Míssil antinavio de desenvolvimento 100% nacional foi testado pela Marinha do Brasil entre os dias 24 e 26 de junho; próximos dois lançamentos previstos ainda para este ano devem viabilizar a incorporação definitiva ao arsenal
A Marinha do Brasil (MB) concluiu, entre os dias 24 e 26 de junho, a quinta fase de testes do Projeto do Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP). As provas foram realizadas a aproximadamente 300 km da costa de Cabo Frio (RJ), a bordo da Fragata Defensora (F41), e encerraram mais um ciclo de avaliação com lançamento bem-sucedido — um avanço concreto no processo de qualificação do sistema de armas desenvolvido integralmente no Brasil.
A atividade foi coordenada pelo Comando da 2ª Divisão da Esquadra (ComDiv-2) e contou com a participação da Fragata União (F45) e das aeronaves Esquilo (UH-12) e Wild Lynx (AH-11B). O propósito central da campanha foi avaliar o alcance máximo do míssil e verificar o desempenho de seus sistemas em condições reais de emprego operacional.
Uma indústria nacional em movimento
A operação reuniu diversas Organizações Militares da MB, envolvidas nas etapas de planejamento, preparação e execução do ensaio. Tiveram papel de destaque a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM), responsável pela condução do projeto, e o Centro de Mísseis e Armas Submarinas da Marinha (CMASM).
O MANSUP incorpora guiagem inercial, sensor termal, radar ativo e elevada capacidade de manobra — conjunto de características que confere ao sistema precisão e efetividade para engajamentos de longo alcance em ambientes de alta complexidade operacional.
O projeto foi iniciado em 2008 e seu primeiro lançamento aconteceu em 2017, resultado de uma parceria estratégica entre a MB, a empresa Omnisys, a Fundação Ezute e a SIATT, integradora nacional do sistema e especializada no desenvolvimento de armamentos inteligentes.
"A realização de mais uma etapa de qualificação do MANSUP reafirma o compromisso da SIATT com o desenvolvimento de sistemas nacionais de alta complexidade. Cada lançamento amplia o domínio tecnológico alcançado e contribui para a consolidação do míssil em sua configuração final de emprego, em consonância com as necessidades operacionais da Marinha do Brasil", declarou Rogério Salvador, CEO da SIATT.
Incorporação ao arsenal em vista
Como próximos passos, a MB planeja executar mais dois lançamentos até o final de 2026. Com a conclusão bem-sucedida desse ciclo, o MANSUP deverá ser efetivamente incorporado ao arsenal da Força e passará a integrar o sistema de armas de diferentes meios navais, entre eles as novas fragatas da Classe Tamandaré — o programa de recomposição do poder de combate naval mais ambicioso do país nas últimas décadas.



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