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domingo, 24 de maio de 2026

Airbus oferece transformar Portugal em centro europeu de manutenção do Eurofighter

Empresa europeia negocia participação da indústria portuguesa caso Portugal escolha o caça para substituir os F-16 da Força Aérea Portuguesa

A Airbus intensificou sua campanha para que Portugal escolha o caça Eurofighter Typhoon como substituto da atual frota de F-16 da Força Aérea Portuguesa (FAP), oferecendo ao país participação direta na cadeia industrial do programa, incluindo manutenção, fabricação de peças e serviços de suporte logístico.

Segundo informações divulgadas pela imprensa portuguesa, a Airbus vem trabalhando desde abril de 2025 com potenciais fornecedores locais para avaliar capacidades industriais que possam integrar o ecossistema do Eurofighter caso Lisboa avance na aquisição da aeronave.

O projeto inclui a possibilidade de empresas portuguesas participarem tanto da produção de componentes quanto de atividades de manutenção, reparo e revisão geral (MRO) do caça europeu e de seus motores.

O Eurofighter Typhoon é produzido por um consórcio europeu formado pela Airbus Defence and Space, BAE Systems e Leonardo, envolvendo diretamente Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha.

A proposta surge em um momento estratégico para Portugal, que se prepara para iniciar o processo de substituição de aproximadamente 30 caças F-16AM atualmente em operação na FAP. Entre os concorrentes também aparecem o norte-americano F-35 Lightning II, da Lockheed Martin, e o sueco Saab Gripen E.

Durante a Airbus Defence Summit 2026, realizada em Manching, na Alemanha, executivos da Airbus reforçaram que um dos principais argumentos da proposta europeia é a chamada “soberania operacional”. Segundo representantes do consórcio, Portugal teria maior liberdade de operação e acesso tecnológico em comparação com plataformas norte-americanas.

Ivan González Expósito, responsável pela campanha do Eurofighter em Portugal, afirmou que o consórcio já assinou diversos acordos de confidencialidade com empresas portuguesas e iniciou avaliações industriais detalhadas para identificar possíveis parceiros nacionais.

Entre as empresas portuguesas avaliadas estão grupos ligados ao setor aeronáutico e aeroespacial, incluindo fabricantes de aeroestruturas metálicas e compostas. A Airbus destacou potencial de colaboração em produção de componentes tanto para o Eurofighter quanto para outras plataformas militares e civis da companhia.

Portugal já possui tradição consolidada no setor de manutenção aeronáutica militar. Empresas como a OGMA possuem ampla experiência em manutenção de aeronaves militares, incluindo F-16, C-130 Hercules, P-3 Orion e KC-390 Millennium.

Outras empresas portuguesas do setor MRO, como a AEROMEC, também possuem experiência em manutenção de aeronaves militares e civis, ampliando a capacidade industrial portuguesa para eventuais programas de defesa de maior complexidade.

A estratégia da Airbus busca não apenas vender aeronaves, mas também consolidar uma base industrial de defesa europeia mais integrada, especialmente diante do atual cenário geopolítico e da crescente pressão para fortalecimento da autonomia estratégica da União Europeia.

O consórcio também argumenta que o programa Eurofighter possui viabilidade operacional de longo prazo. Recentemente, Alemanha, Itália e Espanha anunciaram novos pedidos da aeronave, enquanto a Turquia também avançou em negociações envolvendo o caça europeu.

Atualmente, a Força Aérea Portuguesa opera cerca de 24 caças F-16AM modernizados, aeronaves que se aproximam do fim de sua vida operacional.

Caso Portugal opte pelo Eurofighter, o país poderá integrar diretamente uma das maiores cadeias industriais aeronáuticas militares da Europa, ampliando sua participação tecnológica e industrial no setor de defesa aeroespacial europeu.

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