíveis na Base Industrial de Defesa e Segurança (BID). A entidade tem atuado como interlocutora entre o setor produtivo e as Forças Armadas em projetos estruturantes, e a reunião sobre o RQ-XBR se soma a outras iniciativas de articulação conduzidas pela associação junto a seus associados.


Contexto estratégico do projeto


O RQ-XBR está alinhado a uma diretriz mais recente que orienta os objetivos tecnológicos do setor de defesa para os próximos anos, com foco no fortalecimento da capacidade produtiva nacional em sistemas não tripulados. 


Segundo o Center for Strategic and International Studies (CSIS), conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia consolidaram esses sistemas como uma das tecnologias mais relevantes das guerras híbridas atuais, com aplicação tanto em missões de reconhecimento quanto em ataques e contra-ataques de defesa antiaérea a custo reduzido.


Reportagens recentes indicam que o processo aberto pela FAB no âmbito do RQ-XBR também contempla a possibilidade de uma Encomenda Tecnológica (ETEC), mecanismo do governo federal voltado ao financiamento do desenvolvimento de tecnologias estratégicas ainda inexistentes ou em estágio inicial de maturidade industrial no país. 


A expectativa é que, a partir do mapeamento de competências, sejam identificadas empresas nacionais capazes de desenvolver e fabricar localmente equipamentos de maior complexidade, com foco em drones e sistemas integrados de inteligência.


Relevância para a Base Industrial de Defesa


Para a indústria nacional, a consulta representa uma oportunidade de posicionamento em um segmento que tem ganhado peso crescente nos orçamentos de defesa em todo o mundo. 


Projetos como o RQ-XBR se inserem em um esforço da COPAC que também conduz outros programas estratégicos da FAB, em paralelo ao desenvolvimento de capacidades em sistemas não tripulados que vêm sendo testados em exercícios conjuntos das Forças Armadas, como o recente EXOP IVR, realizado na Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.


Não há, até o momento, confirmação oficial sobre prazos definitivos para conclusão da fase de consulta ou sobre os próximos passos formais do RQ-XBR após o mapeamento das empresas interessadas.

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