ULTIMAS POSTAGENS:

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Marco histórico na Marinha do Brasil: mulheres concluem o Serviço Militar Inicial Feminino pela primeira vez no Rio de Janeiro

27 Marinheiros-Recrutas concluem o Serviço Militar Inicial Feminino no CIAA e entram para a história das Forças Armadas brasileiras

Em cerimônia realizada no dia 9 de junho no Centro de Instrução Almirante Alexandrino (CIAA), no Rio de Janeiro, a Marinha do Brasil (MB) formou as primeiras 27 mulheres do Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) — jovens que, após cerca de três meses de instrução, juraram bandeira e passaram a integrar efetivamente a Força Naval como Marinheiros-Recrutas. 

A solenidade encerrou um ciclo de formação histórico, iniciado em março de 2026 com a incorporação das primeiras voluntárias no âmbito de um programa criado pelo Ministério da Defesa (MD) em 2024.

A cerimônia foi presidida pelo, comandante do Primeiro Distrito Naval, Vice-Almirante Iunis Távora Said, e reuniu autoridades civis e militares, além de familiares que acompanharam a formatura com emoção visível. 

Para muitos deles, a solenidade representou não apenas a conclusão de um curso militar, mas uma transformação pessoal profunda nas jovens que voluntariamente decidiram vestir o fardamento da Força Naval.

Seleção rigorosa e turma pequena mas simbólica

A chegada dessas mulheres ao CIAA, foi resultado de um processo seletivo de alta concorrência. Das 270 candidatas inscritas para as vagas disponíveis no Rio de Janeiro, apenas 27 foram selecionadas após etapas que incluíram triagem geral do alistamento e uma seleção complementar conduzida pela própria Marinha. 

As aprovadas passaram ainda por avaliações médicas, psicológicas e testes físicos antes da incorporação, que ocorreu em 2 de março.

Marinheira Luana momentos antes da formatura - Imagem: Sargento Caldeiro/Marinha do Brasil


A turma de 2026, do CIAA totalizou 277 conscritos, sendo 250 homens e 27 mulheres. Ao longo da formação, os recrutas receberam instrução militar fundamentada nos princípios de hierarquia e disciplina, com conteúdos de ordem unida, regulamentos navais, liderança, noções técnicas e treinamento físico — os mesmos exigidos dos conscritos masculinos. 

"Vestir este uniforme é uma honra muito grande"

Entre as formandas, destacou-se a Marinheiro-Recruta Luana Alves Garcia, 18 anos, natural do Rio de Janeiro, que terminou o curso na primeira colocação entre as mulheres da turma. Em depoimento durante a cerimônia, ela relatou as dificuldades e conquistas do período de formação: 

"Quando cheguei aqui, tudo era novo. Existia o nervosismo, a saudade da família e a dúvida se eu conseguiria superar cada etapa. Hoje, ao olhar para trás, vejo o quanto evoluí e o quanto valeu a pena acreditar no meu sonho. Vestir este uniforme é uma honra muito grande e uma etapa cumprida, eu consegui!"

O primeiro colocado geral da turma, considerando homens e mulheres, foi o Marinheiro Arthur Leite Santos, também de 18 anos, que recebeu prêmios escolares diretamente das mãos do Vice-Almirante Said. 

Entrega de prêmio ao 1º colocado pelo Comandante do Com1DN, Vice-Almirante Said, ao lado do Comandante do CIAA, Contra-Almirante Souza Junior – Imagem: Sargento Caldeiro/Marinha do Brasil


Outra recruta, Ryanne Cristine de Castro do Nascimento, destacou a coesão construída ao longo dos meses de instrução: "Começamos essa caminhada com muitas incertezas, mas aprendemos a apoiar umas às outras. Temos consciência da responsabilidade que carregamos por sermos as primeiras, e isso nos motiva ainda mais."

Em discurso, o Comandante do CIAA, contra-almirante Souza Junior, reconheceu o significado do momento: "Vocês passam a integrar um capítulo importante da história da Marinha do Brasil. Demonstraram coragem ao aceitar o desafio de trilhar um caminho inédito e mostraram, ao longo da formação, que possuem os valores necessários para servir à Pátria com honra, lealdade e compromisso."

O SMIF e a expansão feminina nas Forças Armadas

O MD criou o SMIF em 2024, com o objetivo de ampliar a presença feminina entre o contingente. O programa permite que, mulheres realizem o alistamento voluntariamente ao completarem 18 anos, com os mesmos direitos e deveres atribuídos aos homens. Para a primeira turma nacional, foram recebidas mais de 33 mil inscrições para apenas 1.500 vagas. 

A estimativa do MD para 2026, aponta que 1.467 mulheres deverão cumprir o serviço militar no país, distribuídas em 51 municípios de 13 estados, e do Distrito Federal. Sendo que desse total, 157 servirão a Marinha do Brasil, 1.010 o Exército Brasileiro e 300 a Força Aérea Brasileira . 

Comandante do CIAA, Contra-Almirante Souza Junior, em discurso – Imagem: Sargento Caldeiro/Marinha do Brasil


A formatura do CIAA não foi um caso isolado no âmbito da Marinha. Em 29 de maio, o 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas, subordinado ao Comando do 4º Distrito Naval, também realizou cerimônia de juramento à bandeira de sua primeira turma com participação feminina, que incluiu 16 voluntárias entre 179 Marinheiros-Recrutas. 

A trajetória de inclusão feminina na Marinha remonta a 1980, quando a Força Naval se tornou a primeira das Forças Armadas brasileiras a admitir mulheres em suas fileiras. Hoje, elas podem ingressar em todos os Corpos e Quadros da instituição, incluindo o Corpo da Armada, o Corpo de Fuzileiros Navais, o Corpo de Intendentes e as áreas de Saúde, Engenharia, Técnica e Administrativa. 

Ainda em 2026, está prevista uma segunda rodada de incorporações do SMIF, programada para ocorrer entre 2 e 6 de agosto. A continuidade do programa sinaliza que a presença feminina nas fileiras da Força Naval deixou de ser exceção para se tornar parte estrutural do modelo de recrutamento das Forças Armadas brasileiras.

A cerimônia no CIAA foi encerrada com o juramento à Bandeira Nacional e o desfile em continência — ato que, para as 27 pioneiras, marcou oficialmente o início de uma trajetória de serviço ao país e abriu caminho para as gerações seguintes.

Com informações e fotos da Agência Marinha de Notícias

Nenhum comentário: