Marinha e Força Aérea dos EUA desferiram ataques coordenados de precisão contra infraestrutura militar iraniana perto do Estreito de Ormuz após um drone iraniano atingir o petroleiro Panamá M/T Kiku
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) confirmou hoje, 28 de junho, que caças da Marinha e da Força Aérea dos EUA conduziram ataques simultâneos contra 10 alvos militares iranianos em múltiplos pontos próximos ao Estreito de Ormuz.
A operação foi lançada em resposta à "agressão iraniana continuada contra o tráfego marítimo comercial", conforme declaração oficial do CENTCOM. O gatilho imediato foi o ataque com drone de ataque unidirecional que atingiu o petroleiro de bandeira panamenha M/T Kiku às 4h30 (horário de Brasília), enquanto a embarcação transitava próximo ao estreito carregando mais de dois milhões de barris de petróleo bruto.
Terceiro ciclo de represálias em três semanas
Foi a terceira vez em três semanas que caças americanos atacaram alvos semelhantes em resposta a ataques iranianos com drones no estreito. A sequência imediata começou dois dias antes, quando forças iranianas atingiram o navio de carga de bandeira singapuriana M/V Ever Lovely com um drone de ataque unidirecional em 25 de junho, enquanto a embarcação saía do estreito pela costa de Omã.
Em resposta, aeronaves americanas atacaram depósitos de mísseis e drones iranianos, além de radares costeiros. Ao invés de recuar, Teerã voltou a atacar — desta vez com o drone que atingiu o M/T Kiku.
Os ataques americanos de sábado foram mais amplos do que a primeira rodada. O CENTCOM afirmou ter visado um conjunto mais extenso de ativos militares iranianos, incluindo infraestrutura de vigilância, redes de comunicação, posições de defesa aérea, instalações de armazenamento de drones e estruturas utilizadas para lançamento de minas no canal aquático.
Segundo fontes familiarizadas com os detalhes da operação, dois dos alvos atingidos pelo CENTCOM haviam sido recentemente construídos pelo Irã, enquanto outros não haviam sido atacados em operações anteriores. Os alvos incluíam infraestrutura de vigilância iraniana, sistemas de comunicação, sítios de defesa aérea, instalações de armazenamento de drones e capacidades de lançamento de minas.
Kiku: o petroleiro que estilhaçou o cessar-fogo
O M/T Kiku havia saído do campo petrolífero de Al Shaheen, no Qatar, na quinta-feira, com destino ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. A embarcação não registrou vítimas entre a tripulação e não houve vazamento de carga, segundo informações disponíveis no momento.
O ataque ao Kiku colocou sob pressão imediata o Memorando de Entendimento assinado pelo presidente Donald Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian em 17 de junho. O entendimento visava encerrar o conflito que, já custou a vida de 13 militares americanos.
Após os ataques, o presidente Trump, publicou nas redes sociais que aeronaves dos EUA haviam atacado depósitos de mísseis e drones iranianos e radares costeiros por violação do cessar-fogo, e advertiu que "pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a concluir militarmente o trabalho que começamos com muito sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir."
Retaliação iraniana: bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein sob ataque
A escalada não ficou sem resposta de Teerã. Poucas horas após os ataques americanos, as Forças Armadas do Irã anunciaram ter atingido instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein em represália. Um oficial americano confirmou que instalações norte-americanas nos dois países foram visadas e afirmou não haver vítimas ou danos expressivos registrados até aquele momento.
O Exército do Kuwait declarou ter interceptado ameaças hostis de mísseis e drones na madrugada, com sistemas de defesa aérea respondendo e explosões de interceptadores sendo ouvidas em todo o país. No Bahrein, sirenes de ataque aéreo foram ativadas e o Ministério do Interior orientou cidadãos e residentes a permanecerem calmos e buscarem o abrigo mais próximo.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) também divulgou sua própria versão dos acontecimentos, afirmando que os EUA haviam atacado sob "vários pretextos" e que a marinha do IRGC havia respondido à agressão atingindo posições do "exército terrorista americano na região".
O presidente da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, foi mais direto: declarou em redes sociais que "os EUA atacaram o Irã no meio das negociações mais uma vez" e classificou a ação como uma "violação imprudente do cessar-fogo".


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