A Fuerza Aérea Argentina (FAA) iniciou oficialmente a retirada de serviço dos veteranos caças Lockheed Martin A-4AR Fightinghawk, encerrando um dos capítulos mais emblemáticos da aviação de combate argentina nas últimas décadas.
A decisão, anunciada em 14 de maio, pelo chefe do Estado-Maior da Força Aérea Argentina, brigadeiro-general Gustavo Javier Valverde, durante visita à V Brigada Aérea, em Villa Reynolds, na província de San Luis — unidade historicamente ligada à operação dos Fightinghawk.
Segundo o comunicado oficial da força, a retirada dos A-4AR ocorre após uma análise estratégica baseada em eficiência operacional, sustentabilidade econômica e redistribuição de recursos para a incorporação dos novos caças General Dynamics F-16 Fighting Falcon adquiridos da Dinamarca.
Valverde destacou o “legado inesquecível” deixado pela aeronave e reconheceu o trabalho de pilotos, mecânicos e equipes de manutenção que mantiveram o sistema operacional por décadas.
O fim de uma era dos Skyhawk na Argentina
Os primeiros Douglas A-4 Skyhawk chegaram à Argentina em 1965, quando a Força Aérea incorporou aeronaves A-4B para equipar a V Brigada Aérea. Posteriormente, o país também adquiriu variantes A-4C e A-4Q, utilizadas tanto pela Força Aérea quanto pela Aviação Naval argentina.
Os Skyhawk argentinos ganharam notoriedade internacional durante a Falklands War, quando realizaram ataques de baixa altitude contra a frota britânica no Atlântico Sul.
Em 25 de maio de 1982, quatro A-4B argentinos atacaram navios britânicos e afundaram o destróier HMS Coventry (D118), além de causar graves danos à fragata HMS Broadsword (F88). Já os A-4Q da Aviação Naval participaram do afundamento das fragatas HMS Ardent (F184) e HMS Antelope (F170).
Modernização e origem dos A-4AR
Na década de 1990, após o fim do embargo militar norte-americano contra a Argentina, Buenos Aires adquiriu aeronaves A-4M Skyhawk II excedentes do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.
Entre 1997 e 2000, a Lockheed Martin conduziu um programa de modernização que transformou 32 aeronaves A-4M em A-4AR Fightinghawk monopostos e quatro TA-4F em versões bipostas OA-4AR. Parte do trabalho foi realizada nos Estados Unidos, enquanto outra parcela ocorreu nas instalações da Lockheed Martin Aircraft Argentina, em Córdoba.
Os A-4AR receberam aviônicos derivados de versões iniciais do F-16, radares modernizados e novos sistemas eletrônicos, tornando-se por muitos anos a principal capacidade supersônica da aviação de combate argentina.
F-16 acelerou aposentadoria dos Fightinghawk
A chegada dos primeiros F-16 dinamarqueses em dezembro de 2025 acelerou o processo de desativação da frota Fightinghawk. Segundo a Força Aérea Argentina, os elevados custos de manutenção, dificuldades logísticas e a baixa disponibilidade operacional tornaram inviável a continuidade do programa.
Especialistas argentinos já vinham alertando há anos para a deterioração operacional da frota, com dificuldades crescentes para obtenção de peças de reposição e número reduzido de aeronaves plenamente operacionais.
Com a retirada dos A-4AR, a Argentina encerra oficialmente mais de meio século de operação da família Skyhawk em suas forças armadas.
Atualmente, a Marinha do Brasil permanece como a única operadora militar sul-americana do A-4 Skyhawk, utilizando aeronaves AF-1 modernizadas em sua aviação naval.




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