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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Eurosatory 2026: Iveco apresenta estratégia para veículos terrestres não tripulados e amplia aposta em robótica militar

Empresa italiana, agora integrada ao grupo Leonardo, revelou nova plataforma rastreada CL2X e destacou avanços em autonomia, inteligência artificial e navegação para sistemas terrestres não tripulados

A Iveco Defence Vehicles (IDV), recentemente incorporada ao grupo Leonardo, aproveitou a feira Eurosatory 2026, em Paris, para detalhar sua estratégia voltada ao desenvolvimento de veículos terrestres não tripulados (UGVs). 

Durante o evento, a empresa apresentou uma nova plataforma rastreada e exibiu versões atualizadas de seus sistemas robóticos sobre rodas, reforçando sua intenção de ampliar presença em um segmento que vem ganhando importância crescente nas forças armadas ao redor do mundo.

A companhia iniciou sua trajetória no setor de robótica militar após a aquisição da divisão de veículos não tripulados da empresa britânica Horiba Mira, concluída em 2023. Desde então, vem investindo no desenvolvimento de tecnologias próprias voltadas à autonomia, navegação e integração de sistemas.

Segundo o CEO da IDV, Claudio Catalano, a decisão de ingressar no mercado de UGVs foi motivada por três fatores principais: proteção da vida dos militares, aumento da eficiência operacional e a expectativa de que sistemas não tripulados transformem significativamente a condução das operações militares nos próximos anos.

Missão acima da plataforma

Durante sua apresentação na Eurosatory, Catalano destacou que a empresa passou a enxergar os veículos não tripulados de forma diferente da abordagem tradicional adotada por parte da indústria.

Segundo o executivo, o elemento central não é a plataforma em si, mas a missão que ela deverá executar. Essa visão levou a IDV a desenvolver uma arquitetura tecnológica baseada em módulos independentes, capazes de evoluir à medida que novas tecnologias surgem.

Um dos principais componentes dessa arquitetura é o sistema denominado MACE (Modular Autonomy Controlled Equipment), responsável pelo processamento computacional embarcado e pelo controle do veículo.

A empresa optou por desenvolver internamente essa tecnologia para manter domínio sobre a evolução do hardware e garantir atualizações compatíveis com o avanço dos microprocessadores e das capacidades de processamento de dados.

Inteligência artificial para ambientes de combate

Outro pilar destacado pela IDV é o emprego de algoritmos de inteligência artificial voltados à navegação em ambientes não estruturados. Diferentemente dos veículos autônomos civis, que normalmente operam em rodovias e centros urbanos com sinalização definida, os sistemas militares precisam atuar em cenários muito mais complexos.

Florestas, áreas cobertas por neve, terrenos alagados e regiões sem qualquer infraestrutura de navegação exigem capacidade de interpretação contínua do ambiente e adaptação instantânea às mudanças do terreno.

Segundo Catalano, fatores como alterações provocadas por condições climáticas ou até mesmo ações inimigas podem modificar completamente o cenário previsto durante o planejamento da missão.

Para enfrentar esse desafio, os sistemas precisam combinar diferentes sensores, como câmeras de alta resolução, radares, sensores inerciais e equipamentos de varredura tridimensional, realizando fusão de dados em tempo real.

Navegação sem GPS é prioridade

A empresa também apresentou o sistema ATLAS, software desenvolvido para permitir navegação e geolocalização em ambientes onde sinais de navegação por satélite estejam indisponíveis ou sujeitos à interferência eletrônica.

O sistema utiliza processamento avançado de imagens para identificar referências no terreno e determinar a posição do veículo sem depender exclusivamente de sinais GNSS, como GPS, Galileo ou GLONASS.

Segundo a IDV, essa capacidade é especialmente relevante em operações militares modernas, onde a guerra eletrônica e a negação de sinais de navegação se tornaram ameaças cada vez mais frequentes. Além disso, o uso de sensores passivos pode reduzir a assinatura eletromagnética do veículo, dificultando sua detecção pelo adversário.

Desafios da mobilidade autônoma

Outro aspecto apontado pela empresa envolve a complexidade da mobilidade terrestre autônoma. Enquanto sistemas aéreos operam em ambientes relativamente previsíveis, veículos terrestres precisam lidar com obstáculos físicos, variações do solo e diferentes configurações mecânicas.

Para que a autonomia seja efetiva, os sistemas de controle precisam compreender não apenas o ambiente ao redor, mas também as características específicas da plataforma utilizada, seja ela sobre rodas ou lagartas.

Condições como lama, areia, neve ou terrenos deformáveis influenciam diretamente o comportamento do veículo e exigem processamento constante para ajustar a condução.

Novos sistemas apresentados na Eurosatory

A forte aposta da IDV no setor ficou evidente pela presença de três plataformas robóticas em seu estande durante a exposição.

Entre elas estavam duas versões do Viking 2.4, veículo não tripulado 6x6 da empresa. Uma delas foi equipada com a estação de armas remotamente controlada Hitrole C-UAS, desenvolvida pela Leonardo para missões de defesa contra drones.

Outra configuração recebeu lançadores para o míssil superfície-superfície Brimstone, ampliando o potencial de emprego da plataforma em missões de combate.

A principal novidade foi o CL2X, um novo veículo rastreado de aproximadamente 16 toneladas. A plataforma foi apresentada equipada com a torre Hitfist 30 UL, também produzida pela Leonardo e armada com canhão automático de 30 mm.

Tendência global

A crescente presença de veículos terrestres não tripulados em feiras internacionais de defesa reflete uma tendência observada em diversos programas militares ao redor do mundo.

Os conflitos recentes demonstraram a importância de sistemas capazes de executar missões de reconhecimento, apoio logístico, guerra eletrônica e até combate direto sem expor tripulações humanas ao risco.

Nesse contexto, a estratégia apresentada pela IDV indica que a empresa pretende posicionar-se como um dos principais atores europeus no segmento de robótica terrestre militar, apostando em autonomia, inteligência artificial e integração com sistemas de armas já consolidados no mercado.

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