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terça-feira, 16 de junho de 2026

Filipinas envia delegação à Coreia do Sul para inspecionar produção dos FA-50 Block 70

Visita técnica marca nova fase do programa de modernização aérea das Filipinas, que adquiriu 12 aeronaves de combate leve por mais de US$ 700 milhões em contrato firmado em junho de 2025

Uma delegação do governo das Filipinas, irá visitar em breve a Coreia do Sul a fim de acompanharem de perto o andamento da produção dos 12 caças FA-50 Block 70 adquiridos pela Força Aérea das Filipinas (PAF). A visita tem como objetivo permitir que oficiais filipinos acompanhem a linha de montagem, discutam prazos de entrega e coordenem os requisitos de treinamento, logística e suporte antes das primeiras entregas.


O Departamento de Defesa Nacional das Filipinas (DND) e a fabricante sul-coreana Korea Aerospace Industries (KAI) formalizaram o contrato no início de junho de 2025, avaliado em mais de US$ 700 milhões. O pacote compreende equipamentos de missão, suporte logístico integrado e um sistema de informação de treinamento e logística. 


Com base no valor total, o custo médio por aeronave é estimado em aproximadamente US$ 58,3 milhões — uma cifra que posiciona o FA-50 Block 70 como uma solução competitiva no segmento de caças leves de alta tecnologia. 


O embaixador sul-coreano em Manila, Lee Sang-hwa, declarou que Seul pretende entregar três das 12 aeronaves antes do fim do mandato do presidente, Ferdinand R. Marcos Jr., previsto para 2028. A entrega total será escalonada ao longo dos próximos cinco anos, com conclusão prevista para 2030.


Um salto tecnológico em relação à frota original


Os novos FA-50 Block 70 virão equipados com radar AESA (Active Electronically Scanned Array), capacidade de reabastecimento aéreo e sistemas avançados de armamento ar-ar e ar-solo, de acordo com a KAI.  O chefe da Força Aérea filipina, tenente-general Arthur Cordura, descreveu o Block 70 como uma aeronave consideravelmente mais capaz do que as 12 unidades FA-50PH entregues entre 2015 e 2017. 



A designação "Block 70" adotada pelas Filipinas ainda não tem correspondência exata documentada na nomenclatura oficial da KAI para exportação — cujos padrões publicados referem-se aos modelos Block 10 e Block 20 —, mas representa, segundo o DND, a configuração mais avançada do FA-50 disponível para mercados externos. 


O FA-50 Block 20, por exemplo, está previsto para incorporar o radar AESA PhantomStrike da Raytheon ou, opcionalmente, o ESR-500A da LIG Nex1, além de capacidade de reabastecimento em voo, ampliação de combustível interno e compatibilidade com displays acoplados ao capacete. O Block 70 filipino parece incorporar capacidades análogas ou superiores a essa configuração. 


Do ponto de vista tático, o FA-50 carrega até 4,5 toneladas de armamento em sete pontos de fixação externos, incluindo mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder e AIM-120 AMRAAM para engajamentos além do alcance visual (BVR), mísseis ar-solo AGM-65 Maverick, bombas de precisão da família JDAM e pods de designação como Sniper ou Litening. 


O canhão interno M197 de 20 mm completa o arsenal. O radar PhantomStrike, incorporado às versões mais recentes, utiliza tecnologia de nitreto de gálio em arranjo AESA de refrigeração a ar, com formação digital de feixe, funcionalidade multimodo e capacidade de rastreamento simultâneo de alvos aéreos e terrestres. 


Modernização no contexto do Mar do Sul da China


A aquisição se alinha ao Conceito de Defesa Archipelágica Abrangente do DND, voltado à proteção do extenso território marítimo filipino. As Filipinas mantêm disputas territoriais com a China no Mar do Sul da China, e o reforço da Força Aérea tem sido tratado como prioridade estratégica pelo governo Marcos. 



O contrato foi firmado por mecanismo governo a governo (G2G) entre o DND das Filipinas e o Ministério da Defesa da Coreia do Sul, sendo as aeronaves destinadas ao 5º Ala de Caças da PAF e incluídas na fase Re-Horizon 3 do Programa de Modernização das Forças Armadas das Filipinas (RAFPMP).


A PAF confirmou que os planos de aquisição de caças multirole (MRF) seguem em paralelo, sem interferência do contrato do FA-50. Entre os candidatos ao programa MRF estão o F-16 Block 70/72 da Lockheed Martin e o JAS-39 Gripen da Saab, com orçamento estimado em 61 bilhões de pesos filipinos. 


NOTA DA REDAÇÃO:


O FA-50 Block 70 seria sim uma boa opção técnica para preencher a lacuna do AMX na FAB. É um caça leve supersônico de verdade, com radar AESA, capacidade BVR com AIM-120 AMRAAM, reabastecimento aéreo e carga de armamento superior à do M-346 FA. 


Cobre as missões de ataque ao solo, interdição e apoio aéreo aproximado que o A-1M cumpria — sem as limitações de um treinador adaptado para o combate, que é essencialmente o que o italiano representa.


A ressalva está fora do campo técnico: a Coreia do Sul não tem histórico de parceria industrial com o Brasil no setor aeronáutico, o que reduz o apelo do FA-50 num país onde transferência de tecnologia e envolvimento da Embraer são critérios de peso em qualquer decisão de reequipamento. Essa seria a vantagem real do M-346, não o desempenho.


Em síntese: se a pergunta for "qual aeronave substitui melhor o AMX operacionalmente?", o FA-50 Block 70 é a resposta mais honesta. Se a pergunta for "qual aquisição gera mais retorno industrial para o Brasil?", o M-346 FA tem argumento mais forte. 

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