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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Imagens de satélite confirmam avanço acelerado da construção de seu primeiro super porta-aviões nuclear pela China

Novo navio poderá entrar em serviço antes de 2035 e reforça rápida expansão da Marinha chinesa

Novas imagens de satélite do estaleiro de Dalian, no norte da China, indicam que Pequim está avançando rapidamente na construção de seu primeiro porta-aviões movido a propulsão nuclear, projeto que poderá colocar a embarcação em operação antes da metade da próxima década.

As imagens mostram que, em menos de um ano, módulos pré-fabricados do casco foram integrados em uma estrutura já claramente identificável como um super porta-aviões, evidenciando o ritmo acelerado da indústria naval chinesa.

Analistas apontam que o avanço reforça a crescente capacidade da base industrial marítima da China de executar programas navais de grande escala em prazos reduzidos, ampliando significativamente o poder naval da Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA Navy).

O desenvolvimento ocorre enquanto relatórios do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) avaliam que a China pretende operar até nove porta-aviões capazes de empregar aeronaves de asa fixa até 2035. Atualmente, a Marinha chinesa possui três navios-aeródromo em diferentes estágios operacionais e de desenvolvimento.

Segundo as informações divulgadas, os estaleiros chineses trabalham simultaneamente em dois novos super porta-aviões: um de propulsão nuclear, construído em Dalian, e outro convencional.

China avança na construção de seu quarto porta‑aviões

Os novos projetos devem incorporar a experiência obtida durante o desenvolvimento do Fujian, primeiro super porta-aviões chinês, oficialmente incorporado à Marinha chinesa em novembro de 2025.

Em comparação ao Fujian, o futuro porta-aviões nuclear deverá apresentar maior deslocamento, autonomia significativamente ampliada e capacidade operacional superior. Entre as modificações esperadas estão a instalação de um quarto catapulta de lançamento de aeronaves e um terceiro elevador para movimentação de aeronaves no convoo e hangares.

Analistas estimam que essas melhorias poderão elevar em cerca de 33% o ritmo de geração de surtidas aéreas em relação ao Fujian.

A futura ala aérea embarcada deverá incluir caças furtivos J-35 de quinta geração, aeronaves J-15T de superioridade aérea de longo alcance, jatos de guerra eletrônica J-15D e aeronaves KJ-600 de alerta aéreo antecipado e controle (AEW&C).

O programa de super porta-aviões integra a estratégia chinesa de expansão naval de águas azuis, voltada à ampliação da capacidade de projeção de poder no Pacífico Ocidental, Oceano Índico e outras regiões consideradas estratégicas por Pequim.

Fujian no teste de viagem inaugural. Foto de Ding Ziyu (foto drone)

Enquanto navios convencionais oferecem menor custo de aquisição e manutenção, os porta-aviões nucleares garantem autonomia muito superior e maior permanência em operações de longa distância, reduzindo a dependência logística de reabastecimento.

A expectativa é de que a China mantenha uma frota mista, combinando superporta-aviões convencionais e nucleares para diferentes cenários operacionais.

Imagens divulgadas anteriormente, em novembro de 2025, já haviam mostrado estruturas compatíveis com contenção de reatores nucleares sendo instaladas no novo navio, reforçando avaliações de que a embarcação utilizará propulsão nuclear.

Esses indícios surgiram após relatos, ainda em 2024, apontarem que a China desenvolvia um protótipo de reator nuclear naval próximo à cidade de Leshan.

Além da construção naval, imagens recentes também mostram expansão de infraestrutura militar na base naval de Qingdao, na província de Shandong. O local, atualmente utilizado pelo porta-aviões Liaoning, passa por ampliação de píeres e instalação de estruturas de desmagnetização, consideradas essenciais para operações de grandes navios de guerra.

Novas imagens mostram o caça J-35 decolando do novo porta-aviões Fujian. - Helder Martins

A base é apontada como uma das futuras instalações aptas a receber um super porta-aviões nuclear chinês no início da próxima década.

O avanço acelerado do programa naval chinês ocorre em paralelo às dificuldades enfrentadas pelos Estados Unidos no desenvolvimento da classe Gerald R. Ford. O programa norte-americano vem registrando atrasos, aumento de custos e problemas técnicos relacionados a sistemas de lançamento eletromagnético, elevadores de armamentos e integração operacional.

A rápida expansão da frota chinesa vem sendo acompanhada de perto por analistas militares ocidentais, especialmente diante do aumento das tensões estratégicas no Indo-Pacífico e da crescente competição naval entre Washington e Pequim.

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