Terceira edição do CCJACE recebeu 435 inscrições e formará comunicadores de todas as regiões do Brasil, alcançando a marca de mais de 170 alunos em três edições
Por Capitão de Corveta (T) Fabricio Costa e Primeiro-Tenente
(RM2-T) Jéferson Cristiano
Rio de Janeiro/RJ
A crescente complexidade das coberturas jornalísticas em situações extremas e a exigência por segurança em áreas sensíveis tornaram o preparo técnico indispensável para os profissionais de imprensa.
Diante dessa necessidade, a Marinha do Brasil (MB), em parceria com
os órgãos de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, como a Polícia
Militar (PMERJ), a Polícia Civil (PCERJ) e o Corpo de Bombeiros (CBMERJ), realizará,
entre os dias 13 e 17 de julho, a III edição do Curso de Cobertura Jornalística
em Áreas de Combate e em Emergências (CCJACE).
Conduzido pelo Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav), o treinamento deste ano reflete a alta demanda pela qualificação e o prestígio da iniciativa. Com um recorde expressivo de 435 inscrições, o curso selecionou 76 participantes, de 25 estados brasileiros mais o Distrito Federal.
A diversidade e a abrangência da turma são pontos de destaque, pois estarão presentes representantes 72 instituições, compostas por 37 veículos de comunicação, 20 universidades, 11 assessorias de órgãos de segurança pública e quatro agências de notícias e mídias especializadas. Ao término desta edição, o CCJACE atingirá a expressiva marca de mais de 170 alunos formados ao longo de três edições.
| Alunos embarcarão nos CLAnf do Corpo de Fuzileiros Navais – Imagem: Marinha do Brasil |
A programação foi minuciosamente desenhada para proporcionar uma imersão total aos alunos. Além das aulas teóricas sobre comunicação na Marinha e conduta em áreas de conflito, os jornalistas enfrentarão oficinas práticas rigorosas, iniciando pelo desafio da Pista de Liderança.
O cronograma inclui progressão tática com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da PMERJ; instruções com o Esquadrão Antibombas da PCERJ; e treinamentos na Cidade do Fogo, do CBMERJ.
A grade
também abrange demonstrações operativas do emprego de cães de faro para
detecção de explosivos, mostruário e uso prático de Equipamentos de Proteção
Individual (EPI) para Defesa Nuclear, Bacteriológica, Química e Radiológica
(NBQR), e um treinamento prático voltado a Operações de Paz e de Garantia da
Lei e da Ordem (GLO).
A imersão nas atividades militares da MB também é um pilar da capacitação. Os participantes embarcarão no Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) “Almirante Saboia” e vivenciarão uma travessia e um embarque anfíbio na Ilha das Flores, em São Gonçalo (RJ), a bordo dos robustos Carros Lagarta Anfíbio (CLAnf) do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Para coroar o encerramento da jornada de treinamentos, o evento contará com uma palestra especial sobre a atuação de correspondente de guerra, ministrada pela renomada jornalista Sônia Bridi.
| Jornalistas farão progressão tática com o BOPE – Imagem: Marinha do Brasil |
Para o repórter aéreo da TV Globo, Genilson Araújo, que participou da edição anterior, o treinamento é um diferencial até mesmo para os veteranos da profissão.
“O curso traz uma vivência muito próxima da realidade sobre como se comportam as Forças empenhadas na ajuda humanitária e ensina a fazer a cobertura dentro de um ambiente seguro em áreas de conflito. Eu já tenho muita experiência, sou formado há mais de 35 anos, mas fiz o treinamento pelo interesse em me aperfeiçoar. O aprendizado constante é fundamental para nós, jornalistas”, afirmou.
Já para a repórter do Jornal da Record,
Ingrid Griebel, também formada no II CCJACE, esse é um curso indispensável para
todo jornalista que vai trabalhar na área. “Foi uma experiência enriquecedora
do ponto de vista profissional e pessoal. Saí mais capacitada para lidar com os
desafios das grandes coberturas”, enfatizou.
A jornalista Carolina França, do Grupo Rede Amazônica e aluna da segunda edição, ressaltou o impacto da capacitação em sua rotina profissional. “Participar do curso ampliou significativamente minha visão sobre as Forças Armadas.
Quando falamos da Amazônia, eu já conhecia a realidade da região, mas vivenciar de perto essa estrutura, ouvir relatos sobre os desafios logísticos e acompanhar o trabalho humanitário desenvolvido me fez compreender a dimensão e a complexidade de atuar e viver na Amazônia.
Além disso, as experiências práticas em campo me proporcionaram mais preparo técnico e segurança para lidar com situações que já enfrentei na cobertura jornalística, mas para as quais, até então, eu não tinha o conhecimento necessário para agir da forma mais adequada”, relatou.
| Serão realizados diversos treinamentos na Cidade do Fogo do CBMERJ – Imagem: Marinha do Brasil |
Além de aprimorar quem já está no mercado, o curso atua como um divisor de águas para os futuros comunicadores. “Tenho uma expectativa muito positiva em relação ao curso, principalmente por ser uma oportunidade de aprender com profissionais experientes e ampliar meus conhecimentos.
Espero aproveitar ao máximo cada atividade, desenvolver minhas
habilidades como jornalista e levar todo esse aprendizado para a minha atuação
profissional e acadêmica”, contou a estudante Maria Eduarda Alcântara, de 22
anos, que cursa o 8º semestre de Jornalismo na Universidade Federal de Mato
Grosso (UFMT) e integra a turma deste ano.
O Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, destaca o impacto da iniciativa para o país.
“A integração entre as Forças Armadas, os órgãos de segurança pública e a imprensa é fundamental para a transparência das atividades, especialmente por possibilitar o maior conhecimento mútuo em todos esses profissionais que atuam em atividades de risco. Ao capacitar os profissionais da imprensa para atuar com resiliência e segurança em ambientes de combate e emergência, a Marinha do Brasil reafirma o seu compromisso com a preservação da vida humana e com o livre e seguro exercício do jornalismo”, frisou.

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