Tecnologia em fase de produção utiliza feixe de energia para perfurar invólucros e incinerar explosivos sem acionar a detonação convencional.
As forças militares da Rússia demonstraram recentemente um novo sistema a laser portátil integrado ao veículo terrestre não tripulado Courier-2 (Kurier-2), projetado para a eliminação segura de minas e dispositivos explosivos.
Apresentado durante testes no programa de televisão "Military Acceptance", do canal russo Zvezda, o equipamento neutraliza as ameaças ao perfurar os invólucros e incinerar a carga explosiva internamente, evitando assim a detonação.
A tecnologia visa aumentar a segurança das equipes de engenharia ao lidar com artefatos equipados com sensores de aproximação, permitindo a atuação a distâncias maiores.
Sistema portátil e alcance operacional
A versão portátil do sistema possui uma potência de 1 kilowatt e é alimentada por uma fonte de energia transportada em uma mochila pelo próprio operador.
O equipamento funciona de forma silenciosa e permite engajar alvos a distâncias que variam entre 50 e 100 metros, conforme explicou um representante da fábrica responsável pelo projeto, identificado pelo indicativo de chamada "Lis". Esse distanciamento é estratégico contra minas que possuem detectores de vibração ou de campo magnético, que poderiam ser acionadas pela simples presença humana.
Durante as demonstrações, o laser portátil foi testado tanto em modo manual quanto fixado em um tripé. A estabilização do feixe em um único ponto por cerca de um a dois segundos mostrou-se a abordagem mais eficaz para inflamar o invólucro plástico de uma mina antipessoal, fazendo com que o material explosivo queimasse em vez de detonar.
Representantes envolvidos nos testes confirmaram que os sistemas exibidos já são modelos prontos, que entraram na linha de produção, e não apenas protótipos experimentais.
Integração com o complexo robótico Courier-2
O mesmo princípio de funcionamento foi aplicado em uma versão de maior capacidade instalada no Courier-2, um complexo robótico terrestre sobre esteiras. A instalação fixa no veículo possui aproximadamente o dobro da potência do sistema portátil e estrutura mais robusta.
Nos testes em campo, o robô calibrou o feixe em um obstáculo natural e, em seguida, o direcionou para o elemento de espoleta de uma mina antitanque exposta, registrando temperaturas em torno de 1.000 graus Celsius em leituras de imagem térmica.
Após desativar a espoleta, o laser foi focado no invólucro do artefato (um modelo impresso em 3D para o exercício). A combustão do material explosivo simulado teve início após cerca de quatro segundos de exposição contínua.
Uma vez iniciada a queima, o feixe não precisou mais ser mantido sobre o alvo, e a mina queimou completamente em um período de dois a quatro minutos. O Courier-2 é uma plataforma versátil que já passou por testes militares anteriores, sendo capaz de executar outras tarefas operacionais, como entrega de munição, evacuação de feridos e apoio de fogo.
Engajamento em linha reta e superação de obstáculos
Diferente de projéteis convencionais, o feixe de laser atinge o ponto selecionado em linha reta, eliminando a necessidade de um computador balístico para calcular a trajetória de engajamento. O raio opera fora do espectro visível, embora seu caminho possa se tornar aparente ao cruzar poeira ou fumaça.
Para ampliar as capacidades de engajamento, o Courier-2 é equipado com um mecanismo de elevação que ergue o emissor a 1,5 metro de altura. Esse recurso permitiu, durante a demonstração, neutralizar um alvo a 60 metros de distância posicionado intencionalmente atrás de um automóvel.
Segundo os desenvolvedores, a partir dessa posição elevada, o sistema montado no veículo pode engajar ameaças a até 500 metros.
Os testes indicaram ainda que o comprimento de onda utilizado não é significativamente afetado por cortinas de fumaça comuns. Contudo, os engenheiros pontuaram que sistemas de aerossol mais densos, como o sistema de proteção Tucha empregado em blindados russos, podem bloquear a radiação do laser de forma mais efetiva.
O emprego dessas tecnologias conjuntas oferece às unidades de desminagem uma flexibilidade operacional significativa, especialmente em áreas povoadas onde detonações convencionais poderiam comprometer infraestruturas adjacentes.

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