Sistema não tripulado detectou e geolocalizou radar inimigo a dezenas de quilômetros de distância, transmitindo as coordenadas ao Rafale F4 para simulação de ataque
As empresas, Dassault Aviation e a Harmattan AI (Índia), concluíram com sucesso um teste de voo que foi revelado nesta segunda-feira (13), de demonstração da integração do drone com um pod de guerra eletrônica NAMIB, com um caça Rafale F4.
O teste, realizado na França, comprovou a capacidade de um sistema aéreo não tripulado (UAS) operar em conjunto com o caça em uma missão de combate colaborativo, detectando e geolocalizando emissões eletromagnéticas de sistemas de defesa aérea inimigos.
Durante a demonstração, o drone detectou e geolocalizou com precisão um radar posicionado a dezenas de quilômetros de distância, sem revelar sua própria posição. Em seguida, o sistema não tripulado transmitiu as coordenadas do alvo ao Rafale F4, que utilizou a informação para executar um ataque simulado contra o local do radar.
O teste demonstrou como sistemas não tripulados podem oferecer suporte de guerra eletrônica e de designação de alvos a aeronaves de combate tripuladas durante operações militares.
Flexibilidade para múltiplas plataformas
O NAMIB foi projetado para uso em diferentes plataformas de drones, incluindo quadricópteros táticos leves e aeronaves não tripuladas de asa fixa com maior autonomia de voo. Essa flexibilidade permite que o pod seja empregado em diferentes perfis de missão, conforme as exigências operacionais de cada cenário.
O desenvolvimento do NAMIB começou em janeiro de 2026, no âmbito de uma parceria estratégica entre a Dassault Aviation e a Harmattan AI. A colaboração tem como foco a integração de autonomia avançada e inteligência artificial em futuros sistemas de combate aéreo, além de aprimorar a cooperação entre plataformas tripuladas e não tripuladas.
Declarações dos executivos
Eric Trappier, presidente e CEO da Dassault Aviation, afirmou que a demonstração confirmou as capacidades de combate colaborativo multidomínio do Rafale F4.
Segundo ele, o voo comprova capacidades reais e tangíveis de combate colaborativo em múltiplos domínios operacionais, viabilizadas pela arquitetura do padrão F4, que permite comunicação integrada com uma ampla gama de ativos operacionais, incluindo forças terrestres, possibilitando o aproveitamento efetivo de novas capacidades, como as funções de detecção e geolocalização eletromagnética do NAMIB.
Trappier acrescentou que, a demonstração também evidenciou a contínua adaptação do Rafale às exigências operacionais em transformação, por meio de um conceito de "high-low mix", que combina aeronaves de combate avançadas com sistemas autônomos e de baixo custo.
Já Mouad M'Ghari, co-fundador e CEO da Harmattan AI, destacou que a guerra eletrônica se tornou um fator decisivo para a superioridade operacional.
De acordo com o executivo, o NAMIB demonstra que essas capacidades já podem ser embarcadas em sistemas autônomos leves, operando próximo à ameaça — um resultado que, segundo ele, une décadas de experiência da Dassault Aviation em sistemas de combate aéreo à expertise da Harmattan AI em autonomia e inteligência embarcada, acelerando a integração de tecnologias disruptivas em benefício das forças armadas e lançando as bases para as arquiteturas de combate colaborativo do futuro.
Contexto do programa
O programa NAMIB integra um esforço mais amplo para ampliar a cooperação entre caças tripulados e sistemas autônomos em operações militares futuras. Esses conceitos colaborativos têm como objetivo aprimorar a consciência situacional, as capacidades de guerra eletrônica e a eficiência na designação de alvos, reduzindo simultaneamente o risco para as tripulações.
Fundada em 2024, a Harmattan AI desenvolve sistemas robóticos autônomos de defesa para missões de defesa aérea, inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), ataque, guerra eletrônica e comando e controle. A empresa desenvolve tecnologias voltadas a operações em ambientes contestados e mantém parcerias com países dos Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e África.
A demonstração bem-sucedida marca mais um passo na integração de sistemas não tripulados de guerra eletrônica com aeronaves de combate tripuladas, reforçando o desenvolvimento de capacidades de combate colaborativo para as forças aéreas do futuro.



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