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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Proteção Balística: Instituto Militar de Engenharia desenvolve novos materiais de defesa para o Brasil

Pesquisas com materiais cerâmicos, metálicos e poliméricos buscam produzir blindagens mais leves e resistentes, fortalecendo a Base Industrial de Defesa brasileira.


O Instituto Militar de Engenharia (IME) está ampliando suas pesquisas no desenvolvimento de soluções nacionais para proteção balística, área classificada como tecnologia crítica para a Defesa Nacional pela Portaria GM-MD nº 840, de 14 de fevereiro de 2025. 

Conduzidos pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais, os estudos envolvem diferentes rotas de processamento de materiais metálicos, cerâmicos, poliméricos e compósitos para produzir blindagens mais eficientes.

Cerâmicas avançadas em testes

Entre os principais destaques do programa estão as pesquisas com cerâmicas avançadas, que incluem o uso de carbeto de silício, alumina e compósitos cerâmicos. Esses materiais se destacam no setor de defesa por combinar baixa densidade, elevada dureza e uma alta capacidade de dissipação de energia cinética.

Ensaios práticos realizados no Centro de Avaliações do Exército demonstraram resultados promissores na aplicação desses componentes em sistemas de blindagem. Durante os testes balísticos, placas de carbeto de silício e compósitos de matriz cerâmica apresentaram bom desempenho. 

A pesquisa também apontou que a alumina reforçada com vidro niobofosfato superou a capacidade de proteção da alumina convencional.

Manufatura aditiva e novos metais 

Na frente de desenvolvimento com materiais metálicos, os pesquisadores do IME mantêm o foco no estudo de aços maraging, produzidos por meio de manufatura aditiva, e ligas de magnésio de alta performance. 

Os dados obtidos indicam potencial para a fabricação de blindagens não apenas mais leves, mas também mais resistentes à penetração.

O uso de arquiteturas multicamadas e reforços cerâmicos atua como um fator fundamental nesse processo de otimização estrutural. Além disso, o emprego da manufatura aditiva permite a criação de geometrias específicas e complexas, o que amplia as possibilidades de aplicação desses materiais em diversos produtos do catálogo de defesa.

Compósitos híbridos e integração da indústria 

O avanço das avaliações se estende aos materiais poliméricos e compósitos híbridos, com foco direto na produção de coletes, capacetes e sistemas de blindagem multicamada. A união de fibras sintéticas de alto desempenho, matrizes poliméricas, reforços naturais e cerâmicas resultou em soluções de projeto com maior capacidade de absorção de impacto aliada à redução do peso final do equipamento.

Para aperfeiçoar o desempenho estrutural desses sistemas antes dos ensaios de campo, a equipe utiliza ferramentas avançadas de modelagem computacional. Ao integrar pesquisa científica, manufatura avançada, testes práticos e a cooperação com instituições de ensino e empresas, o IME atua de forma direta no fortalecimento da Base Industrial de Defesa do país.




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