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domingo, 21 de junho de 2026

Como a Marinha do Brasil utiliza pesquisas oceanográficas para fortalecer a defesa e o desenvolvimento do País

Pesquisas hidroceanográficas, monitoramento climático e tecnologias avançadas fortalecem a proteção da Amazônia Azul e ampliam a capacidade estratégica do País

Muito além do horizonte visível, uma extensa estrutura composta por navios de pesquisa, boias oceanográficas, estações meteorológicas, satélites e equipamentos científicos trabalha continuamente para desvendar os fenômenos que ocorrem no ambiente marinho. 

Esse esforço, conduzido pela Marinha do Brasil, transforma dados coletados no oceano em informações estratégicas para a defesa nacional, a segurança da navegação, a proteção da vida humana no mar e o desenvolvimento econômico do País.

O monitoramento constante das condições meteorológicas e oceanográficas permite compreender a dinâmica dos oceanos e antecipar fenômenos capazes de influenciar desde operações militares até atividades econômicas essenciais. 

Correntes marítimas, marés, ventos, ondas e alterações ambientais são analisados diariamente, fornecendo subsídios para áreas como transporte marítimo, exploração de recursos energéticos, pesca e preservação ambiental.

Nesse contexto, a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) desempenha um papel central na produção e disseminação do conhecimento hidrográfico, oceanográfico, meteorológico e de sinalização náutica. Como órgão técnico da Marinha, a DHN mantém uma rede permanente de serviços destinados a aumentar a segurança das atividades realizadas no mar.

Salvaguarda da vida humana no mar

Uma das principais missões da Diretoria de Hidrografia e Navegação é contribuir para a salvaguarda da vida humana no mar, compromisso assumido pelo Brasil por meio de acordos internacionais e executado pela Autoridade Marítima Brasileira.

Para isso, a Marinha disponibiliza continuamente cartas náuticas, avisos aos navegantes, previsões meteorológicas, tábuas de maré e informações ambientais por meio de seus canais oficiais e de sistemas digitais como o Sistema de Previsão de Correntes de Maré em Águas Rasas (SISCORAR) e o aplicativo Previsão Ambiental Marinha (PAM).

Segundo o Encarregado da Divisão de Oceanografia Operacional do Centro de Hidrografia da Marinha, Capitão de Corveta Elias de Castro Nadaf, os estudos meteorológicos marítimos envolvem a coleta de dados, análises especializadas e a produção de previsões meteoceanográficas seguindo os padrões estabelecidos pela Organização Meteorológica Mundial.

Os avisos emitidos permitem que navegantes tenham maior antecedência sobre fenômenos meteorológicos adversos, reduzindo riscos e contribuindo para uma navegação mais segura.

Tecnologia e ciência a serviço da Amazônia Azul

Para ampliar sua capacidade de pesquisa, a Marinha emprega tecnologias avançadas, incluindo satélites de sensoriamento remoto, boias oceanográficas e meteorológicas, plataformas de observação e equipamentos capazes de monitorar temperatura da água e do ar, salinidade, correntes marítimas, altura das ondas, ventos e precipitação.

Entre os principais meios empregados pela Força está o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico (NPqHo) “Vital de Oliveira” (H-39), considerado o mais moderno navio de pesquisa operado pela DHN e um dos mais avançados laboratórios científicos flutuantes da América Latina.

Equipado com 28 sistemas científicos especializados, o navio realiza estudos hidrográficos, oceanográficos, meteorológicos, geológicos e ambientais. Um de seus principais equipamentos é o sistema CTD-Rosette, utilizado para medir condutividade, temperatura e profundidade da água, além de coletar amostras destinadas à análise de salinidade, oxigênio dissolvido, fluorescência e plâncton.

A Marinha também atua em cooperação com instituições parceiras, como a Petrobras, utilizando dados obtidos por veículos autônomos de monitoramento, entre eles os Gliders submarinos e plataformas de superfície do tipo Sailbuoy, capazes de permanecer em operação por longos períodos sem necessidade de intervenção humana.

Conhecimento estratégico para a soberania nacional

Conhecer o oceano vai além do campo científico. Para o Brasil, trata-se de uma atividade de caráter estratégico, pois o entendimento do relevo submarino, das massas de água e das condições ambientais fortalece a capacidade do Estado de exercer seus direitos e responsabilidades sobre os espaços marítimos sob sua jurisdição.

Esse conhecimento é fundamental para a gestão da chamada Amazônia Azul, região marítima que concentra importantes rotas comerciais, ampla biodiversidade e significativos recursos naturais.

Um dos principais exemplos dessa atuação é o Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC), responsável pela produção de informações técnico-científicas que sustentam o pleito brasileiro de ampliação dos limites da Plataforma Continental, conforme os critérios estabelecidos pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Como resultado desses estudos, em março de 2025, a Comissão de Limites da Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas reconheceu uma ampliação de aproximadamente 360 mil km² da plataforma continental brasileira na Margem Equatorial, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, consolidando novos direitos brasileiros sobre os recursos minerais e energéticos existentes no solo e subsolo marinhos.

Pesquisa contínua em 2026

Ao longo de 2026, os navios hidroceanográficos da Marinha continuaram produzindo informações essenciais para a segurança da navegação e o avanço da ciência.

O Navio Hidroceanográfico “Cruzeiro do Sul”, durante a comissão CHAtSO/OCEATLHAN, realizou atividades que reforçaram a cooperação entre os serviços hidrográficos do Brasil, Argentina e Uruguai.

Já o Navio Hidroceanográfico Faroleiro “Graça Aranha”, na comissão PROTRINDADE, transportou pesquisadores até a Ilha da Trindade para apoiar estudos voltados à biodiversidade, conservação ambiental e monitoramento climático. A embarcação também executou a comissão RADIOFARÓIS, garantindo a manutenção de equipamentos de auxílio à navegação ao longo da costa brasileira.

Outro destaque foi o Aviso Hidroceanográfico “Cananéia”, que, durante a comissão EPOPEIA DO CANANÉIA, percorreu 20 portos da costa brasileira realizando lançamentos e manutenções de boias de sinalização náutica, além de levantamentos hidroceanográficos em áreas de difícil acesso para embarcações maiores.

A Economia Azul e o futuro dos oceanos

As atividades desenvolvidas pela Marinha do Brasil estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas e à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.

Os dados produzidos pela DHN possuem aplicações diretas na chamada Economia Azul, contribuindo para operações offshore, exploração de petróleo e gás, pesca, transporte marítimo e preservação ambiental.

Ao transformar informações coletadas no mar em conhecimento científico e estratégico, a Marinha do Brasil amplia sua capacidade de proteger a Amazônia Azul, apoiar o desenvolvimento sustentável e fortalecer a soberania nacional sobre uma das maiores riquezas do País.

Reportagem:
Primeiro-Tenente (T) Rachel Lemos
Segundo-Tenente (RM-2) Fernanda Bevaqua
Segundo-Tenente (RM2-T) Ribeiro

Fonte: Agência Marinha de Notícias

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