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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Relatório do Congresso dos EUA aponta falhas na modernização do bombardeiro B-52

Relatório do órgão fiscalizador do Congresso americano identifica que dez das 13 modernizações do bombardeiro enfrentam desafios de custo, cronograma ou desempenho, com destaque para a troca de motores

O Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do Congresso dos Estados Unidos, divulgou na ultima sexta-feira (31), um relatório apontando que a Força Aérea americana (USAF) precisa aprimorar seus principais esforços de modernização e sustentação da frota de bombardeiros B-52 Stratofortress. 

Segundo o documento, identificado como GAO-26-109272, 10 das 13 iniciativas de modernização da aeronave enfrentam desafios de custo, cronograma ou desempenho, com o programa mais caro entre elas — a substituição dos motores atuais — apresentando os riscos mais significativos. 

O relatório foi elaborado a partir de uma provisão incluída em relatório do Senado que solicitou ao GAO a avaliação do processo de modernização do B-52.

O ponto central: motores novos antes dos testes de voo

O B-52 entrou em serviço em 1955 e a Força Aérea espera manter a aeronave operacional até 2050. Para viabilizar essa meta, o serviço projeta investir cerca de US$ 21 bilhões em modernização, incluindo novos motores, radar e sistemas de comunicação. 

O maior e mais caro desses esforços é o Commercial Engine Replacement Program (CERP), voltado à substituição dos motores TF33 atuais, que se tornam cada vez mais difíceis de sustentar à medida que envelhecem.

De acordo com o GAO, a Força Aérea planeja iniciar a produção dessa atualização — a mais cara entre as 13 modernizações — antes de concluir testes de voo considerados críticos. Ao adotar essa estratégia, o serviço aumenta o risco de que o sistema não funcione conforme previsto. 

Os testes de voo de desenvolvimento não devem começar antes do início do ano fiscal de 2029, quatro anos depois do inicialmente projetado, e a capacidade operacional inicial não é esperada antes de 2033, cinco anos atrás do cronograma original.

Custos em alta e decisão consciente de assumir riscos

Os custos do programa de motores subiram mais de 38% desde 2018, segundo o GAO. Caso o programa tivesse estabelecido um marco formal de custo e cronograma, a variação poderia ter configurado uma violação do tipo Nunn-McCurdy — mecanismo que obriga notificação ao Congresso em casos de estouro orçamentário relevante em programas de aquisição de defesa. 

Isso não ocorreu, no entanto, porque a declaração do Marco B do processo de desenvolvimento foi adiada em 32 meses, o que impediu a fixação formal desse parâmetro de referência.

O órgão fiscalizador informou ainda que a Força Aérea iniciou um estudo de viabilidade econômica do programa, mas que, até março de 2026, o levantamento não havia sido concluído. Esse estudo tem como objetivo avaliar alternativas e confirmar as estimativas de custo antes do início efetivo do desenvolvimento. 

Segundo o GAO, autoridades da Força Aérea reconhecem os riscos de conduzir testes e desenvolvimento de forma concorrente, mas optaram por assumir esse risco em vez de atrasar ainda mais o programa.

Impacto na manutenção e na prontidão operacional

O relatório alerta que o plano atual de manutenção, que leva os B-52 a um depósito de reparo a cada quatro anos, não contempla possíveis atrasos decorrentes do CERP. "A manutenção do B-52 já enfrenta dificuldades para encontrar peças suficientes para os motores atuais", aponta o documento, segundo trecho citado pela imprensa especializada americana. 

Sem um planejamento para a possibilidade de atrasos nos motores decorrentes do CERP, a Força Aérea corre o risco de ficar atrás no cronograma de manutenção planejado do B-52, o que pode impactar a prontidão operacional.

Atrasos adicionais no cronograma do programa de motores poderiam deixar a Força Aérea "incapaz de sustentar de forma eficaz os motores atuais do B-52", o que resultaria em número insuficiente de aeronaves disponíveis para atender às exigências operacionais, segundo as conclusões do órgão. 

O GAO também apontou que a Força Aérea não utiliza de forma consistente ferramentas de engenharia digital capazes de fornecer dados em tempo real sobre o desempenho geral do programa para apoiar decisões — o que pode fazer com que o serviço perca oportunidades de ganho de eficiência e de prevenção de futuros problemas de sustentação e suporte logístico.

Recomendações e posição da Força Aérea

O GAO formulou seis recomendações à Força Aérea para aprimorar o planejamento e a gestão do programa de modernização do B-52, incluindo o adiamento do início da produção do CERP até que o gabinete responsável pelo programa conclua a análise dos riscos associados, além da atualização dos planos de sustentação da frota. 

Embora o serviço esteja expandindo a capacidade dos depósitos de manutenção, ele ainda não planejou cenários de atraso do CERP além de 2031, o que compromete a coordenação cuidadosa entre manutenção regular e os diversos esforços de modernização em curso para uma frota de bombardeiros considerada de alta demanda operacional.

O relatório é a versão pública de um documento sensível emitido em julho de 2026; o Departamento de Defesa classificou como sensíveis algumas informações sobre cronograma e taxas de disponibilidade operacional, que foram omitidas desta versão divulgada ao público.

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