Almirante Brad Cooper anuncia conclusão de operação militar conduzida por mergulhadores da Marinha, SEALs e forças aéreas dos EUA; bloqueio contra o Irã continua em vigor
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou, na última quinta-feira (28), que forças americanas concluíram a limpeza de minas navais iranianas nas rotas de navegação internacionalmente reconhecidas do Estreito de Hormuz.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, afirmou que o chamado Traffic Separation Scheme — o corredor marítimo usado por embarcações comerciais para atravessar o estreito — está livre de minas colocadas meses atrás pelo Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) do Irã.
Segundo Cooper, a operação foi conduzida ao longo de vários meses por mergulhadores da Marinha, SEALs e aeronaves do Exército, da Marinha, da Força Aérea e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA.
"Hoje, as rotas de navegação internacional estão abertas e o momentum está crescendo", disse Cooper no comunicado, classificando o feito como um "marco importante" na crise que opõe Washington e Teerã há seis meses.
O anúncio chega um dia depois de o presidente Donald Trump afirmar, em sua rede social, que havia sido informado de que a Marinha dos EUA havia concluído a remoção das minas — declaração que agora recebe confirmação operacional formal por parte do CENTCOM.
De acordo com o almirante, as condições da operação foram descritas como desafiadoras e perigosas, mas concluídas com sucesso pelas forças envolvidas.
Quase 1.500 navios comerciais assistidos
Cooper afirmou que as forças dos EUA prestaram proteção coordenada a quase 1.500 navios comerciais em trânsito pelo estreito nos últimos meses, embarcações que transportaram cerca de 750 milhões de barris de petróleo bruto para os mercados globais.
Paralelamente, cerca de 50 mil militares americanos seguem posicionados na região, mantendo o bloqueio naval contra o Irã enquanto dão suporte à passagem de navios comerciais pela via marítima.
Segundo o comandante, nenhum barril de petróleo foi exportado a partir de portos iranianos desde a retomada do bloqueio, em meados de julho, e nenhuma embarcação entrou ou saiu de portos do Irã sem autorização das forças americanas — com exceção de casos humanitários.
O CENTCOM informou ainda que cerca de 75 embarcações que tentaram violar o bloqueio foram interceptadas e obrigadas a retornar, enquanto três navios que desobedeceram ordens diretas foram desativados pelas forças americanas.
Tráfego comercial ainda abaixo dos níveis pré-guerra
Apesar do anúncio, o volume de tráfego comercial pelo Estreito de Hormuz permanece bem abaixo dos patamares registrados antes do início do conflito, em 28 de fevereiro. Antes da guerra, mais de 20 milhões de barris de petróleo por dia passavam pela via marítima, com uma média diária de 100 a 130 embarcações cruzando o estreito.
Dados recentes de rastreamento de navios mostram que o tráfego de navios de carga segue em patamares de um dígito a pouco mais de dez embarcações em determinados dias.
Preocupações de segurança ainda persistem
Apesar da confirmação do CENTCOM, aliados dos Estados Unidos avaliam, em caráter reservado, que nem todas as minas podem ter sido efetivamente neutralizadas.
Estimativas anteriores da Organização Marítima Internacional (IMO) e de entidades do setor apontavam a existência de cerca de 80 minas nas rotas históricas de navegação, com algumas avaliações indicando números ainda maiores.
Autoridades aliadas alertam que correntes marítimas podem deslocar minas remanescentes para fora das rotas monitoradas, mantendo riscos residuais.
A IMO e centros de informação marítima continuam recomendando que embarcações mantenham cautela máxima ao navegar pela região, enquanto companhias de navegação e seguradoras conduzem suas próprias avaliações de risco antes de autorizar rotas pelo estreito.
O CENTCOM afirmou que manterá suas duas missões centrais na região: a manutenção do bloqueio contra o Irã e o apoio ao trânsito comercial internacional legal pelo Estreito de Hormuz. Não há, até o momento, confirmação independente de que a totalidade das minas tenha sido removida das águas do estreito.


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