Movimentação de blindados da 92ª Divisão do Artesh reforça fronteira sudoeste iraniana, próxima ao Iraque, ao Kuwait e ao Estreito de Ormuz
O Exército regular do Irã (Artesh) deslocou, no último sabado (1º), três veículos blindado de batalha T-72 rumo a Abadan, no sudoeste do país, próximo às fronteiras com Iraque e Kuwait. Os veículos pertencem à 92ª Divisão Blindada, unidade baseada em Khuzestan e responsável pela defesa da região sudoeste iraniana.
A movimentação ocorre em meio a relatos, ainda não confirmados oficialmente, de planos de contingência dos Estados Unidos para uma possível operação terrestre limitada em território iraniano.
Os blindados, identificados como T-72M ou T-72M1, foram registrados sobre transportadores de equipamento pesado percorrendo a Rota 39, na rodovia que liga Ahvaz a Abadan.
Fontes locais na região confirmaram o deslocamento, e imagens que circularam em canais de mensagens mostram os veículos transportados e não em deslocamento autônomo, o que reduz o desgaste de motores, transmissões e esteiras durante o trajeto.
Um comboio de apenas três blindados não representa, por si só, o volume de força necessário para uma ofensiva de grande escala através da fronteira. A avaliação predominante entre analistas é de que a movimentação está mais associada a reforço defensivo, dispersão de equipamento ou reposicionamento para fora de guarnições consideradas vulneráveis a ataques aéreos.
Uma região de valor estratégico
A 92ª Divisão Blindada, responde por um dos setores mais sensíveis da defesa territorial iraniana. Khuzestan concentra campos de petróleo, refinarias, oleodutos e instalações portuárias, além de rotas que conectam o interior do Irã ao Golfo Pérsico.
Abadan, especificamente, fica próxima à fronteira com o Iraque, ao curso d'água Shatt al-Arab e às vias marítimas que dão acesso ao Kuwait — área que também guarda relevância histórica, já que foi um dos principais objetivos das forças iraquianas durante a Guerra Irã-Iraque, ao lado de Khorramshahr e Ahvaz.
A movimentação foi registrada após uma nova rodada de ataques dos Estados Unidos em Khuzestan, em um momento no qual Washington suspendeu uma campanha aérea mais ampla para abrir espaço a possíveis conversas diplomáticas. Teerã, no entanto, nega estar em negociações diretas com os americanos e afirma manter suas forças em estado de alerta.
A espinha dorsal blindada do Irã
A família T-72, constitui a base mais padronizada do parque blindado iraniano. Segundo o Military Balance 2025, do International Institute for Strategic Studies (IISS), o Irã dispõe de pelo menos 1.513 tanques de batalha principais, dos quais 480 são T-72S — número que engloba equipamento operado tanto pelo Artesh quanto pelas Forças Terrestres do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
O próprio instituto ressalva que a disponibilidade técnica real de parte desse inventário é incerta, o que impede tratar o total listado como equivalente ao número de veículos efetivamente prontos para combate.
A frota iraniana de T-72 foi constituída em etapas distintas. Durante a Guerra Irã-Iraque, Teerã teria recebido cerca de duas dezenas de unidades vindas da Líbia. Após 1989, o país fechou acordo com a União Soviética para produção licenciada de 550 tanques T-72S, programa interrompido pelo colapso soviético, do qual menos de 350 unidades teriam sido efetivamente montadas.
Posteriormente, o Irã adquiriu 104 T-72M1 de fabricação polonesa e mais 37 vindos da Belarus. Não há divulgação oficial separada sobre o número exato de T-72M e T-72M1 ainda em operação.
Tradução e Adaptação: DefesaTvNews

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