Gargalos produtivos em Airbus e Boeing abrem espaço para que a fabricante brasileira acelere entregas e expanda sua atuação global nos mercados comercial, executivo e de defesa.
A Embraer vive uma das fases mais prósperas de sua história recente e pode estar diante da maior oportunidade em décadas para consolidar e ampliar sua fatia no mercado aeroespacial global.
Em análise publicada sob o título "Esqueça a Airbus e a Boeing. A Embraer está decolando", a revista britânica The Economist projetou um crescimento substancial para a empresa com sede em São José dos Campos (SP), fundamentado no avanço contínuo de suas operações comerciais, executivas e militares.
A publicação destaca o salto operacional da companhia nos últimos anos. Enquanto em 2021 a fabricante entregou 141 aeronaves, a estimativa para o acumulado de 2026 é atingir a marca de 255 unidades entregues.
O otimismo do mercado financeiro e dos operadores é sustentado por um dado histórico: a carteira de pedidos firmes a entregar (backlog) alcançou o patamar recorde de US$ 34,5 bilhões.
O desempenho reflete a forte demanda global e se traduz na valorização das ações da Embraer, que acumulam alta de cerca de dez vezes desde o início de 2021, superando os índices apresentados por suas principais concorrentes internacionais.
O momento favorável da Embraer coincide com um período de severos gargalos nas cadeias globais de suprimento que afetam diretamente as duas maiores fabricantes do setor.
Juntas, Airbus e Boeing acumulam uma fila de espera estimada em 16 mil aeronaves, resultando em prazos de entrega que chegam a se estender por até uma década para determinados modelos de corredor único (narrowbody).
Diante do represamento de frota das gigantes, companhias aéreas e operadores em todo o mundo têm voltado a atenção para a eficiência da fabricante brasileira.
A consolidação da Embraer como a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo apoia-se em sua posição de liderança no segmento de até 150 assentos, com a família de jatos E-Jets e E2. A análise aponta que o crescimento global por conexões diretas entre aeroportos regionais favorece o portfólio da empresa.
Paralelamente, a divisão de aviação executiva mantém ritmo aquecido com as linhas Phenom e Praetor, enquanto o setor de defesa ganha tração com a expansão internacional do cargueiro tático C-390 Millennium.
Apesar da pressão logística sobre a entrega de componentes que afeta toda a indústria de aviação civil, o apetite do mercado e a flexibilidade operacional posicionam a Embraer em um novo patamar de competitividade global.


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