Estocolmo seleciona a Naval Group para fornecer quatro novas fragatas de defesa aérea, em um dos maiores investimentos militares suecos desde a introdução do caça Gripen
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| A Marinha Francesa recebeu, em 17 de outubro de 2025, sua primeira fragata da classe FDI construída pela Naval Group, a Amiral Ronarc’h, durante cerimônia realizada no porto de Brest, na França. (Foto: Naval Group) |
O governo Sueco, anunciou a escolha da empresa francesa Naval Group, para o fornecimento de quatro fragatas da classe FDI (Frégate de Défense et d’Intervention), em um acordo estimado em mais de 40 bilhões de coroas suecas — cerca de US$ 4,2 bilhões.
A decisão representa um dos maiores programas militares do país escandinavo nas últimas décadas e marca um novo avanço da cooperação estratégica entre Estocolmo e Paris.
Segundo o governo sueco, os novos navios serão incorporados à futura classe Luleå, concebida para ampliar significativamente a capacidade de defesa aérea e de guerra antissubmarino da Marinha da Suécia.
As embarcações substituirão gradualmente meios mais antigos e terão capacidade para operar não apenas no Mar Báltico, mas também em missões da OTAN em outras regiões estratégicas.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, afirmou que a aquisição deverá triplicar a capacidade de defesa aérea naval do país. Já o ministro da Defesa, Pål Jonson, destacou que a escolha pela proposta francesa ocorreu principalmente devido à maturidade do projeto FDI e à possibilidade de entregas em prazos mais rápidos em comparação aos concorrentes europeus.
A proposta da França superou ofertas apresentadas pela espanhola Navantia e pela britânica Babcock International, que disputavam o programa sueco com variantes das fragatas Type 31 e Arrowhead 120.
As futuras fragatas suecas serão equipadas com mísseis antiaéreos Aster 30, produzidos pela MBDA, além de sistemas desenvolvidos pela sueca Saab. O projeto também prevê integração de sensores avançados, radares multifuncionais e capacidades ampliadas de combate antissubmarino.
Baseadas no projeto francês da classe Amiral Ronarc’h — conhecida internacionalmente como FDI ou Belharra — as embarcações possuem deslocamento estimado em cerca de 4.500 toneladas, comprimento superior a 120 metros e autonomia ampliada para operações prolongadas. Atualmente, versões da plataforma já estão em serviço ou em construção para as marinhas da França e da Grécia.
A expectativa do governo sueco é que a primeira fragata seja entregue em 2030, com as demais incorporadas em intervalos anuais. O programa faz parte da ampla modernização militar conduzida pela Suécia após sua entrada oficial na OTAN, em meio ao aumento das tensões no norte da Europa e à continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia.
A aquisição também reforça o movimento de rearmamento naval observado em diversos países europeus desde 2022, especialmente nas regiões do Mar Báltico e do Atlântico Norte, consideradas áreas sensíveis diante da crescente atividade militar russa.
Especificações do navio
Projetadas para atuar em cenários de alta intensidade, as embarcações foram concebidas para operar tanto no Mar Báltico quanto em missões expedicionárias da OTAN, integrando sensores de última geração, radares AESA multifuncionais e sistemas avançados de guerra eletrônica.
Dimensões e desempenho
Especificações gerais
- Deslocamento: 4.460 toneladas
- Comprimento: 122 metros
- Boca: 17,7 metros
- Velocidade máxima: 27 nós
- Alcance: 5.000 milhas náuticas
- Tripulação: 110 militares + destacamento aéreo
- Capacidade adicional: até 28 passageiros
Sistema propulsor
- Potência total: 32.000 kW (42.900 shp)
- Dois eixos
- Duas hélices
Arsenal embarcado
Sistema Sylver A50 VLS
- 16 células nas primeiras unidades
- 32 células nas unidades posteriores
- Compatível com mísseis MBDA Aster 15 e Aster 30
- 8 mísseis antinavio MBDA Exocet MM40 Block 3C
- 1 canhão Oto Melara/Leonardo Super Rapid 76 mm
- 2 lançadores MBDA SIMBAD RC para mísseis Mistral
- 2 sistemas remotamente operados Nexter Narwhal 20B
- 2 lançadores duplos de torpedos MU90 Impact
Principais sistemas embarcados
- Sistema de combate Naval Group SETIS 3.0
- Radar AESA multifuncional Thales SEA FIRE
- Sonar de casco KingKlip Mk2
- Sonar rebocado CAPTAS-4 Compact
- Sistema de identificação amigo-inimigo BlueGate
- Sistemas ESM Thales SENTINEL R-ESM e ALTESSE-H
- Sistema antitorpedo CANTO
- Sistema eletro-óptico Safran PASEO XLR
- Radares de navegação Terma SCANTER e Wärtsilä NACOS
- Sistema de vigilância TV/IR 360° da Bertin Technologies
Aviação embarcada
- Hangar para 1 helicóptero
- Operação de UAVs
- Convoo para operações diurnas e noturnas
As fragatas possuem deslocamento estimado em 4.460 toneladas, com comprimento de 122 metros e boca de 17,7 metros. A velocidade máxima ultrapassa 27 nós — equivalente a aproximadamente 50 km/h — permitindo rápida resposta em cenários de combate naval. A autonomia operacional alcança cerca de 5.000 milhas náuticas a 15 nós, garantindo grande capacidade de permanência no mar sem necessidade de reabastecimento frequente.
O sistema de propulsão utiliza configuração CODAD (Combined Diesel and Diesel), baseada em motores diesel de alta potência. A configuração privilegia eficiência energética, menor custo operacional e elevada confiabilidade em operações prolongadas.
O armamento principal das FDI é centrado no sistema vertical de lançamento Sylver A50 VLS, capaz de empregar mísseis antiaéreos MBDA Aster 15 e Aster 30. Nas três primeiras unidades produzidas, o navio recebe 16 células de lançamento vertical. Já as unidades posteriores ampliam essa capacidade para 32 células.
O conjunto oferece capacidade de engajamento contra ameaças aéreas, embarcações de superfície, drones, helicópteros e submarinos. Um dos principais diferenciais da FDI está em sua arquitetura digital altamente integrada, baseada no sistema de gerenciamento de combate SETIS 3.0.
O radar principal é o Thales SEA FIRE, um moderno radar AESA 4D em banda S, capaz de rastrear simultaneamente centenas de alvos aéreos e marítimos. O pacote eletrônico foi desenvolvido para garantir elevada consciência situacional e sobrevivência em ambientes saturados por ameaças modernas, incluindo mísseis antinavio supersônicos e drones.
As fragatas contam com convoo e hangar para operar um helicóptero de médio porte, como o NH90 Caiman ou o futuro Airbus H160M Guépard, além de veículos aéreos não tripulados (UAVs). A capacidade aérea amplia significativamente o alcance de guerra antissubmarino, vigilância marítima e reconhecimento.
O programa FDI foi concebido pela França como uma resposta às novas exigências do combate naval contemporâneo, priorizando integração digital, defesa aérea de área e guerra em rede.
Além da França e da Grécia, a escolha sueca reforça a consolidação da plataforma como uma das principais fragatas europeias da nova geração, em um momento de forte rearmamento naval no continente diante da crescente tensão geopolítica no Mar Báltico e no Atlântico Norte.




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