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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Marinha forma novos operadores ribeirinhos em Belém, após curso de alta exigência na Amazônia

Treinamento especializado do Corpo de Fuzileiros Navais capacitou 28 militares para atuar em operações fluviais e de selva na região amazônica

A Marinha do Brasil (MB) concluiu, em Belém (PA), mais uma edição do Curso Expedito de Operações Ribeirinhas (C-Exp-OpRib), considerado uma das formações operacionais mais exigentes da Força Naval para atuação no ambiente amazônico. A cerimônia de encerramento ocorreu no 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas (2ºBtlOpRib) e marcou a formação de 28 novos operadores especializados em missões fluviais e de selva.

O curso teve início com 128 voluntários submetidos a uma rigorosa seleção física, técnica e psicológica. Ao final da formação, apenas 28 militares concluíram todas as etapas previstas, evidenciando o elevado nível de exigência da capacitação. Entre os formandos estão militares do próprio 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas, integrantes da Aviação Naval e policiais militares do Estado do Pará.

Realizado na capital paraense, o treinamento tem como principal objetivo preparar militares para atuar em uma das regiões operacionais mais complexas do País. A Amazônia apresenta desafios logísticos, ambientais e estratégicos singulares, onde extensas redes hidrográficas funcionam como principais vias de deslocamento e integração territorial.

Criado em 1999, o Curso Expedito de Operações Ribeirinhas já formou mais de 1.150 militares especializados em técnicas, táticas e procedimentos voltados para operações em rios, áreas alagadas e ambientes de selva. O preparo é direcionado ao planejamento, coordenação e execução de ações em regiões onde a mobilidade fluvial é determinante para o cumprimento das missões militares.

Durante várias semanas, os participantes são submetidos a uma rotina intensa de instruções que inclui sobrevivência em selva, navegação, patrulhamento ribeirinho, topografia, comunicações, primeiros socorros, operações com embarcações, utilização de motores, técnicas especiais em áreas de mata e integração com aeronaves.

O treinamento busca desenvolver operadores capazes de atuar em cenários marcados por longas distâncias, restrições logísticas e condições ambientais severas, características que tornam a região amazônica uma das áreas mais desafiadoras para operações militares no Brasil.

A edição de 2026 também registrou um marco histórico para a Marinha do Brasil. Pela primeira vez desde a criação do curso, há 27 anos, duas militares concluíram a formação e passaram a integrar o grupo de operadores ribeirinhos especializados da Força.

As militares Segundo-Sargento Musicista Valéria Duarte e Soldado (Fuzileiro Naval) Raissa Fernandes de Medeiros superaram todas as fases do treinamento, tradicionalmente conhecido pelos altos índices de evasão. Em anos anteriores, apenas uma pequena parcela dos candidatos conseguiu chegar à conclusão do curso.

Além do aspecto operacional, a presença feminina entre os concluintes é vista como um reflexo da ampliação gradual da participação das mulheres em funções militares de elevada exigência física e técnica dentro das Forças Armadas brasileiras.

O comandante do 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas, Capitão de Fragata (Fuzileiro Naval) Luciano Ferreira dos Santos, destacou a relevância estratégica da formação para a proteção das hidrovias amazônicas e para a presença do Estado em áreas remotas da região Norte. 

Segundo ele, a crescente importância do Arco Norte, das hidrovias amazônicas e da Margem Equatorial exige militares preparados para atuar na defesa da soberania nacional e no combate a ilícitos transfronteiriços.

Sediado em Belém, o 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas é uma das unidades mais especializadas do Corpo de Fuzileiros Navais para atuação em ambientes fluviais. A organização desempenha papel estratégico na Amazônia Oriental, área que concentra milhares de quilômetros de rios navegáveis e extensas regiões de fronteira.

A formação dos novos operadores reforça a capacidade da Marinha do Brasil de manter presença permanente em áreas de difícil acesso, contribuindo para ações de patrulhamento, fiscalização, proteção das vias fluviais e apoio às operações de defesa e segurança na Amazônia.





Com informações e fotos: Agência Marinha de Notícias

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