Marco histórico foi alcançado em 18 de agosto, no Oceano Índico, com pouso de F-35C Lightning II durante operações da 7ª Frota dos EUA
O porta-aviões nuclear USS George Washington (CVN-73), da Marinha dos Estados Unidos, completou nesta semana seu 200.000º pouso de aeronave de asa fixa desde sua entrada em serviço, em 1992.
O marco foi registrado no dia 18 de agosto, enquanto o navio navegava pelo Oceano Índico durante operações de rotina na área de responsabilidade da 7ª Frota americana.
A aeronave que selou a marca histórica foi um caça F-35C Lightning II, pilotado pelo Tenente Steven Frazier, do Esquadrão de Caça e Ataque 147 (VFA-147), que executava missões operacionais na região antes do pouso.
Trap: a manobra que define a aviação naval
Cada pouso de aeronave em um porta-aviões — chamado de "trap" no jargão da aviação naval — consiste na captura do gancho de cauda da aeronave por um cabo de aço de retenção instalado no convés de voo, responsável por desacelerar a aeronave em poucos segundos.
Segundo o comunicado da Marinha americana, o USS George Washington é capaz de recuperar uma aeronave por minuto e costuma realizar cerca de 70 pousos por dia, distribuídos em diversos ciclos de operações de voo.
Frazier destacou que o feito é resultado de um esforço coletivo. "Para o George Washington, mais do que tudo, isso mostra consistência ao longo dos últimos 34 anos para conseguir cumprir qualquer missão que o país exija dele", afirmou o piloto. "Para mim, pessoalmente, mostra que, se este porta-aviões me lançar do convés, serei capaz de voltar e pousar nele."
Reconhecimento da cadeia de comando
O Contra-Almirante Jeffrey L. Heames, comandante do Grupo de Ataque de Porta-Aviões 5 (Carrier Strike Group 5), classificou o marco como um símbolo da capacidade operacional da aviação naval americana.
Segundo ele, o número de 200 mil pousos "não é apenas um número", mas um testemunho da força duradoura da aviação naval dos Estados Unidos e do profissionalismo dos marinheiros responsáveis por essas operações.
Já o comandante do navio, Capitão Nicholas DeLeo, atribuiu o feito a todas as gerações de tripulantes que passaram pelo George Washington nas últimas três décadas e meia. "O 200 mil trap pertence às equipes de cabo de retenção, aos 'yellow shirts', aos mantenedores e a cada vigia que garante que este aeródromo flutuante permaneça com capacidade operacional plena", disse DeLeo.
O termo "yellow shirts" se refere aos marinheiros responsáveis pela sinalização e controle do tráfego de aeronaves no convés de voo, identificados pela cor de seus coletes.
O Capitão Brian Kesselring, comandante da Ala Aérea Embarcada 5 (Carrier Air Wing 5), reforçou o caráter coletivo da conquista, descrevendo cada pouso como "um balé de alto risco de habilidade, confiança e precisão" e classificando o marco como uma conquista compartilhada entre a ala aérea e a tripulação do navio.
Três décadas de operações no Pacífico e além
Comissionado em 4 de julho de 1992, o USS George Washington é o sexto porta-aviões da classe Nimitz e atualmente opera como parte da Força Naval Avançada dos EUA no Japão, com base em Yokosuka, integrando o Grupo de Ataque de Porta-Aviões 5 no âmbito da 7ª Frota.
Ao longo de sua carreira operacional, o navio já recebeu em seu convés uma ampla variedade de aeronaves, incluindo os extintos F-14 Tomcat, além de F/A-18 Hornet e Super Hornet, EA-18G Growler, E-2 Hawkeye e, mais recentemente, o F-35C Lightning II.
O marco de 200 mil pousos ocorre pouco mais de quatro anos depois de o navio celebrar seus 30 anos de serviço, em julho de 2022, e catorze anos após atingir a marca de 150 mil pousos seguros, em junho de 2012 — um intervalo que evidencia o ritmo intenso de operações mantido pela embarcação como porta-aviões avançado permanentemente destacado no teatro do Indo-Pacífico.
Segundo a Marinha dos Estados Unidos, o feito reforça a mensagem de prontidão contínua da força-tarefa naval americana na região e marca, segundo os próprios comandantes citados no comunicado oficial, não o fim de um ciclo, mas a base para as dezenas de milhares de pousos ainda por vir ao longo da vida operacional do navio.






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