Agência estatal Fars publica foto do míssil balístico horas depois de Teerã ameaçar romper memorando de entendimento com os Estados Unidos; CENTCOM confirma nova onda de ataques contra alvos iranianos
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| Imagem divulgada pela agência estatal iraniana Fars mostra um míssil balístico Ghadr com a frase 'Fim de jogo EUA' na fuselagem Foto: Reprodução/Fars |
A agência estatal iraniana Fars divulgou, nesta segunda-feira (13), uma imagem de um míssil balístico do modelo Ghadr com a frase "Game Over, USA" ("Fim de jogo, EUA") pintada na fuselagem.
A publicação ocorre em meio à escalada do confronto entre Irã e Estados Unidos, horas depois de Teerã afirmar que deixará de cumprir o memorando de entendimento firmado com Washington caso o governo americano não mantenha o compromisso de atuar pelo fim da guerra entre os dois países.
No mesmo dia, o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM) informou ter realizado uma nova série de ataques contra dezenas de alvos militares iranianos.
O míssil Ghadr, de fabricação iraniana e com alcance estimado em cerca de 1.800 quilômetros, integra o arsenal de mísseis balísticos de médio alcance do país e já foi utilizado em exercícios e demonstrações de força anteriores.
A imagem divulgada pela Fars, agência semioficial ligada ao establishment iraniano, reforça o tom de desafio adotado por Teerã na atual fase do conflito, marcada pela deterioração do acordo negociado em maio.
Memorando sob risco de colapso
O Irã afirmou nesta segunda-feira que deixará de cumprir o memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos, caso Washington não mantenha o compromisso de atuar pelo fim da guerra entre os dois países.
O documento havia sido apresentado como um roteiro para encerrar as hostilidades e abrir caminho para negociações sobre o programa nuclear iraniano, com um processo de 60 dias voltado à reabertura gradual do Estreito de Ormuz e ao levantamento de sanções sobre a venda de petróleo iraniano.
O acordo, no entanto, perdeu força nas últimas semanas. O presidente, Donald Trump, chegou a declarar que o entendimento provisório com o Irã não passava de um "teste" e que o memorando "não significava muita coisa", atribuindo a Teerã o descumprimento dos compromissos assumidos. A avaliação abriu caminho para a retomada dos ataques entre os dois países.
Nova onda de ataques do CENTCOM
Enquanto a imagem do míssil Ghadr circulava, o CENTCOM informou ter conduzido uma nova série de ataques contra dezenas de alvos no Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, radares, equipamentos de mísseis, drones e embarcações vinculadas ao Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC).
A ofensiva americana integra a resposta de Washington à escalada iraniana e ocorre em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
Tensão se espalha pela região
Os confrontos entre Irã e Estados Unidos não ficaram restritos ao território iraniano. Países vizinhos registraram alertas e ações de defesa aérea, com o Bahrein emitindo alertas de segurança e Kuwait e Jordânia realizando interceptações de projéteis em seu espaço aéreo.
O quadro reforça o temor de que o conflito bilateral evolua para um confronto regional mais amplo, envolvendo aliados americanos no Golfo Pérsico.
O tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em cinco semanas, com apenas seis navios cruzando a passagem no último domingo, reflexo direto da instabilidade gerada pela retomada das hostilidades. A via é responsável por escoar parcela significativa da produção mundial de petróleo, e qualquer interrupção prolongada tende a pressionar os preços internacionais de energia.
Fundo nuclear ainda em aberto
O programa nuclear iraniano permanece como um dos principais pontos de atrito nas negociações. Autoridades de Teerã insistem que qualquer discussão sobre o estoque de urânio enriquecido só pode avançar depois que um memorando que ponha fim à guerra for efetivamente selado.
Washington, por sua vez, tem pressionado para que o Irã abra mão de reservas de urânio altamente enriquecido acumuladas ao longo dos últimos anos, tema que segue sem solução definida em meio à retomada dos combates.



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