Medida defensiva identificada em Novorossiysk busca proteger componentes críticos da vela e manter operacional o vetor de lançamento de mísseis Kalibr
A Marinha da Rússia, adicionou estruturas de proteção metálica conhecidas como "gaiolas anti-drone" a três dos quatro submarinos da classe Kilo baseados no Porto de Novorossiysk, no Mar Negro. Além das barreiras físicas, a frota russa passou a submergir parcialmente as embarcações dentro da própria base naval.
As ações visam mitigar a exposição a ataques de sistemas aéreos não tripulados e preservar a capacidade operacional de lançamento de mísseis de cruzeiro Kalibr a partir da porção oriental do Mar Negro, conforme avaliação da inteligência militar do Reino Unido divulgada dia 4 de agosto.
Imagens de satélite comerciais capturadas em 13 de junho, revelaram três submarinos equipados com as gaiolas submersos com amarras afrouxadas. Uma quarta unidade da mesma classe, sem a estrutura metálica instalada, foi posicionada longe dos navios de superfície e também parcialmente submersa.
Os procedimentos melhoram a sobrevivência das unidades na base ao reduzir a assinatura visual do alvo e proteger a vela — região que concentra mastros, periscópios e sistemas de comunicação —, embora não ofereçam nenhum ganho de desempenho em combate subaquático.
A classe Kilo e o vetor de ataque Kalibr
A Frota do Mar Negro recebeu originalmente seis submarinos do Projeto 636.3 Varshavyanka entre 2014 e 2016: Novorossiysk, Rostov-on-Don, Stary Oskol, Krasnodar, Veliky Novgorod e Kolpino, além de operar o modelo anterior Alrosa (Projeto 877V).
No entanto, o relatório britânico ressalta a impossibilidade de identificar individualmente as quatro embarcações observadas em Novorossiysk por numeração de casco ou condição mecânica exata, visto que unidades da classe já realizaram desdobramentos fora da região e o Rostov-on-Don sofreu graves danos em Sevastopol em setembro de 2023 e agosto de 2024.
O Projeto 636.3 possui 73,8 metros de comprimento e deslocamento de 2.350 toneladas na superfície e 3.100 toneladas submerso. Equipado com seis tubos de torpedos de 533 mm, o submarino pode transportar até 18 torpedos ou mísseis, incluindo o sistema Kalibr-PL.
A carga útil padrão para missões de ataque terrestre compreende até quatro mísseis de cruzeiro 3M-14K, cujo alcance estimado entre 1.500 e 2.000 quilômetros permite atingir alvos em todo o território ucraniano operando a partir da costa do Caucásio, sem a necessidade de avançar para o oeste do Mar Negro.
Embora uma salva de quatro mísseis seja quantitativamente reduzida em comparação aos ataques da aviação de longo alcance, sua relevância estratégica reside no estabelecimento de um eixo de ataque adicional. A chegada coordenada dos mísseis Kalibr com vetores Kh-101, mísseis balísticos Iskander e drones suicidas sobrecarrega a defesa aérea ucraniana, que precisa rastrear ameaças com perfis de voo, velocidades e altitudes distintos.
Limitações mecânicas e estratégia de preservação
As estruturas metálicas funcionam como barreiras passivas contra drones FPV e quadricópteros, podendo desviar o ângulo de impacto, enroscar hélices ou detonar cargas de contato antes que atinjam a vela.
A preservação da vela é essencial para evitar o mission kill — dano que inviabiliza a navegação, recarga de baterias ou comunicações —, embora a gaiola não ofereça proteção eficaz contra munições pesadas, mísseis de cruzeiro ou veículos subaquáticos não tripulados.
A permanência das estruturas durante a navegação em imersão completa é improvável, já que a gaiola pode obstruir mastros, prejudicar a hidrodinâmica e gerar ruído acústico. Trata-se de uma solução voltada primariamente para o período em que a embarcação permanece atracada, rearmando ou em manutenção.
A estratégia reflete a necessidade de preservação de meios diante do fechamento do Estreito de Bósforo pela Turquia com base na Convenção de Montreux, o que impede a Rússia de substituir ou rotacionar unidades navais vindas de outras frotas.

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