O programa readéqua o desdobramento territorial, atualiza a doutrina operacional e incorpora tecnologia de última geração para responder aos desafios da defesa e do controle do mar.
A Armada Argentina anunciou o início do Plan Dédalo, um programa de reestruturação integral da Aviação Naval projetado para um horizonte de cinco anos.
O anúncio ocorreu nesta quarta-feira, 20 de agosto, durante uma cerimônia presidida pelo Comandante de Adestramento e Alistamento da Armada, Contra-Almirante José Alberto Martí Garro, na Base Aeronaval Punta Indio, acompanhado pela leitura simultânea do pronunciamento do Comandante da Aviação Naval (COAN), Contra-Almirante Román Enrique Olivero, no Arsenal Naval Comandante Espora e nas Forças Aeronavais Nº 2 e Nº 3.
A iniciativa visa responder às exigências de controle marítimo e defesa territorial por meio da reorganização de estruturas, atualização doutrinária e renovação do parque de aeronaves.
O programa resulta de um estudo iniciado no começo de 2025, debatido e aprovado no Conselho Aeronaval e ratificado pelo Chefe do Estado-Maior General da Armada, Almirante Juan Carlos Romay.
Segundo o Contra-Almirante Olivero, o Plan Dédalo encerra um ciclo
operacional marcado pelo esgotamento do modelo anterior e inicia uma fase
adaptada aos avanços tecnológicos, otimização de recursos humanos e materiais e
atualização da doutrina de emprego das forças.
Desdobramento territorial e estrutura de comando
A reorganização operacional prevê mudanças na localização de unidades e na cadeia de comando a partir de janeiro do próximo ano. A Esquadrilha Aeronaval de Vigilância Marítima (EA2V) transferirá suas operações para o Hangar 4 da Base Aeronaval Comandante Espora (BACE), sob a subordinação da Esquadra Aeronaval Nº 2.
Na mesma data, a Escola
de Aviação Naval será transferida para o Hangar 6 da BACE, passando a atuar
como um comando de Segunda Classe dependente da Força Aeronaval Nº 2, enquanto
a Esquadra Aeronaval Nº 1 será colocada em reserva.
Com as mudanças, a Base Aeronaval
Punta Indio, passará a ser denominada Estação Aeronaval Punta Indio, readequando
seus serviços e infraestrutura. Por sua vez, o Arsenal Aeronaval Comandante
Espora será constituído como a oficina orgânica da Força Aeronaval Nº 2, sob a
designação de Taller Aeronaval Comandante Espora (TVCE).
Evolução dos meios aéreos, tecnologia e apoio
O plano contempla a modernização
da frota aeronaval por meio da incorporação de novos vetores, desativação de
sistemas antigos e obras de infraestrutura nas bases Comandante Espora e
Almirante Zar através do Plano de Manutenção de Infraestrutura da Armada
(PMIA).
No campo da vigilância e patrulha marítima, o COAN confirmou a chegada, em outubro e junho de 2027, das duas últimas unidades P-3C Orion de um total de quatro adquiridas para recompor a capacidade de exploração aeromarítima de longo alcance.
Além disso, as
aeronaves B-200 serão substituídas progressivamente pelo modelo B-360, de maior
alcance e capacidade; duas unidades na versão de patrulha marítima chegarão ao
país em 2027, enquanto outras duas em configuração de apoio logístico estão em
fase de avaliação.
A frota de helicópteros passará
por renovação com a retirada do serviço dos helicópteros leves AS-555 Fennec em
2027, sendo substituídos por quatro unidades do Leonardo AW-109 recentemente
adquiridas. As duas primeiras aeronaves AW-109 chegarão em outubro de 2027, e
as duas restantes no início de 2029. Em relação aos helicópteros Sea King SH-3,
a desativação progressiva está programada a partir de 2031.
Para a expansão das capacidades
de exploração a partir de navios de superfície, o plano estabelece a
incorporação de quatro veículos aéreos não tripulados (UAV) Shield V-BAT no
biênio 2028-2029.
No âmbito de modernizações de
sistemas existentes, seis aeronaves de instrução Mentor T-34 receberão
melhorias nos sistemas de navegação e comunicações. Paralelamente, uma aeronave
B-200M teve concluída a instalação de um sensor óptico multiespectral e de um
novo sistema de comando e controle.
O plano confirma também o retiro
definitivo do serviço ativo dos caças Super Étendard durante o corrente ano,
encerrando mais de quatro décadas de uso pela aviação naval argentina, com
destaque para a atuação no conflito das Malvinas.
A atualização dos meios exigirá a
revisão das normas de adestramento e manuais operacionais, incluindo o
Regulamento de Operações de Voo e os procedimentos de exploração, além da
elaboração das primeiras publicações regulatórias para a administração e operação
de sistemas aéreos não tripulados. Os antigos sistemas de apoio serão
consolidados em um Documento Descritivo de Projeto com execução prevista entre
2028 e 2029.
Etapas históricas da Aviação Naval Argentina
Criada em 11 de fevereiro de 1916
pelo Decreto 39/16 no Forte Barragán, a Aviação Naval da Armada Argentina
completou 110 anos, período dividido em três grandes fases históricas que
fundamentam o atual redesenho doutrinário:
- Das origens ao porta-aviões (1916-1959):
Fase de transição de um serviço auxiliar para um componente orgânico do
Poder Naval, com o estabelecimento de esquadrilhas, bases continentais,
oficinas e o desenvolvimento da exploração antisuperfície e suporte
logístico.
- A era dos porta-aviões (1959-1988): Período
marcado pela operação dos porta-aviões ARA Independencia (1958) e
ARA 25 de Mayo (1969), integração de alas aéreas embarcadas com
caças A-4Q Skyhawk e helicópteros Sea King, além de atuação destacada no
conflito das Malvinas e na crise do Canal Beagle. A etapa encerrou-se com
a última navegação operacional do ARA 25 de Mayo em março de 1988.
- A era pós-porta-aviões (1988-2026): Etapa
caracterizada pela manutenção da estrutura herdada sem aviação de asa fixa
embarcada, resultando no desgaste paulatino dos meios operacionais e na
necessidade de reestruturação formal consumada pelo Plan Dédalo.




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