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terça-feira, 23 de junho de 2026

Leonardo e Baykar concluem primeiros voos reais de teaming tripulado/não tripulado com M-346FA e Kizilelma

Parceria ítalo-turca valida em voo real o conceito K-SWARM: UCAV de combate executou manobras de formação de forma autônoma sob comando de pilotos a bordo do jato leve de ataque M-346FA

A Leonardo e a Baykar concluíram, em maio de 2026, a primeira fase de voos reais do programa K-SWARM no centro de testes e voos da Baykar em Çorlu, na Turquia — marcando a transição do programa da fase de simulação para operações ao vivo. 

O anúncio foi formalizado em nota conjunta das duas empresas publicada em 22 de junho, e representa um dos marcos mais concretos já atingidos na evolução do conceito de teaming entre aeronaves tripuladas e não tripuladas na aviação militar ocidental.

Da simulação ao voo real

A campanha de testes envolveu dois aviões Leonardo M-346 — um M-346FA (Fighter Attack) de propriedade da própria Leonardo, atuando como plataforma de comando, e um T-346A da Aeronautica Militare italiana operando como aeronave de acompanhamento — além do UCAV Bayraktar Kizilelma. 

Os voos foram precedidos por meses de trabalho preparatório. As equipes desenvolveram um data link de radiofrequência — a plataforma tática GCC da Leonardo — que sincronizou e fundiu todos os dados entre o Kizilelma e os M-346. 

Algoritmos de última geração, bem como táticas e procedimentos, foram desenvolvidos nos laboratórios de inovação em controle de voo e aviônica da Leonardo e no PC2LAB, em Turim. Em paralelo, a Baykar integrou suas capacidades avançadas de autonomia de frota ao sistema de teaming. 

A validação em simulador foi feita no M-346 Full Mission Simulator de Venegono, na Itália, antes de qualquer voo real.

Como funcionou na prática

A campanha de voos começou com o Kizilelma realizando táxi e decolagem de forma autônoma, usando os algoritmos Smart Fleet Autonomy desenvolvidos pelo laboratório Hardware-in-the-Loop (HIL) da Baykar para localizar e se juntar ao M-346FA em voo. 

Depois que a formação foi estabelecida, os pilotos a bordo do M-346 assumiram o controle tático da aeronave não tripulada por meio de uma suíte de aviônica integrada recém-desenvolvida e de um sistema de computação dedicado ao teaming tripulado/não tripulado. 

Durante os voos, a tripulação do M-346 comandou uma série de manobras, incluindo mudanças de posição, separações e reuniões de formação. 

Essas manobras foram executadas de forma autônoma pelo drone, com os pilotos do M-346 responsáveis apenas por fornecer os comandos iniciais. O resultado, segundo as empresas, foi a confirmação de que o Kizilelma respondeu com precisão a cada instrução, mantendo a integridade da formação ao longo de todas as missões.

O que o K-SWARM significa para cada lado

Para a Leonardo, o programa K-SWARM representa mais do que um marco de teaming. Ao parear o M-346 com um caça não tripulado já voando, em vez de aguardar a maturação de algum programa europeu futuro de loyal wingman, a empresa italiana acelera seu caminho para o teaming operacional tripulado/não tripulado e atualiza o papel do próprio M-346. 

A aeronave, concebida originalmente como jato de treinamento avançado e ataque leve, passa a ser posicionada como plataforma de comando de sistemas autônomos — o que amplia consideravelmente seu apelo comercial em processos de exportação. 

Para a Baykar, os benefícios também são substanciais. Os testes colocam o Kizilelma dentro de um programa ao vivo, conduzido por uma das principais empresas europeias de aviação de combate e reforçam seu perfil como algo além de um projeto nacional de drone de combate — sugerindo que a plataforma já pode ser inserida em uma arquitetura mais ampla de teaming aliado entre aeronaves tripuladas e não tripuladas.

Em março, o então presidente-executivo da Leonardo, Roberto Cingolani, já havia indicado essa direção ao afirmar que as demonstrações com o Kizilelma, começariam em meados de 2026 usando um M-346FA como aeronave controladora. Os voos de maio confirmaram que o conceito saiu do campo das declarações e entrou no campo dos fatos. 

Próximos passos

Leonardo e Baykar são parceiros na joint venture LBA Systems, com planos para que a produção do Kizilelma também seja realizada na Itália. Novos testes estão previstos para os próximos meses, com cenários de crescente complexidade envolvendo múltiplos sistemas, maior consciência situacional e maiores níveis de colaboração autônoma. 

O trabalho futuro também deverá contribuir para o desenvolvimento de sistemas de apoio à decisão baseados em inteligência artificial e ferramentas avançadas de gestão de missão.

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