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sábado, 27 de junho de 2026

Marinha do Brasil ativa FRIDA e envia Hospital de Campanha à Venezuela após terremotos devastadores

Fuzileiros Navais e profissionais de saúde partem do Galeão em KC-390 da FAB neste sábado para apoiar operações humanitárias no país vizinho

A Marinha do Brasil (MB) por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) ativou, nesta sexta-feira (26), a Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA) para reforçar a resposta humanitária aos terremotos que atingiram a Venezuela na madrugada de 24 de junho. 

Cerca de cem militares — 40 profissionais de saúde e 60 Fuzileiros Navais — embarcarão neste sábado (27) a partir da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, a bordo de um KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB), transportando os equipamentos necessários para a instalação de um Hospital de Campanha (HCamp) em território venezuelano.

Os sismos ocorreram em sucessão na noite de 24 de junho, no centro-norte da Venezuela. O primeiro teve magnitude 7,2, com epicentro próximo a San Felipe, no estado de Iaracui, e o segundo, de magnitude 7,5, atingiu a região de Morón, no estado de Carabobo — ambos com intervalo de apenas 38 segundos. 

Os tremores foram seguidos por cerca de 20 réplicas e provocaram ampla destruição, com desabamentos em Caracas e em outras cidades. Segundo informações das autoridades venezuelanas divulgadas na sexta-feira (26), ao menos 920 pessoas morreram e cerca de 2,9 mil ficaram feridas. 

FRIDA: tropa de pronto-emprego para emergências extremas

A ativação da FRIDA representa o segundo emprego operacional da força desde sua criação. Segundo o Comandante da unidade, Capitão de Mar e Guerra (Fuzileiro Naval) Leonel Mariano, a rapidez na mobilização decorre das características expedicionárias do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). 

"A FRIDA pode executar missões de resgate e evacuação de vítimas, apoio logístico e humanitário e transporte de profissionais de saúde, garantindo resposta eficaz e contínua conforme a evolução do cenário", declarou.

A tropa opera em áreas alagadas, regiões de difícil acesso e localidades com infraestrutura comprometida — perfil que se encaixa diretamente às condições relatadas nas zonas mais atingidas pelos sismos venezuelanos. O foco da missão é atuar nas localidades em que o governo venezuelano solicitar apoio, preservando vidas e mitigando danos.

A ação da Marinha integra uma resposta humanitária mais ampla do governo brasileiro: o Ministério da Saúde enviará neste sábado mais de uma tonelada de medicamentos e insumos de emergência, totalizando cinco kits de calamidade com 111,8 mil itens — cada kit com capacidade para atender 1.500 pessoas durante um mês. 

O voo também levará 100 purificadores de água com painel solar, cada um com capacidade para tratar cinco mil litros por dia, que serão doados à defesa civil venezuelana. 

Hospital cirúrgico com capacidade para 200 atendimentos diários

O HCamp embarcado no KC-390 é do módulo Unidade Avançada de Trauma (UAT), estrutura especializada em assistência cirúrgica de emergência. A unidade tem capacidade para realizar cirurgias e intervenções ortopédicas sob anestesia, além de oferecer suporte avançado de vida e cuidados intensivos em até 30 leitos.

A Comandante da Unidade Médica Expedicionária da Marinha (UMEM), Capitão de Mar e Guerra (Médica) Marisa Martins, detalhou o escopo do atendimento previsto. "Ofereceremos profissionais de saúde de diversas especialidades, como ortopedistas, intensivistas, cirurgiões, pediatras e clínicos gerais. Devemos realizar pelo menos 200 atendimentos por dia", afirmou.

Segunda missão; primeira já está em campo

A primeira missão brasileira de apoio às vítimas decolou na sexta-feira (26) da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo, também a bordo de um KC-390 Millennium da FAB, com uma equipe especializada em busca e resgate urbano de nível pesado — 36 integrantes dos Corpos de Bombeiros Militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro especialistas da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e quatro técnicos da Anatel. Mais de 17 países, além da ONU, já ofereceram envio de ajuda à Venezuela após os terremotos. 

A missão da Marinha com a FRIDA e o HCamp configura, portanto, o segundo voo humanitário brasileiro à Venezuela em menos de 24 horas, evidenciando a capacidade de resposta expedicionária das Forças Armadas do Brasil em crises de grande escala na América do Sul.

Histórico operacional: da Serra Fluminense ao exterior


A FRIDA foi acionada pela primeira vez em fevereiro deste ano, após as fortes chuvas em Cantagalo e Porciúncula, no Norte Fluminense. A mobilização para a Venezuela marca a estreia internacional da força, repetindo um precedente da própria MB: em 2010, após o terremoto no Chile, a Marinha instalou um HCamp em Concepción com 47 profissionais de saúde, realizando entre três e quatro cirurgias por dia.

A FRIDA integra o projeto "Preparar para Proteger: Aprendizado organizacional militar no Brasil face aos novos contextos de crise humanitária", vinculado ao Programa PRÓ-DEFESA, em execução desde 2024 em parceria com a PUC-Rio, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal de Roraima (UFRR).



Com informações e fotos: Agência Marinha de Notícias

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