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sábado, 27 de junho de 2026

F-35 Block 4: contrato de US$ 74 milhões avança para integração de mísseis europeus nas frotas britânica e italiana

Contrato recebido pelo Naval Air Systems Command cobre integração dos sistemas de armas nacionais Meteor e SPEAR 3 nas variantes F-35A e F-35B e inclui gravador tático de dados comum para as três variantes da aeronave

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos formalizou, nesta semana, contrato no valor de US$ 74.220.041, com a Lockheed Martin Aeronautics Company, para avançar na integração de sistemas de armas exclusivos para o Reino Unido e a Itália do caça de quinta geração, F-35A e F-35B . 

O contrato abrange todas as etapas desde a revisão funcional de sistemas até a conclusão dos testes de desenvolvimento, inserindo-se no esforço mais amplo de modernização do F-35 Block 4. O Naval Air Systems Command (NAVAIR), é a agência contratante responsável.

Armamentos europeus no coração do Block 4

O contrato define quatro itens de linha contratual (CLINs) voltados para o que o Pentágono denomina de, "sistemas de armas únicos" do Reino Unido e da Itália — terminologia que, no contexto do programa F-35, refere-se aos mísseis de fabricação europeia MBDA Meteor e SPEAR 3, cuja integração às forças aéreas, britânica e italiana, vem sendo conduzida com crescente urgência operacional.

O Reino Unido realizou, em maio de 2026, o primeiro voo de testes bem-sucedido do F-35B transportando quatro mísseis SPEAR internamente em seus compartimentos de armas, preservando as características furtivas da aeronave. 

Paralelamente, a campanha de testes em solo do míssil Meteor nas versões F-35A e F-35B avançou na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, com apenas um ensaio adicional separando o programa das avaliações em voo. 

A escolha de armar os F-35 britânicos e italianos com mísseis europeus não é trivial. O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que a integração do SPEAR 3 ao F-35 seria estendido para o inicio de 2030, e aprovou como solução interina a aquisição da bomba SDB-II, da Boeing, via Foreign Military Sales (FMS), para prover capacidade de ataque stand-off até que o SPEAR 3 entre em serviço. 

No caso do Meteor, a Itália lidera o processo de integração na variante F-35A, enquanto o Reino Unido conduz a integração na variante F-35B. Ambos os países já operam o Meteor em outras aeronaves — notadamente o Eurofighter Typhoon — e consideram o míssil ar-ar além do alcance visual (BVR) indispensável para manter superioridade aérea em cenários de alta ameaça. 

Gravador tático para as três variantes 

Além dos sistemas de armas nacionais, o contrato inclui um escopo comum a todos os parceiros do programa: a integração de um gravador tático de dados (tactical data recorder) nas três variantes do F-35 — o F-35A de decolagem convencional, o F-35B de decolagem curta e pouso vertical e o F-35C naval. O componente, destinado a ampliar as capacidades de registro e análise de missão, beneficia todos os operadores da aeronave. 

Financiamento tripartite e escopo do Block 4

A estrutura de financiamento do contrato evidencia o caráter compartilhado do programa. O governo americano obriga, no momento da adjudicação, US$ 500 mil em verbas de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação (RDT&E) da Força Aérea e igual montante da Marinha — ambos referentes ao ano fiscal de 2026. 

A parcela mais expressiva, no entanto, vem dos países parceiros não americanos: US$ 187.336.521 em fundos próprios, nenhum dos quais sujeito a expiração ao fim do exercício fiscal corrente. A ação contratual não foi submetida a processo competitivo.

O contrato integra o esforço do F-35 Block 4, em um pacote de modernização que abrange sensores, guerra eletrônica, integração de armamentos e sobrevivência da plataforma. A Lockheed Martin projeta que as modernizações do Block 4, construídas sobre a base tecnológica do Technology Refresh 3 (TR-3), se estendam até 2032, com a integração tendo começado em 2018. 

Em setembro de 2025, o programa anunciou que o escopo do Block 4 seria reduzido e o cronograma, reavaliado — com as capacidades que não dependem de motor mais potente permanecendo no Block 4 e sendo entregues até 2031, no mínimo.

Reino Unido, Itália, Países Baixos, Dinamarca, Noruega e Austrália estão se alinhando, em torno do TR-3 e do Block 4, de modo a evitar que esquadrões operem com lacunas de capacidade entre si. Para Londres e Roma, a integração do Meteor e do SPEAR 3 é o elemento central dessa equação — sem esses armamentos, os F-35 britânicos e italianos operam com pacote de armas significativamente inferior ao potencial da plataforma. 

Samlesbury como polo industrial do programa

A concentração de 51% do trabalho em Samlesbury, no norte da Inglaterra, não é coincidência. A BAE Systems opera nessa localidade uma das principais instalações do programa F-35 fora dos Estados Unidos, responsável tanto pela fabricação de componentes da fuselagem traseira quanto pelas atividades de integração e suporte aos jatos britânicos. 

A BAE Systems anunciou em março de 2019 que havia iniciado as atividades de integração do Meteor e do SPEAR 3 nos F-35B da RAF, com previsão original de conclusão até 2025 — prazo que sofreu atraso de aproximadamente cinco anos, em parte atribuído aos problemas com o TR-3. 

O contrato agora definitizado representa, portanto, a continuidade de um esforço industrial iniciado há mais de uma década, agora com prazo firme estabelecido até o final de 2032 e com financiamento majoritariamente aportado pelos próprios países parceiros.

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