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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Força Aérea espanhola aposenta os últimos Hornet das Ilhas Canárias e recebe oito Eurofighter na Ala 46

Ala 46 da Força Aérea espanhola encerra três décadas de operação com os Hornet e inaugura uma nova fase com os Eurofighter, que passam a integrar o 462 Esquadrão com numeração própria, diferente do padrão adotado pelas demais alas

A Força Aérea e do Espaço da Espanha (El Ejército del Aire) realizou dia 26 de junho, cerimônia alusiva a desativação dos caças EF-18 Hornet da Ala 46, sediada na Base Aérea de Gando, na ilha de Gran Canaria. 

No lugar dos envelhecidos F/A-18A, adquiridos de segunda mão pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy) na década de 1990, chegaram oito Eurofighter Typhoon cedidos temporariamente pela Ala 14, de Albacete, como solução operacional enquanto os 20 novos exemplares encomendados em 2022 ainda aguardam entrega. 

A transição marca não apenas a renovação da frota de defesa aérea nas Ilhas Canárias, mas também uma mudança no sistema de numeração dos aeronaves, reflexo da condição especial da Ala 46 como unidade mista.

Trinta anos de Hornet nas Canárias chegam ao fim

A Base Aérea de Gando, recebeu os seus primeiros F/A-18A Hornet entre 1996 e 1998. Eram 24 aeronaves monoplaces adquiridas de segunda mão da US Navy, destinadas a substituir os caças Dassault Mirage F1, que haviam operado no arquipélago por menos de uma década. A transição, àquela época, representou um salto tecnológico considerável para a defesa aérea da ilha.

A trajetória dos Hornet em Gando, porém, foi marcada por percalços. Três dos 24 F/A-18A se perderam em acidentes ao longo dos anos. Um deles, o C.15-76, sofreu um incêndio e acabou encaminhado para a Maestrança Aérea de Albacete (MAESAL), o principal centro de manutenção e reparo da aviação militar espanhola. Os demais foram modernizados para a variante EF-18A+ e agrupados no 462º Esquadrão, subordinado à Ala 46.

Apesar de serem os Hornet mais recentes incorporados pela Força Aérea espanhola, os exemplares da Ala 46 acumularam menos horas de operação em território espanhol do que os EF-18 das Alas 12 e 15. A razão é direta: quando chegaram à Espanha, já carregavam anos de uso acumulados na US Navy, o que antecipou o desgaste e encurtou sua vida útil.

Oito Eurofighter chegam como solução provisória

A cerimônia realizada oficializou a saída dos Hornet e a chegada dos Eurofighter Typhoon à Ala 46. A Força Aérea confirmou o evento, mas não divulgou o número de aeronaves recebidas nem sua procedência. Foi a Airbus Defence que deu a informação: oito Eurofighter foram transferidos nesta etapa inicial.

A empresa esclareceu ainda que esses oito aviões pertencem à Ala 14 (Albacete) e que, em momento posterior, também serão incorporados exemplares provenientes da Ala 11, sediada em Morón de la Frontera, em Sevilha. Com isso, Gando passa a integrar o seleto grupo de bases operacionais do Eurofighter na Espanha, ao lado de Morón e Albacete.

O pano de fundo desta decisão é o atraso no programa de aquisição. Em 2022, o governo espanhol anunciou a compra de 20 novos Eurofighter para substituir definitivamente os EF-18 da Ala 46. Os primeiros exemplares desse lote, no entanto, ainda não estão em fase de entrega. Diante disso, optou-se por remanejamento de aeronaves já em serviço ativo para cobrir a lacuna operacional enquanto as novas unidades não chegam.

Uma numeração diferente — e uma razão operacional clara

Um detalhe técnico que não passou despercebido nos registros da cerimônia diz respeito ao sistema de numeração adotado para os novos Eurofighter da Ala 46. Nas Alas 11 e 14, os aviões exibem o número da ala em seus identificadores. Os próprios Hornet da Ala 46 seguiam essa lógica. Mas os Eurofighter recém-chegados às Canárias trazem, em vez disso, o número do esquadrão: 462.

Não é um caso isolado. Na mesma semana, o primeiro C295W MSA entregue à Ala 46 também recebeu a numeração do 802 Esquadrão, e não a referência ao ala, diferentemente dos demais C295M em serviço na Força Aérea. O mesmo padrão foi adotado nos novos A330 MRTT, que fazem referência ao 452º Esquadrão em vez da Ala 45.

A explicação está na estrutura orgânica da própria Ala 46. Diferentemente das Alas 11 e 14, que operam exclusivamente Eurofighter, a Ala 46 é uma unidade mista: reúne o Grupo 46 — ao qual pertence o 462º Esquadrão, responsável pela defesa aérea — e o Grupo 82, integrado pelo 802º Esquadrão, dedicado às missões de busca e salvamento. Este último opera aeronaves CN-235 VIGMA e o novo C295W MSA, além de helicópteros AS-332 Super Puma.

Nas alas com frota única, usar o número da ala nos identificadores permite transferir aeronaves de um esquadrão para outro sem necessidade de qualquer mudança na rotulação. Na Ala 46, porém, essa prática criaria ambiguidade entre missões e plataformas distintas, daí a adoção do número do esquadrão como referência.




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