Estaleiro Sevmash inicia a construção do submarino Murmansk, mais nova unidade do Projeto 885M, enquanto Moscou avança na meta de aposentar toda a frota herdada da era soviética até 2035
A Marinha Russa, realizou no dia 17 de junho, cerimônia de batimento de quilha, do submarino de ataque nuclear multipropósito Murmansk, classe Yasen-M, no Estaleiro Sevmash, o qual é parte da Corporação Unificada de Construção Naval (USC) da Rússia.
O evento marca o início formal da construção da nona embarcação do Projeto 885M, a mais avançada plataforma submarina que o país produz, e reforça um programa de modernização que, Moscou considera central para sua postura estratégica nos oceanos.
A cerimônia ocorreu em Severodvinsk. O submarino recebeu o nome de Murmansk por ordem do comandante-em-chefe da Marinha Russa, almirante de Frota, Aleksandr Moiseyev. A cerimonia foi iniciada pelo próprio Moiseyev, com a presença do CEO da USC, Andrey Puchkov, e do CEO da Sevmash, Mikhail Budnichenko, que batizou a quilha.
O Murmansk, leva o nome da Cidade Herói de Murmansk. O nome foi anteriormente atribuído ao submarino nuclear soviético de terceira geração do Projeto 949, o K-206, também construído no Sevmash.
A declaração do almirante e o peso simbólico do programa
O comandante-em-chefe da Marinha, aproveitou a cerimônia para reafirmar a importância estratégica do programa. Moiseyev foi categórico ao afirmar que poucos países têm capacidade industrial e tecnológica para construir submarinos de propulsão nuclear, e que a Rússia produz as melhores embarcações desse tipo do mundo — resultado, nas suas palavras, de um esforço coletivo e revolucionário de toda a nação.
O almirante também descreveu as capacidades do Projeto 885M: submarinos que incorporam as conquistas mais avançadas da ciência e da tecnologia domésticas, capazes de executar toda a gama de missões navais — de forma autônoma ou integrados a forças combinadas — praticamente em qualquer ponto do oceano global, mantendo-se indetectáveis.
Ainda segundo declarações de março de 2026, Moiseyev destacou que as embarcações podem operar de forma encoberta e por períodos prolongados em qualquer área oceânica, representando uma ameaça concreta a grupos navais de combate e a alvos terrestres de qualquer adversário.
Inventário atual e plano de substituição total
O primeiro da classe, o Kazan, foi entregue à Marinha Russa em 2021, sendo seguido por mais três unidades que já entraram em serviço: Novosibirsk, Krasnoyarsk e Arkhangelsk. A Marinha opera atualmente cinco unidades da classe Yasen, com quatro outras em diferentes estágios de construção.
Em março de 2026, Moiseyev confirmou que todos os submarinos nucleares de terceira geração em serviço na frota serão substituídos pelos modernos submarinos do Projeto 885/885M ao longo da próxima década.
A declaração, feita em entrevista ao jornal Krasnaya Zvezda, confirma oficialmente uma das maiores modernizações da força submarina russa desde o fim da Guerra Fria. Os modelos a serem retirados de serviço correspondem às classes Akula (Projeto 971), Sierra (Projeto 945) e Oscar II (Projeto 949) — plataformas desenvolvidas na era soviética nos anos 1980.
A classe Oscar II, com cinco unidades ainda em operação, exemplifica o problema que o programa Yasen-M busca resolver. Comissionadas entre 1990 e 1996, essas embarcações de cerca de 19.400 toneladas são significativamente maiores, mais caras de manter e têm potencial de combate mais limitado em comparação com os Yasen-M. Todas as cinco deverão ser substituídas.
Capacidades técnicas: furtividade, sensores e armamento hipersônico
O Yasen-M é frequentemente citado como um dos submarinos de ataque nuclear mais avançados do mundo. Entre suas características estão equipamentos montados em balsas antivibração, design aperfeiçoado de propulsores, revestimentos acústicos e diversas outras medidas de redução de ruído — que tornaram a classe uma das mais silenciosas e difíceis de detectar em operação.
Essa capacidade de furtividade se combina com um carregamento de armamentos e conjuntos de sensores de grande porte, possibilitados tanto pela eficiência do projeto quanto pelo tamanho da embarcação, que desloca 14.000 toneladas.
Como o maior submarino de ataque do mundo, o Yasen-M integra um sonar de proa esférico de grande porte que ocupa boa parte de sua seção dianteira, proporcionando alcances de detecção excepcionalmente longos.
Do ponto de vista do armamento, o material de origem registra que as embarcações da classe são equipadas com todos os modernos sistemas de mísseis navais russos: Kalibr, Oniks e Zircon.
O Arkhangelsk, mais novo submarino nuclear do Projeto 885M, demonstrou sua capacidade de ataque antinavio a partir de posição submersa ao lançar um míssil de cruzeiro Oniks no Mar de Barents e atingir um alvo a mais de 200 km, em exercício da Frota do Norte registrado pela TASS, em 3 de junho deste ano.
A integração do míssil hipersônico de cruzeiro 3M22 Zircon, a partir de 2025, representa o salto qualitativo mais recente do programa. Embarcações equipadas com o Zircon passam a poder engajar grupos de combate de porta-aviões, grandes navios de guerra, centros de comando e outros alvos estratégicos a distâncias bem maiores e com uma capacidade sensivelmente superior de penetrar defesas antimíssil.
O horizonte competitivo: o Type 095 chinês entra em cena
O Yasen-M manteve por anos uma posição de referência entre os submarinos de ataque nucleares mais capazes do mundo. Esse cenário começa a ser disputado pela China. Imagens de satélite comercial capturadas em 9 de fevereiro, revelaram um novo projeto de design de submarino no estaleiro Bohai em Huludao, confirmando o lançamento ao mar do primeiro submarino de ataque nuclear da classe Type 095, conhecido como "Sui-class".
A classe Type 095 é projetada para superar com folga os submarinos da classe Tipo 093, que atualmente formam a espinha dorsal da frota nuclear de combate da China. Relatórios iniciais e imagens de satélite sugerem que a nova classe incorpora avanços significativos em furtividade, propulsão, sensores e sistemas de armas, tornando-a uma competidora de nível par em relação às novas classes Seawolf e Yasen-M.
Em capacidade de armamento, o Yasen-M lidera, com seu carregamento combinado de torpedos e silos de lançamento vertical, capaz de acomodar mais de 40 armas, incluindo mísseis hipersônicos. Ainda assim, caso o Type 095 confirme em operação as capacidades projetadas — especialmente em furtividade acústica —, o equilíbrio submergido da competição estratégica entre as três maiores potências nucleares pode mudar de forma significativa ao longo desta década.



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