Aeronave não tripulada teria sido abatida sobre a província de Marib; grupo afirma que este é o 27º MQ-9 destruído desde o início das hostilidades regionais
As forças da coalizão Ansarullah, movimento também conhecidos como Houthis, divulgaram imagens que confirmariam a derrubada de um drone norte-americano MQ-9 Reaper da Força Aérea dos Estados Unidos sobre o território iemenita. Segundo o grupo, a aeronave foi abatida durante a noite do dia 17 de maio, na província de Marib, no oeste do Iêmen.
De acordo com os insurgentes, este seria o 27º drone MQ-9 Reaper destruído por suas forças desde o início da campanha militar norte-americana na região. O grupo também afirma que, considerando operações conduzidas conjuntamente por sistemas de defesa aérea do Iêmen e do Irã, o total de aeronaves Reaper abatidas em hostilidades regionais já chegaria a 51 unidades.
As imagens divulgadas mostram destroços da aeronave e indicariam que o drone transportava mísseis AGM-114 Hellfire ar-superfície. A variante empregada, segundo analistas militares ligados à região, utiliza uma configuração projetada para ataques de precisão com danos colaterais reduzidos, incluindo versões equipadas com lâminas retráteis em substituição à ogiva explosiva convencional.
O UAV abatido teria sido identificado como um MQ-9A Block 5 Extended Range, versão de maior autonomia operacional do Reaper. Um tanque externo de combustível também teria sido recuperado próximo ao local da queda.
Plataforma estratégica para vigilância e ataques
O MQ-9 Reaper é atualmente uma das principais plataformas não tripuladas utilizadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em missões de reconhecimento, vigilância e ataque de precisão. A aeronave opera amplamente em teatros considerados estratégicos para Washington, especialmente no Oriente Médio e na região do Indo-Pacífico.
Além de missões ISR (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance), o sistema também pode executar ataques contra alvos terrestres e marítimos, transmitindo imagens em tempo real para centros de comando e inteligência.
Entretanto, sucessivas perdas em cenários de combate têm levantado questionamentos sobre a sobrevivência operacional do MQ-9 em ambientes com defesas aéreas minimamente estruturadas.
Especialistas em defesa observam que a plataforma demonstra elevada vulnerabilidade diante de sistemas modernos de defesa antiaérea, especialmente quando empregada em espaços aéreos contestados. Essa limitação tem alimentado avaliações de que o Reaper teria utilidade reduzida em um eventual conflito de alta intensidade contra potências militares mais avançadas, como China ou Coreia do Norte.
Conflito entre EUA e Irã ampliou perdas aéreas
![]() |
| Restos do drone MQ-9 Reaper após ser abatido pelo Irã em março. |
Segundo fontes militares regionais, durante os 39 dias de confrontos entre Estados Unidos e Irã iniciados em 28 de fevereiro, cerca de 39 aeronaves militares norte-americanas teriam sido destruídas, enquanto outras dez sofreram danos em diferentes níveis.
Ainda de acordo com essas avaliações, drones MQ-9 Reaper representaram a maior parte das perdas aéreas norte-americanas no conflito. Estima-se que 24 unidades tenham sido abatidas durante operações conduzidas em profundidade no espaço aéreo iraniano — missões consideradas excessivamente arriscadas para aeronaves tripuladas.
Embora não possuam pilotos a bordo, os MQ-9 estão longe de serem considerados ativos descartáveis. Cada unidade possui custo aproximado de US$ 150 milhões, dependendo da configuração operacional e do pacote logístico associado.
A ausência de tripulação permite que os drones sejam empregados em operações de maior risco, inclusive em áreas fortemente defendidas. Ainda assim, a crescente eficiência de sistemas antiaéreos guiados por infravermelho utilizados pelo Irã e por forças aliadas no Iêmen tem representado um desafio cada vez maior para aeronaves norte-americanas e israelenses operando na região.


.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário