Programa de modernização do sistema IRST para o F-15 é lançado com prazo de resposta da indústria até 27 de julho de 2026
A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) deu início a um processo formal de modernização do sistema de busca e rastreamento infravermelho — conhecido pela sigla IRST — instalado em seus caças F-15.
Um edital de consulta foi publicado no dia 26 de junho, a fim que indústrias busquem soluções tecnológicas para suprir uma lacuna operacional crescente em relação às capacidades passivas de detecção dos adversários.
O aviso foi publicado pelo Air Force Life Cycle Management Center (AFLCMC), sediado na Base Aérea de Wright-Patterson , em Ohio, com prazo para respostas da indústria até 27 de julho de 2026.
O que é o IRST e por que ele importa
Para compreender a relevância do programa, é preciso entender o que diferencia um sistema IRST do radar convencional. O radar funciona emitindo ondas de rádio e aguardando o eco de retorno dos alvos — o que significa que o próprio pulso de radar pode ser detectado por qualquer aeronave equipada com um receptor de alerta de radar, o equivalente eletrônico de um alarme que avisa ao alvo que foi identificado.
O IRST opera de maneira oposta: detecta passivamente as assinaturas de calor geradas pelos motores e pela estrutura das aeronaves em voo, construindo uma solução de engajamento a partir da radiação infravermelha que o alvo inevitavelmente emite, sem transmitir nenhum sinal próprio.
Na prática, isso significa que um piloto de F-15 equipado com IRST pode detectar, rastrear e engajar uma aeronave inimiga sem jamais ativar o radar que, de outra forma, denunciaria a presença da aeronave. Em um ambiente de combate saturado por guerra eletrônica e por jamming de sinais de radar, o IRST se torna o sensor que continua funcionando quando todo o restante é neutralizado.
Um histórico de soluções parciais
A história do IRST nos F-15 é uma sequência de soluções parciais que nunca satisfizeram plenamente os requisitos da Força Aérea. A versão operacional mais recente é o Eagle Integrated IRST (EI-IRST), que utiliza o Legion Pod da Lockheed Martin — um sistema de sensores alojado em um tanque de combustível modificado instalado na linha central da fuselagem, contendo o receptor infravermelho AN/ASG-34, derivado de tecnologia originalmente desenvolvida para o F-14D Tomcat.
O programa adquiriu 38 Legion Pods para o F-15C, atingindo capacidade operacional inicial em fevereiro de 2022, mas uma revisão do Departamento de Defesa identificou limitações na configuração em pod — sobretudo que a montagem do sensor na estação central impõe restrições ao ângulo de ataque da aeronave em manobras.
Paralelo a isso, as restrições orçamentárias impediram a conclusão do envelope completo de testes de voo necessário para eliminar essas limitações. Além disso, o pod ocupa uma estação que poderia ser utilizada para combustível ou armamento, trocando flexibilidade de carga útil por capacidade sensorial.
A vantagem dos adversários
A defasagem entre o que o Legion Pod entrega e o que a Força Aérea realmente necessita ficou mais evidente à medida que as capacidades dos adversários evoluíram. O caça furtivo J-20 da China opera com um sistema IRST totalmente integrado com cobertura de 360 graus fornecida por uma rede de abertura distribuída.
Já o Su-35S russo monta o OLS-35, capaz de detectar um alvo sem pós-combustão a mais de 50 km no hemisfério frontal e a mais de 90 km pela retaguarda, onde a exaustão dos motores fica diretamente exposta. O Eurofighter Typhoon europeu carrega o PIRATE IRST com alcances de detecção comparáveis.
Diante desses sistemas, um F-15 que depende principalmente de radar em um ambiente contestado ou saturado por jamming está em desvantagem significativa: o silêncio de radar significa silêncio de sensores, enquanto os adversários equipados com IRST continuam construindo soluções de rastreamento em completo silêncio radioelétrico. O edital de consulta publicado pelo AFLCMC é, portanto, o reconhecimento formal de que essa lacuna precisa ser fechada.
O F-15EX como plataforma para a próxima geração
Em março de 2026, a USAF ampliou o planejamento de sua frota de F-15EX de 80 para 267 aeronaves, consolidando o Eagle II como um complemento estratégico ao F-35 em cenários que exigem grande capacidade de carga, longa autonomia e custos operacionais menores do que os de plataformas furtivas.
O F-15EX possui uma arquitetura de aviônica construída em torno do computador de missão Advanced Display Core Processor II (ADCP II) e do radar de abertura eletrônica ativa AN/APG-82(V)1, o que permite, em princípio, hospedar um IRST integrado como entrada de sensor fundida ao sistema de controle de fogo — e não como um pod externo rodando em processador separado.
Atualmente, a detecção infravermelha é fornecida pelo Legion Pod da Lockheed Martin, carregando o sensor IRST21 AN/ASG-34(V)1. A perspectiva de um IRST montado internamente no nariz da aeronave já foi explorada pela própria Boeing.
Em fevereiro de 2025, o site The War Zone publicou matéria falando que a Boeing havia divulgado imagens de um F-15 Advanced Eagle aparentemente equipado com um sensor IRST montado no nariz, à frente do cockpit.
Posteriormente, a Boeing confirmou que a instalação era real e não uma simulação digital — embora tenha esclarecido que se tratava de uma imagem mais antiga e que o IRST no nariz, não representa uma área de atividade atual da empresa.
Um IRST montado internamente no nariz proporcionaria um campo de cobertura mais amplo do que o pod na linha central, sem impor penalidades aerodinâmicas ou de carga útil, integrando-se de forma mais natural à arquitetura de controle de fogo da aeronave. Além disso, liberaria uma estação de armas adicional em relação ao Legion Pod — algo de relevância considerável quando a profundidade de magazine é um fator crítico.
Capacidade de fogo e posicionamento estratégico
O F-15EX pode carregar a maior carga de armamentos de qualquer caça americano, com capacidade de carga útil externa de 13.400 kg em 23 pontos de fixação. Um Eagle II com até 22 mísseis ar-ar nas estações externas, combinado a um IRST de próxima geração alimentando dados de alvejamento diretamente ao sistema de controle de fogo, representaria um ativo de superioridade aérea substancialmente mais capaz do que o legado radar-dependente que substitui parcialmente.
Em março de 2026, a USAF conduziu testes do F-15EX, na Base Aérea de Eglin, avaliando seu conjunto de sobrevivência de próxima geração, desempenho de radar e sensores, e arquitetura de rede — sinalizando que a aeronave está sendo refinada para um espaço de batalha onde a resiliência eletrônica e a conectividade tática são tão importantes quanto a capacidade de fogo.
Com o edital de consulta aberto até 27 de julho, a Força Aérea aguarda propostas que possam definir o rumo de uma modernização com impacto direto sobre a competitividade da frota de Eagles em um ambiente de combate aéreo de alta intensidade.



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