ULTIMAS POSTAGENS:

terça-feira, 30 de junho de 2026

Cheonryong: míssil "mata-bunkers" sul-coreano passa em primeiro teste de voo após duas falhas

Após duas falhas consecutivas em janeiro e março, o míssil de cruzeiro ar-superfície de longo alcance completou voo de teste em 25 de junho, com previsão de entrar em produção em série em 2029

A Coreia do Sul concluiu no dia 25 de junho, o primeiro teste técnico de voo bem-sucedido do míssil Cheonryong, sistema de ataque ar-superfície de longo alcance desenvolvido internamente para destruir bunkers subterrâneos norte-coreanos. 

O ensaio, realizada pela Força Aérea sul-coreana (ROKAF) na 3ª Ala de Treinamento e Combate, ocorreu depois de dois fracassos seguidos em janeiro e março deste ano, episódios em que engenheiros precisaram desligar remotamente o motor dos protótipos e descartá-los no Mar Amarelo. 

O teste mais recente confirmou que o míssil se separou de forma limpa de um caça leve de ataque FA-50, acionou o motor a jato ainda em voo e manteve uma trajetória propulsada estável, etapas que os dois ensaios anteriores não haviam conseguido cumprir. 

Caso o cronograma do programa seja mantido, o Cheonryong deve concluir a fase de desenvolvimento até 2028, entrar em produção em série em 2029 e alcançar capacidade operacional no início da década de 2030, integrado ao caça de quinta geração KF-21 Boramae, também de fabricação sul-coreana.

O nome Cheonryong significa "Dragão Celestial" em coreano. O programa representa a resposta de Seul a uma necessidade que se tornou mais urgente à medida que a Coreia do Norte expande e reforça sua infraestrutura subterrânea de comando. 

O míssil pertence a uma categoria de armamentos projetados especificamente para destruir alvos profundamente enterrados e blindados, estruturas que bombas convencionais não conseguem atingir e que funcionam como centros nervosos da autoridade militar norte-coreana. 

Pyongyang investiu pesadamente em instalações escavadas em cadeias de montanhas graníticas por todo o país, abrigando desde depósitos de mísseis balísticos até bunkers de liderança projetados para resistir a ataques convencionais e permitir que o regime de Kim Jong-un continue comandando operações militares durante e depois de uma troca inicial de fogo.

Integração com múltiplas plataformas

O plano de integração do programa estende a utilidade do míssil bem além do KF-21, caça de próxima geração que representa a plataforma principal prevista. Como o Cheonryong está sendo projetado com dimensões e peso reduzidos, de modo a se adequar aos requisitos de transporte interno e externo do KF-21.

O míssil também deve ser compatível com o FA-50, o KF-16 e o F-15K — o que significa que toda a frota de caças atualmente em serviço na Coreia do Sul poderá, em tese, carregar o míssil assim que ele entrar em produção. 

Essa compatibilidade com quatro tipos diferentes de aeronave multiplica de forma significativa o número de plataformas de lançamento disponíveis nas horas iniciais de um conflito, distribuindo a capacidade de ataque pela frota em vez de concentrá-la em um único modelo que um adversário poderia priorizar para neutralização.

Peça do sistema de dissuasão de três eixos

O Cheonryong se insere no que os planejadores de defesa sul-coreanos chamam de Sistema de Três Eixos da Coreia, arquitetura integrada de dissuasão que reúne o Kill Chain, o sistema de Defesa Aérea e Antimíssil da Coreia (KAMD) e o conceito de Punição Massiva e Retaliação da Coreia (KMPR). 

O Kill Chain cobre a capacidade de ataque preventivo voltada a destruir mísseis norte-coreanos antes do lançamento. Já o KMPR abrange a missão de decapitação e ataque à liderança, categoria para a qual o Cheonryong foi especificamente projetado. 

Um míssil capaz de decolar do espaço aéreo sul-coreano, voar abaixo da cobertura de radar em baixa altitude com fuselagem furtiva, navegar de forma autônoma até um alvo subterrâneo reforçado, penetrar 6 metros de concreto armado e detonar no interior da estrutura — sem depender de ativos estratégicos americanos — representa uma postura de dissuasão qualitativamente diferente daquela apoiada em mísseis alemães importados que a Coreia do Sul não é capaz de produzir internamente.


Nenhum comentário: