Fuerza Aérea Argentina conclui primeira etapa operacional do Programa Peace Cóndor com voos solo realizados em Córdoba em 3 de julho de 2026
A Argentina deu um passo a mais, na reconstrução de sua capacidade de defesa aérea na ultima sexta feira, 3 de julho. Pilotos da Fuerza Aérea Argentina (FAA) realizaram o primeiro voo solo em território nacional a bordo dos caças F-16, nas instalações do Área Material Río IV, na província de Córdoba, em cerimônia que reuniu autoridades militares e civis do governo.
A certificação obtida pelos aviadores representa a primeira habilitação alcançada no âmbito do Programa Peace Cóndor, com apoio técnico da empresa canadense Top Aces, especializada em treinamento tático avançado. O evento marca o encerramento formal da fase inicial de transição operacional e abre caminho para a plena integração do caça ao inventário da força.
O voo solo e o que ele representa
Na terminologia aeronáutica militar, o "voo solo" designa o primeiro voo realizado pelo piloto sem a presença de um instrutor a bordo — o equivalente prático à certificação de autonomia operacional. O precedente imediato havia ocorrido em maio de 2026, quando oficiais argentinos realizaram seu primeiro voo solo nos Estados Unidos com o F-16M Fighting Falcon, ainda no âmbito do programa Peace Cóndor, certificando uma primeira instância de confiança operacional dentro dos parâmetros da instrução.
A cerimônia do dia 3 de julho, no entanto, representou algo distinto: a replicação desse feito em solo argentino, com aeronaves já integradas ao país. Segundo informações apuradas, quatro pilotos realizaram os voos na presença do ministro da Defesa, Carlos Presti, na base de Río Cuarto.
Por razões de segurança operacional, as autoridades argentinas não divulgaram o número total de pilotos que completaram o treinamento nem a quantidade exata de participantes nos voos.
O ato foi presidido pelo ministro da Defesa, Tenente-General Carlos Alberto Presti, acompanhado pelo chefe do Estado-Maior da FAA, Brigadeiro-General Gustavo Javier Valverde, além de autoridades civis e militares convidados.
Um programa construído em camadas
O adestramento nos Estados Unidos foi conduzido em Tucson, no Arizona, no 195º Esquadrão de caça da Guarda Aérea Nacional do Arizona, onde um grupo selecionado de oficiais argentinos recebeu formação técnica e tática sob padrões equivalentes aos aplicados pela USAF.
A instrução abrangeu doutrina, procedimentos de voo, critérios de segurança e emprego tático de uma plataforma multirrol, com adoção progressiva da doutrina da OTAN.
A transição argentina para o F-16M Fighting Falcon, se apoia na experiência acumulada pela FAA durante três décadas de intercâmbios de instrutores com os Estados Unidos.
Esse histórico permitiu que os pilotos argentinos acessassem diretamente o curso de transição do F-16M — o chamado B-Course — sem necessidade de completar fases preparatórias em aeronaves como o T-6 Texan ou o T-38C Talon, exigidas habitualmente em outros processos de qualificação.
Antes do deslocamento para os EUA, os pilotos completaram condicionamento físico específico e mantiveram proficiência de voo no IA-63 Pampa III, complementando a preparação com o uso dos simuladores táticos DART, provenientes da Dinamarca, que replicam a aviônica e as capacidades de combate do F-16.
Peace Cóndor: escopo e andamento
O Programa Peace Cóndor estrutura a incorporação total de 24 caças F-16 Fighting Falcon adquiridos da Força Aérea Real da Dinamarca. O pacote inclui ainda uma aeronave não operacional destinada ao treinamento em terra, além de oito motores de reserva, peças sobressalentes para pelo menos cinco anos de operação, ferramentas, documentação técnica e apoio logístico completo.
O primeiro avião recebido pela Argentina foi a unidade nº 25 — um F-16BM —, entregue em fevereiro de 2025 e apresentada nas instalações da VI Brigada Aérea de Tandil exclusivamente para treinamento em terra do pessoal técnico.
Em 30 de março de 2026, os primeiros seis F-16 argentinos iniciaram a atividade operativa a partir do Área Material Río Cuarto, com pilotos argentinos e instrutores da Top Aces.
O programa de treinamento conduzido pela Top Aces abrange um espectro completo de instrução de voo, incluindo o Curso Básico (B-Course) para qualificação inicial, seguido de Treinamento de Qualificação de Missão, Upgrade para Líder de Voo e Upgrade para Piloto Instrutor.
Armamento e próximos passos
A certificação dos primeiros pilotos ocorre em paralelo ao avanço nas negociações de armamento. A Argentina foi incluída pelos Estados Unidos em um contrato para aquisição de mísseis AIM-120 AMRAAM — sistema ar-ar de médio e longo alcance capaz de engajar alvos além do campo visual do piloto —, numa operação envolvendo o Departamento de Guerra dos EUA e a empresa Raytheon que pode alcançar US$ 398 milhões.
O pacote aprovado pelos EUA também contempla mísseis AIM-120C-8 AMRAAM, bombas guiadas a laser GBU-12 Paveway II, bombas Mk 82, sistemas de comunicação criptografados, Link 16, equipamentos de guerra eletrônica e dispensadores de contramedidas.
Paralelamente, as autoridades argentinas trabalham na integração de equipamentos nacionais, como a bomba planadora Dardo, desenvolvida pela própria indústria de defesa do país.
Quanto ao reforço da frota, a FAA coordena com Dinamarca e Estados Unidos a possibilidade de antecipar para o terceiro trimestre de 2026 a incorporação do segundo lote de seis aeronaves — composto por quatro biplaces e dois monoplaces —, cujo voo esta originalmente previsto para dezembro deste ano.
Em paralelo, prosseguem as obras de adequação da VI Brigada Aérea de Tandil, que será a base definitiva de toda a frota. A infraestrutura de Río Cuarto também segue sendo preparada como principal polo de recepção e manutenção enquanto as obras em Tandil avançam.
Contexto regional
A incorporação do F-16 representa uma inflexão significativa no equilíbrio de poder aéreo na América do Sul. Com a certificação de seus primeiros pilotos, a Argentina se junta ao seleto grupo de países do continente com aviação de combate de quarta geração plenamente operacional.
O processo, embora mais demorado do que o planejamento original previa — reflexo das limitações orçamentárias e da complexidade logística envolvida —, confirma que o programa caminha em direção à Capacidade Operacional Final (COF) prevista para os próximos anos.










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