Peças de artilharia e fuzis utilizados pelos pracinhas na Campanha da Itália têm funcionalidade e autenticidade recuperadas por meio de pesquisa histórica e trabalho voluntário no Sul catarinense
A memória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ganhou um reforço concreto no Sul de Santa Catarina. O Grupo de Reencenação Histórica Monte Castelo, em parceria com o 28º Grupo de Artilharia de Campanha (28º GAC) do Exército Brasileiro (EB), concluiu a restauração e a reativação de armamentos utilizados pelas tropas brasileiras durante a Segunda Guerra Mundial.
O projeto recuperou peças de artilharia e fuzis, empregados pelos pracinhas durante a Campanha da Itália, entre 1944 e 1945, devolvendo a esses materiais tanto a funcionalidade operacional quanto as características históricas originais.
O trabalho envolveu recuperação mecânica, conservação estrutural e extensa pesquisa histórica para garantir a autenticidade das peças. O resultado é um acervo que transcende a função expositiva: os armamentos restaurados passam a integrar atividades educativas e culturais voltadas à divulgação da história da FEB e à valorização dos combatentes brasileiros que lutaram contra o nazi-fascismo nos campos de batalha europeus.
Uma campanha que moldou a história militar brasileira
Entre 1944 e 1945, a FEB enviou cerca de 25 mil homens à Itália como parte das forças aliadas sob o comando americano do V Corpo de Exército. Os pracinhas participaram de operações de peso no Teatro de Operações Europeu, entre elas a Batalha de Monte Castelo — cujo nome o grupo voluntário adota — e a captura da cidade de Montese.
A participação brasileira é considerada a mais significativa contribuição militar do país em um conflito internacional até hoje, e o acervo de equipamentos da época constitui patrimônio histórico de valor inestimável.
O esforço de preservação conduzido pelo Grupo Monte Castelo em parceria com o 28º GAC, insere-se justamente nessa lacuna: manter acessíveis, com fidelidade técnica e histórica, os instrumentos materiais daquela geração de soldados.
Voluntariado e rigor histórico
Segundo o líder do Grupo Monte Castelo em Criciúma, Eduardo Reis, iniciativas como essa são fundamentais para aproximar a sociedade da história militar nacional e manter viva a memória dos veteranos que combateram na Itália.
O projeto foi integralmente conduzido em regime voluntário, com membros do grupo dedicando tempo e recursos próprios à pesquisa e aos trabalhos de conservação.
A parceria com o 28º GAC, organização militar sediada no Sul catarinense, conferiu ao projeto respaldo institucional e acesso a conhecimento técnico especializado em artilharia, elementos que contribuíram para a qualidade do resultado final.
Reencenações como instrumento de memória
Além da restauração de armamentos, o Grupo Monte Castelo é reconhecido regionalmente pela participação em eventos cívicos, exposições e demonstrações históricas. O ponto alto de suas atividades é a reencenação anual do "Batismo de Fogo" da FEB no Teatro de Operações Europeu, realizada em parceria com o 28º GAC.
O evento recria com elevado grau de fidelidade cenários, uniformes, equipamentos e episódios marcantes da atuação dos soldados brasileiros na Itália, reunindo voluntários e militares em torno de um esforço coletivo de preservação da memória nacional.
Por meio dessas ações, o grupo une civismo, pesquisa e educação patrimonial numa região onde a presença do 28º GAC mantém viva a tradição da artilharia de campanha brasileira — a mesma que trovejou nos Apeninos há mais de oito décadas.
Com informações e fotos: CECOMSEx







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