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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

França avança em negociação bilionária com à Índia para venda de 114 caças Rafale

Oferta da Dassault Aviation prevê fabricação de 94 das 114 aeronaves em solo indiano, com participação de Safran, Thales e MBDA, em negócio avaliado em cerca de US$ 39 bilhões

A França, apresentou nesta quinta-feira (6) ao governo Indiano, uma proposta técnica e comercial detalhada, para o fornecimento de 114 caças multifunção Rafale, em um dos maiores programas de aquisição de aeronaves de combate já conduzidos pela Força Aérea Indiana (IAF). 

O documento foi entregue à Ala de Aquisições do Ministério da Defesa Indiano e a própria IAF, depois que Nova Délhi enviou à França uma Letter of Request (LoR) em maio deste ano. 

A negociação, conduzida no formato governo a governo (G2G), está avaliada em cerca de US$ 39 bilhões, e agora entra em fase de avaliação por parte das autoridades de defesa indianas antes de avançar para tratativas comerciais e técnicas formais.

Produção majoritária em solo indiano

Um dos pontos centrais da proposta francesa é o volume de fabricação local. Segundo fontes ligadas à área de defesa, 94 das 114 aeronaves seriam produzidas na Índia por meio de parceria com um parceiro industrial nacional, enquanto as demais chegariam já prontas para voar. 

O programa de produção envolveria a Dassault Aviation, e seus principais parceiros industriais, entre eles a Safran, responsável pelos motores, a Thales, encarregada da aviônica e dos sistemas eletrônicos, e a MBDA, fabricante dos sistemas de mísseis embarcados.

Ênfase na manufatura indígena e integração de armamentos nacionais

A proposta reforça o compromisso com a ampliação da base industrial aeroespacial indiana. Autoridades do país estão analisando com atenção as cláusulas relacionadas à integração de armamentos indígenas, como variantes do míssil ar-ar Astra, além do nível de conteúdo nacional e dos compromissos de manufatura local previstos no acordo. 

Levantamentos anteriores sobre o programa indicam que a França vinha se mostrando cautelosa quanto à cessão integral do acesso à arquitetura de software das aeronaves, ponto que, segundo apurações da imprensa especializada, chegou a figurar entre os principais entraves das negociações em fases anteriores do processo.

Caso confirmado, o programa deve gerar oportunidades de negócio estimadas na casa de U$S 1 Bilhão para empresas indianas, incluindo a Tata Advanced Systems, a Larsen & Toubro e outros fornecedores do setor de defesa do país.

Resposta ao déficit de esquadrões da Força Aérea Indiana

A aquisição busca amenizar a queda no número de esquadrões de caça operados pela IAF. A força aérea vem retirando de operação aeronaves mais antigas, entre elas variantes de origem russa da família MiG, ao mesmo tempo em que a incorporação de programas nacionais como o LCA Mark 1A e o LCA Mark 2 enfrenta atrasos.

Atualmente, a IAF opera cerca de 32 esquadrões de caça, número inferior à necessidade estimada de cerca de 40 esquadrões para um cenário operacional de dois fronts simultâneos. De acordo com a proposta apresentada, as aeronaves do novo lote devem começar a entrar em serviço a partir de 2029-2030 — prazo que ainda depende da conclusão das tratativas comerciais e técnicas.

Rafale segue como pilar da frota de combate indiana

O Rafale foi selecionado pelo Ministério da Defesa da Índia em 2012, após uma concorrência internacional, e deve permanecer como um dos principais componentes da frota de combate da IAF nos próximos anos. 

O Conselho de Aquisição de Defesa (DAC) aprovou a proposta de compra das 114 aeronaves cerca de cinco meses atrás. A aquisição integra um esforço mais amplo do Ministério da Defesa para fortalecer a força aérea, decorrente de um estudo de capacidades conduzido sob o secretário de Defesa Rajesh Kumar Singh, que assumiu o cargo em 2024.

Frota indiana de Rafale pode ultrapassar 200 unidades

A Índia, já possui pedidos firmados para 62 aeronaves Rafale, sendo 36 destinadas à Força Aérea e 26 a Marinha. Caso a compra adicional de 114 unidades seja confirmada, a frota total de Rafale do país chegaria a 176 aeronaves.

A Marinha Indiana também já demonstrou interesse em adquirir mais 31 unidades do Rafale Marine para operações marítimas. Se essa demanda for aprovada no futuro, o inventário total de Rafale do país pode superar 200 aeronaves — um dos maiores contingentes da aeronave fora da própria França.

Primeira linha de produção do Rafale fora do território francês

O programa em negociação marcaria a primeira vez que caças Rafale seriam fabricados fora da França. Os contratos anteriores firmados pela Índia, tanto para as 36 unidades destinadas à Força Aérea quanto para as 26 unidades Rafale Marine da Marinha, envolveram aeronaves completamente construídas e entregues em território francês.

Com a proposta detalhada já submetida pelo lado francês, o processo agora avança para negociações comerciais e técnicas formais, à medida que a Índia conclui sua avaliação da oferta. Se aprovado, o programa combinaria uma das maiores aquisições de caças da história recente do país com a expansão da base industrial de defesa, envolvendo companhias francesas e indianas.

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