Maior contrato já concedido ao programa, o acordo cobre o Lote 26 de produção e inclui quase 2.000 unidades táticas para as Forças Armadas americanas e clientes internacionais
A Marinha dos Estados Unidos (US Navy) formalizou, no dia 26 de junho, uma modificação contratual de até US$ 1,108 bilhão com a Raytheon Company, unidade de negócios da RTX Corporation sediada em Tucson, no Arizona, para a produção e entrega dos requisitos do Lote 26 do míssil ar-ar de curto alcance AIM-9X Sidewinder Block II.
O acordo representa o maior contrato individual já concedido ao programa AIM-9X em suas décadas de história e abrange mísseis táticos para a Marinha, o Exército e a Força Aérea norte-americanos, além de clientes no âmbito das Vendas Militares ao Exterior (FMS, na sigla em inglês). A entidade contratante é o Naval Air Systems Command (NAVAIR), sediado em Patuxent River, Maryland.
Escopo do Lote 26
O núcleo do pacote é formado por 1.653 mísseis táticos do tipo AIM-9X-4 Block II (All Up Round), destinados às forças armadas americanas, e 336 mísseis AIM-9X-5 Block II+ (All Up Round) reservados exclusivamente para exportação via FMS.
Além dos projéteis táticos, o contrato prevê uma extensa cadeia de munições de treinamento e suprimentos: 156 Captive Air Training Missiles-9X-4 (CATM, versões de treinamento sem propulsão real), 17 mísseis de treinamento multipropósito, 57 Data Air Test Missiles, 16 Special Air Training Missiles e dez Captive Test Missiles para testes em laboratório.
A lista de itens de apoio logístico é igualmente expressiva. O contrato cobre 587 contêineres para mísseis completos, 243 contêineres para unidades de guia, 603 tampas de cauda e 154 contêineres para tampas de cauda, além de 34 detectores óticos avançados sobressalentes (Advanced Optical Target Detectors) com cinco contêineres para esses componentes.
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| "Míssil AIM-9X Block II sendo disparado a partir de lançador NASAMS" |
No campo das unidades de guia, a Raytheon fornecerá 193 unidades de guia AIM-9X-4 sobressalentes com bateria ativa, 92 unidades de guia CATM-9X-4 com bateria inerte e 44 unidades de guia AIM-9X-5 para FMS.
O pacote inclui ainda seções de propulsão e direção dos tipos Block II e Block II+, oito unidades eletrônicas sobressalentes, kits de manutenção e kits de seccionamento para todas as variantes, 20 ogivas sobressalentes e um item de suporte geral ao programa.
Cadeia produtiva e prazos de entrega
A distribuição geográfica da produção é ampla. Tucson, Arizona, concentra a maior fatia do trabalho, com 36,14% do esforço total, seguida por North Logan, Utah (9,96%), Niles, Illinois (7,83%), Keyser, Virgínia Ocidental (7,65%) e Hillsboro, Oregon (4,71%). A cadeia produtiva se estende a fornecedores internacionais em Midland, Ontario (Canadá), com 3,17%, e em Heilbronn, Alemanha, responsável por 2,58% do volume de trabalho.
Outros centros menores nos estados da Califórnia, Connecticut, Minnesota, Montana, Vermont, Ohio e demais localidades dos EUA somam o restante. O prazo para conclusão de todas as entregas está fixado em setembro de 2029.
Financiamento interserviços e FMS
O aporte financeiro é oriundo de várias fontes orçamentárias distribuídas pelos exercícios fiscais de 2024, 2025 e 2026. Do total autorizado, US$ 744,19 milhões provêm diretamente de recursos de FMS — a parcela mais expressiva —, o que reflete o robusto interesse internacional pelo Sidewinder.
Recursos de aquisição de mísseis da Força Aérea somam aproximadamente US$ 205,67 milhões entre os três exercícios fiscais, enquanto a Marinha contribui com cerca de US$ 174,05 milhões em fundos de aquisição de armamentos e operações e manutenção.
O Exército aporta pouco mais de US$ 44,64 milhões em fundos de aquisição de mísseis. Do total empenhado, US$ 119,22 milhões expiram ao final do ano fiscal corrente. O contrato foi adjudicado sem processo competitivo, o que é procedimento padrão para itens de produção contínua com fornecedor único qualificado.
O AIM-9X e o esforço de rearmamento ocidental
O AIM-9X Sidewinder é o míssil ar-ar de curto alcance mais avançado do inventário americano. Guiado por um seeker de arranjo de plano focal infravermelho com capacidade de engajamento de alta excentricidade (high off-boresight), o sistema opera em conjunto com capacetes de mira integrados como o JHMCS (Joint Helmet-Mounted Cueing System), permitindo que o piloto direcione o míssil simplesmente olhando para o alvo.
A variante Block II, que entrou em produção plena em setembro de 2015, acrescentou capacidade de bloqueio após o lançamento (lock-on after launch, LOAL) via enlace de dados bidirecional, tornando possíveis engajamentos fora do campo visual direto e mesmo em ângulos retroativos a partir de aeronaves equipadas como o F-35.
O Block II+ — designação AIM-9X-3, comercialmente — introduz melhorias adicionais de hardware e software, incluindo duas capacidades classificadas ainda em fase de testes operacionais.
O programa acumula previsão de entrega conjunta de mais de 11.600 unidades do Block II e do Block II+ até 2035. Em termos de ritmo produtivo, um relatório do Pentágono de 2024 apontava uma taxa de produção de aproximadamente 1.400 unidades anuais em 2022, número que subiu para 1.644 unidades em setembro daquele ano.
Com o presente contrato, a Raytheon projeta expandir a capacidade para 2.500 mísseis por ano, segundo declarou a empresa por ocasião de um anúncio anterior em junho de 2025. O AIM-9X é empregado por mais de 35 nações aliadas e parceiras e pode ser integrado a uma gama extensa de plataformas, incluindo o F-15, o F-16, o F/A-18C/D/E/F, o E/A-18G, o F-22 e o F-35, além de ser disparado pelo sistema de defesa antiaérea terrestre NASAMS.



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