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quarta-feira, 10 de junho de 2026

A guerra que chega a Moscou: chefe de suprimento de mísseis da Rússia é morto em atentado com bomba

Damir Davydov, chefe da diretoria de abastecimento de mísseis e artilharia do Ministério da Defesa russo, é a mais recente vítima de uma série de assassinatos de militares de alto escalão atribuídos à inteligência ucraniana

Um oficial russo, responsável pelo suprimento de munição de mísseis e artilharia ao front, morreu nesta terça-feira (10) após uma bomba explodir, sob seu carro no subúrbio de Balashikha, a leste de Moscou. 

O coronel, Damir Davydov, de 57 anos, chefe da Diretoria de Suprimento de Mísseis e Munição de Artilharia do Diretório Principal de Mísseis e Artilharia do Ministério da Defesa da Rússia — o GRAU, na sigla em russo —, foi morto por um artefato explosivo colocado sob o veículo. 

A Ucrânia não comentou o episódio. O Kremlin confirmou a explosão, mas recusou-se a fornecer detalhes sobre a investigação em curso. 

A explosão ocorreu por volta de 5h30 da manhã (hora local), quando Davydov saía de um estacionamento na rua Koldunova, no bairro Aviatorov, área originalmente construída como residencial para militares. 

Testemunhas chegaram a socorrê-lo ainda com vida, mas ele morreu no local. O diário russo, Kommersant, informou que o artefato tinha potência equivalente de até 500 gramas de TNT. O veículo era um BMW X3. 

Qual era seu papel estratégico

O cargo que ocupava, é de natureza essencialmente logística, mas de peso estratégico direto: o GRAU é responsável pelo planejamento, produção, armazenamento e distribuição de toda a cadeia de munição das Forças Armadas russas — incluindo obuses, foguetes, mísseis e sistemas antitanque —, e seus arsenais alimentam diretamente as unidades de combate no front. 

Ataques bem-sucedidos contra arsenais e alvos do GRAU podem repercutir por frentes inteiras, restringindo cadeias de suprimento e limitando a capacidade ofensiva da Rússia.

A série de assassinatos

O atentado contra Davydov, insere-se numa cadeia de eliminações de militares russos de alto escalão que se estende desde os primeiros meses da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. 

O bairro Aviatorov, onde a explosão ocorreu, é área residencial de militares, a mesma região onde o tenente-general, Yaroslav Moskalik, foi morto em abril do ano passado, também por uma bomba colocada em seu carro estacionado. 

Em dezembro de 2025, durante negociações de paz nos Estados Unidos, outro carro explodiu, matando o tenente-general, Fanil Sarvarov, em circunstâncias semelhantes. Antes disso, em 2024, o tenente-general, Igor Kirillov, chefe das tropas de defesa nuclear, biológica e química, foi morto por uma bomba escondida em uma scooter elétrica em frente ao prédio onde morava, em Moscou; seu assistente também morreu. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) reivindicou autoria naquele caso.

A publicação ucraniana The Insider, afirmou que a operação contra Davydov foi conduzida pelo SBU. A informação não foi confirmada por Kiev nem pelo governo ucraniano de forma oficial.

Dias após a morte do general Moskalik, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, declarou ter recebido relatório do chefe da inteligência estrangeira sobre a "eliminação" de altos oficiais militares russos, acrescentando que "a justiça inevitavelmente chega". Desde então, a Ucrânia não assumiu publicamente nenhuma das mortes seguintes — o que não impediu que os atentados continuassem.

A guerra assimétrica além das linhas de frente

A sucessão de assassinatos reflete uma das estratégias centrais da Ucrânia diante de um adversário militarmente superior: usar operações especiais de alta precisão para degradar a capacidade de comando e logística russa por dentro do próprio território inimigo. 

Em agosto de 2024, Kiev executou uma incursão surpresa na região de Kursk, no coração da Rússia, que desviou recursos militares significativos e elevou o moral ucraniano — mesmo sendo finalmente rechaçada pelas tropas russas meses depois.

Os atentados com carro-bomba seguem essa mesma lógica: ao eliminar oficiais que gerenciam cadeias logísticas críticas como o suprimento de artilharia, a Ucrânia busca criar rupturas operacionais que as ofensivas de drones e mísseis, por si só, não conseguem garantir. 

No caso de Davydov, o alvo não era um comandante de frente, mas o responsável direto pelo fluxo de munição que alimenta os sistemas de foguetes e artilharia usados nos bombardeios diários do território ucraniano.

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