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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Dissuasão no Pacífico: Marinha e Força Aérea dos EUA integram forças para proteger a frota nuclear de submarinos

Exercício conjunto inédito demonstra a proteção do vetor balístico estratégico da Marinha dos EUA durante a sua fase operacional de maior vulnerabilidade em águas superficiais.

Caças de ataque ao solo, A-10 Thunderbolt II, da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) realizaram uma missão de escolta armada, para o submarino nuclear de mísseis balísticos, USS Nebraska (SSBN 739), da classe Ohio, durante operações de superfície do Oceano Pacífico. 

O exercício conjunto, revelado pelo Comando da Frota do Pacífico dos EUA. ocorreu no dia 28 de julho e teve como objetivo demonstrar a capacidade de proteção contínua da força de dissuasão estratégica dos EUA, contra ameaças assimétricas e convencionais durante o momento em que a embarcação encontra-se mais exposta.

A operação integrada entre a Marinha dos EUA (US Navy) e a USAF, reforça uma mudança doutrinária na segurança dos submarinos lançadores de mísseis balísticos (SSBN). Sob o comando do 9º Grupo de Submarinos, a operação visou garantir que, mesmo navegando na superfície (fase crítica de transição entre as instalações portuárias e as profundezas do oceano), a embarcação permaneça coberta por uma camada de defesa aérea dedicada.

A escolha dos A-10 Thunderbolt II, para a função de guardião marítimo de proximidade atende a requisitos operacionais específicos. 

O A10, que foi projetado para voar em baixas velocidades, possuindo elevada autonomia de voo e uma grande capacidade de manobra a baixa altitude, desta forma ele se torna o vetor ideal para acompanhar uma embarcação cujas velocidade e capacidade de evasão são drasticamente limitadas enquanto na superfície.

Capacidade de resposta rápida a ameaças assimétricas

Equipado com canhão GAU-8/A Avenger de 30 mm, mísseis AGM-114 Hellfire, AGM-65 Maverick, foguetes e mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder, o A-10 oferece aos comandantes militares uma ampla gama de opções de engajamento. 

O foco do exercício esteve na vigilância persistente, identificação rápida de alvos e neutralização imediata de embarcações rápidas de ataque, veículos de superfície não tripulados (USVs), drones e aeronaves que tentem se aproximar do perímetro de segurança do submarino.

Ainda que as autoridades navais não tenham reportado uma ameaça específica durante a atividade, o treinamento visou simular cenários em que vetores adversários tentem monitorar, geolocalizar ou interromper a rota do USS Nebraska. 

O objetivo primário da escolta armada é criar uma zona de exclusão ao redor do meio naval, impedindo a coleta de dados de inteligência sobre o comportamento de trânsito ou procedimentos de escolta da frota estratégica.

Vulnerabilidade e relevância da classe Ohio

Os submarinos da classe Ohio, representam um dos pilares, da tríade de dissuasão nuclear dos EUA. Com capacidade para transportar até 20 mísseis balísticos Trident II D5, o USS Nebraska baseia seu poder de dissuasão no sigilo absoluto garantido pela navegação submersa.

Contudo, ao operar na superfície, as assinaturas visual, de radar e infravermelho da embarcação aumentam consideravelmente, reduzindo temporariamente a vantagem do ocultamento oceânico. O emprego do A-10 assegura a proteção do submarino exatamente nesse trecho crítico de transição, até que o vetor alcance águas profundas onde a furtividade volta a ser sua principal defesa.

Sigilo operacional e mensagem estratégica no Pacífico

A divulgação oficial omitiu a localização exata das operações no Oceano Pacífico para preservar detalhes operacionais sensíveis, como tempos de resposta, rotas de trânsito e bases aéreas de apoio. Ao divulgar as imagens sem detalhar a geometria da missão, Washington sinalizou a existência dessa capacidade conjunta sem comprometer os dados táticos do emprego operacional.

A demonstração serviu a dois propósitos estratégicos: transmitir garantia operacional aos aliados na região do Indo-Pacífico e emitir um aviso direto a potenciais adversários de que os ativos nucleares norte-americanos continuam sob proteção ativa e integrada, mesmo quando visíveis na superfície.



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