Ministro da Defesa usou a hipótese para cobrar mais previsibilidade orçamentária às Forças Armadas, que recebem cerca de 1% do PIB, patamar considerado baixo em comparação internacional
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta terça-feira (4), durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização do setor marítimo, que o Brasil não teria capacidade militar nem financeira para resistir a uma eventual invasão dos Estados Unidos.
Segundo o ministro, diante desse cenário hipotético, a atitude mais sensata do País seria "abrir o portão", já que faltariam tanto equipamento para enfrentar as forças americanas quanto recursos para reparar os danos decorrentes de um conflito.
A declaração foi usada por Múcio como argumento para defender maior previsibilidade no orçamento destinado às Forças Armadas brasileiras.
Ao discursar na abertura do evento da CNI, José Múcio relatou ter sido questionado sobre qual seria sua reação caso os Estados Unidos decidissem invadir o Brasil.
Me perguntaram se os Estados Unidos quisessem invadir o Brasil, o que é que eu faria. Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-lo, nem tem dinheiro para consertar o portão, disse o ministro.
A fala, feita em tom de resposta a uma pergunta hipotética, teve como objetivo declarado sustentar a necessidade de o País ampliar e estabilizar os aportes financeiros para a área de Defesa.
Múcio citou que o Brasil destina atualmente cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) às Forças Armadas, percentual que, segundo o ministro, fica abaixo do observado em outros países e compromete a capacidade de planejamento de longo prazo para aquisição de equipamentos e desenvolvimento tecnológico.
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| José Múcio, ministro da Defesa (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil) |
Comparação com plano de saúde
Para ilustrar seu argumento sobre a lógica do investimento em defesa, Múcio recorreu a uma analogia com planos de saúde privados. "Investir em defesa é como um plano de saúde. A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar", declarou.
Segundo o ministro, essa lógica deveria orientar o planejamento orçamentário das Forças Armadas: o investimento não visaria preparar o Brasil para um conflito armado, mas garantir capacidade de dissuasão e sustentar o desenvolvimento tecnológico do setor de defesa nacional.
Contexto do evento
A declaração ocorreu durante evento da CNI voltado à discussão sobre descarbonização do setor marítimo, tema distinto da pauta de defesa, mas que reuniu autoridades do governo federal em Brasília.
Não há, até o momento, informações adicionais sobre qual seria o desdobramento prático da fala do ministro em termos de propostas orçamentárias específicas para 2027, nem manifestações posteriores do Ministério da Defesa detalhando a declaração.


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