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quinta-feira, 28 de maio de 2026

China realiza teste com míssil HJ-10 em exercício militar no deserto de Gobi

Exercício com fogo real do Exército de Libertação Popular reforça foco em mobilidade tática, coordenação de unidades e engajamento de longo alcance em ambiente de combate simulado.

"O Exército de Libertação Popular (PLA) da China utilizou o sistema de mísseis antitanque HJ-10 em um exercício de fogo real no Deserto de Gobi para aprimorar operações de combate antiblindados móveis de longo alcance (Fto: Ministério da Defesa Nacional da China)"

O Exército de Libertação Popular da China realizou um exercício com tiro real envolvendo o sistema de míssil antitanque HJ-10 no deserto de Gobi. A atividade, conduzida por uma unidade do 74º Grupo de Exército, teve como objetivo avaliar a capacidade de deslocamento rápido, coordenação operacional e execução de disparos de precisão em condições de combate simuladas, voltadas a cenários de alta intensidade contra forças blindadas.

O treinamento foi conduzido em uma área desértica de terreno aberto no Gobi, região frequentemente utilizada pelas forças chinesas para exercícios de larga escala devido às suas condições ambientais rigorosas e baixa infraestrutura de apoio. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Defesa da China, a unidade envolvida realizou uma marcha operacional de longo alcance antes de executar o ciclo completo de engajamento com o sistema HJ-10.

A atividade buscou medir não apenas a capacidade de fogo do míssil, mas sobretudo a eficiência do processo operacional como um todo: deslocamento estratégico, estabelecimento de posições de tiro, aquisição de alvos, coordenação com comandos superiores e reposicionamento após o disparo.

O HJ-10, também identificado como “Red Arrow-10”, é um sistema de míssil guiado antitanque de longo alcance desenvolvido para fornecer às forças terrestres chinesas uma capacidade de engajamento de precisão contra veículos blindados, fortificações e alvos táticos em profundidade operacional. Diferentemente de sistemas portáteis de curto alcance, o equipamento é normalmente integrado a plataformas veiculares, com destaque para o lançador AFT-10, baseado no chassi do veículo de combate de infantaria ZBD-04A.

De acordo com dados técnicos amplamente divulgados, o sistema possui alcance estimado em cerca de 10 quilômetros, permitindo engajamentos fora do alcance direto de armamentos de canhão convencionais. Essa característica amplia a zona de negação contra formações blindadas, permitindo ações antes que forças adversárias entrem em contato direto.

No nível tático, o HJ-10 é empregado como vetor móvel de destruição de blindados, apto a operar em posições temporárias e de baixa permanência. Essa configuração favorece o conceito de “atirar e deslocar”, no qual a unidade executa o disparo e imediatamente reposiciona-se para reduzir exposição a sensores de reconhecimento e sistemas de contrabateria.


O uso do deserto de Gobi como cenário de teste adiciona complexidade operacional ao exercício. O ambiente impõe desafios relacionados à navegação, comunicação, estabilidade de plataformas móveis e desempenho de sensores ópticos e eletrônicos. Em tais condições, a eficácia do sistema depende tanto da performance do míssil quanto da integração entre sensores, operadores e redes de comando.

O exercício, nesse sentido, não se restringiu à demonstração de capacidade de tiro, mas à validação de um ciclo operacional completo. Isso inclui a movimentação em terreno hostil, a instalação temporária de posições de lançamento, a identificação de alvos em ambiente simulado e a coordenação com níveis superiores de comando para execução do engajamento.

Do ponto de vista doutrinário, o HJ-10 integra a estrutura chinesa de guerra terrestre baseada em fogos de precisão e combate combinado. O sistema é projetado para atuar como elemento de uma rede mais ampla de sensores e vetores de ataque, contribuindo para retardar, fragmentar ou neutralizar avanços mecanizados antes que alcancem proximidade de combate direto.

Além da função defensiva, o sistema também pode ser empregado em apoio ofensivo, atuando contra posições fortificadas, blindados em deslocamento e alvos de alto valor tático. Essa flexibilidade amplia sua utilidade dentro de operações de maior escala, em que a coordenação entre diferentes meios de combate é determinante.

A realização do exercício reforça ainda a ênfase do Exército chinês em mobilidade, dispersão e sobrevivência no campo de batalha moderno. Em ambientes marcados pelo uso intensivo de drones, reconhecimento contínuo e armas de longo alcance, a capacidade de operar de forma distribuída e reduzir o tempo de exposição torna-se um fator central de sobrevivência operacional.

O treinamento no Gobi sugere, portanto, uma preparação voltada a cenários em que unidades anticarro precisam operar de forma independente, mas integradas a uma rede de comando e controle mais ampla, sustentando ciclos rápidos de detecção, engajamento e reposicionamento.

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