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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Embraer vive "oportunidade rara" para desafiar duopólio de Airbus e Boeing, avalia The Economist

Revista britânica destaca carteira recorde de US$ 34,5 bilhões, atrasos das concorrentes e valorização de dez vezes nas ações desde 2021

A Embraer, atravessa o que a revista britânica The Economist descreve como, a melhor oportunidade em décadas para ampliar sua fatia no mercado global de aviação e desafiar o domínio histórico de Airbus e Boeing. 

Em um artigo publicado no dia 30 de julho, sob o título "Esqueça Airbus e Boeing. A Embraer está decolando", a publicação atribui o momento favorável da empresa brasileira a uma combinação de alta demanda por aeronaves comerciais menores, jatos executivos e produtos militares, somada aos atrasos crônicos de entrega enfrentados pelas duas gigantes do setor.

Carteira recorde e valorização expressiva

Segundo a matéria da revista, a Embraer entregou 141 aeronaves em 2021 e pode alcançar 255 unidades neste ano. Em julho, a companhia anunciou uma carteira recorde de pedidos, avaliada em US$ 34,5 bilhões. 

No mercado financeiro, as ações da fabricante acumulam valorização de aproximadamente dez vezes desde o início de 2021, desempenho superior ao registrado por Airbus e Boeing no mesmo período. O presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou à publicação britânica que a empresa ainda enxerga espaço para um "crescimento substancial" nos próximos anos.

Atrasos das concorrentes abrem espaço no mercado

A reportagem aponta que Airbus e Boeing acumulam juntas uma fila de aproximadamente 16 mil aeronaves comerciais encomendadas, com prazos de entrega que variam entre oito e dez anos, dependendo do modelo. 

Em contraste, o jato regional E2 da Embraer — comercializado pela empresa como "Profit Hunter" — pode ser entregue em prazo inferior a dois anos, o que reforça sua competitividade diante da demanda represada.

A publicação acrescenta que cresce, no mesmo período, a procura por voos diretos entre aeroportos de menor porte, segmento em que a fabricante brasileira já mantém presença consolidada. Os mercados de aviação executiva e de defesa também seguem em expansão, segundo a análise.

Hipótese de aeronave maior divide opiniões

Diante desse cenário, o The Economist especula que a Embraer poderia considerar um projeto mais ambicioso: o desenvolvimento de uma aeronave comercial de maior porte, capaz de competir diretamente com os modelos de corredor único A320, da Airbus, e 737, da Boeing. 

A revista observa que as duas fabricantes só devem apresentar substitutos para esses modelos ao final da década de 2030, o que poderia abrir uma janela de oportunidade para uma nova concorrente. Ainda de acordo com a publicação, a decisão de avançar nesse segmento divide opiniões dentro da própria Embraer.

Desafio esbarra em investimento bilionário e histórico de fracassos

Apesar do cenário favorável, a reportagem pondera que romper o duopólio formado por Airbus e Boeing continua sendo uma operação de alto risco. A publicação lembra que a canadense Bombardier tentou, no passado, ampliar sua atuação nesse mercado e não obteve sucesso. 

O presidente da Airbus, Guillaume Faury, por sua vez, já teria aconselhado a Embraer a "pensar duas vezes" antes de seguir por esse caminho.

Outro obstáculo apontado é o volume de investimento necessário: o desenvolvimento de uma nova família de aeronaves pode custar cerca de US$ 10 bilhões, valor que exigiria a participação de parceiros financeiros e industriais para dividir tanto o financiamento quanto a estrutura produtiva do programa.

Enquanto isso, Gomes Neto afirmou que a companhia permanece "muito confortável com a situação que temos hoje", sinalizando que qualquer movimento mais ambicioso ainda não é consenso na cúpula da empresa.

Mercado observa próximos passos

A combinação entre demanda elevada, atrasos das concorrentes e fortalecimento financeiro coloca a Embraer diante de uma oportunidade rara de expansão, revela a revista. Qualquer movimento em direção ao segmento de aeronaves maiores, no entanto, dependerá de investimentos bilionários, parcerias estratégicas e da capacidade da fabricante brasileira de competir em um mercado historicamente dominado por apenas duas empresas.

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