BAE Systems aguarda lançamento formal do processo licitatório britânico para promover o avançado caça-treinador da Boeing junto à Royal Air Force, enquanto governo prepara Plano de Investimento em Defesa
A empresa britânica BAE Systems, aguarda o lançamento formal da concorrência interna, para intensificar a promoção do avançado caça-treinador T-7, que é produzido pela Boeing, junto à Royal Air Force (RAF).
A informação foi divulgada por Chris Hunter, diretor da campanha do T-7 na BAE, durante entrevista concedida na unidade da empresa em Warton, no último dia 18 de junho.
Segundo Hunter, a empresa permanece em "fase de preparação" enquanto o Ministério da Defesa do Reino Unido (MoD) não libera os requisitos formais para a necessidade de um Advanced Jet Trainer (AJT), destinado a substituir a atual frota de caças Hawk T2 e os veteranos Hawk T1, estes últimos operados pela esquadrilha acrobática Red Arrows.
Pressão da Revisão Estratégica de Defesa
A necessidade de substituição da frota foi formalizada na Revisão Estratégica de Defesa (Strategic Defence Review, SDR) publicada pelo governo britânico em junho de 2025. O documento recomendou que os modelos Hawk T1 e Hawk T2 sejam substituídos por um "caça-treinador rápido e de custo-efetivo", além de apontar a necessidade urgente de revisão dos atuais arranjos de treinamento de pilotos de caça, com maior uso de contratados e previsão para capacitação de alunos estrangeiros.
"Reconhecemos a prioridade estabelecida na SDR", afirmou Hunter, referindo-se ao documento. "Estamos confiantes de que as coisas vão avançar. Precisamos que um programa seja lançado, precisamos que o Plano de Investimento em Defesa [DIP, na sigla em inglês] seja publicado com o respectivo financiamento", acrescentou o executivo.
O DIP, originalmente previsto para o outono britânico do ano passado, segue atrasado e agora deve ser divulgado antes da Cúpula da OTAN em Ancara, marcada para o início de julho. O documento também deve fornecer detalhes relevantes sobre os planos de aquisição do Reino Unido antes da edição do Farnborough Airshow, programada para o período de 20 a 24 de julho.
BAE ainda não definiu onde será o local de montagem
Sem detalhes formais sobre o requisito por parte do MoD, Hunter afirmou que a BAE Systems ainda não decidiu onde seria realizada a montagem final dos T-7 destinados ao Reino Unido, caso a parceria vença a competição — mas indicou Warton como um dos possíveis locais.
"Estamos comprometidos a fabricarmos eles aqui no Reino Unido, com montagem final e checagem, além de trabalho de desenvolvimento, particularmente voltado à capacidade soberana. Estamos avaliando o melhor e mais eficaz local para isso", disse o diretor. "Temos linha de visão clara para uma carga adicional de trabalho de manufatura que pode integrar essa cadeia de suprimentos."
A BAE Systems, anunciou no ano passado um acordo de parceria com a Boeing e a Saab para o T-7, que se encontra nos estágios iniciais de incorporação à Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) sob a designação Red Hawk. O serviço americano planeja adquirir 351 unidades do caça monomotor como substitutos para os veteranos Northrop T-38 Talon.
Questionado sobre o motivo de a BAE ter firmado o acordo de exclusividade antes mesmo da divulgação dos requisitos formais do AJT, Hunter explicou que a companhia avaliou cuidadosamente as diversas opções disponíveis, considerando o direcionamento da SDR, o trabalho já desenvolvido em treinamento ao vivo e sintético, e a direção que o Reino Unido pretende seguir para formar pilotos mais capacitados, aptos a operar em ambientes complexos e contestados.
"Observamos o T-7 e o alinhamento com o que a USAF está buscando em seu caminho rumo à sexta geração, e estamos confiantes de que essa é a melhor solução para o Reino Unido", afirmou.
"Estamos pensando nisso como um sistema de treinamento, não como uma aeronave de treinamento, e não estamos encarando isso como uma substituição direta do Hawk", destacou Hunter. Atualmente, a RAF opera 28 unidades do Hawk T2 na função de AJT.
Sistema de treinamento integrado para múltiplas gerações de caças
Segundo Hunter, uma das características mais relevantes do T-7 é sua adequação ao que ele chama de "continuum" de quarta, quinta e sexta geração de caças — ou seja, a possibilidade de desenvolver capacidade de sistema de missão que permita evoluir o treinamento de uma Fase IV de caça-treinador avançado para algo mais integrado ao conjunto de aviação de combate, pensando da linha de frente para trás, em vez do treinamento elementar para frente.
"A capacidade de treinar de forma diferente, usando esse sistema avançado, muda algumas premissas sobre como se estrutura o currículo e os perfis de voo", explicou.
"Por exemplo, ao se dirigir para a área de treinamento, o instrutor pode inserir ameaças inesperadas, alvos terrestres, situações ar-ar. É possível treinar a caminho da missão, durante a missão e no retorno, por 50 minutos ou uma hora de treinamento ativo."
Segundo o executivo, a BAE está atualmente avaliando como estruturar um currículo de treinamento de caças de próxima geração. Embora a SDR não tenha estabelecido uma data específica de retirada de serviço para o Hawk T2, a frota de Hawk T1 operada pelos Red Arrows tem previsão de desativação em 2030.
"Entendemos a pressão de tempo", afirmou Hunter sobre a necessidade britânica de receber novas aeronaves no início da próxima década. "Estamos confiantes de que podemos cumprir os prazos, mas precisamos que o processo avance."
Concorrência inclui M-346, T-50 e Hurjet
A Leonardo, também promove seu M-346 para a disputa britânica, enquanto o T-50, apoiado pela Lockheed Martin em parceria com a Korea Aerospace Industries (KAI), surge como outra candidata. A Turkish Aerospace também pode apresentar seu Hurjet ao requisito.
De acordo com levantamentos do setor, o britânico Aeralis também segue na disputa com um conceito modular de caça-treinador, ainda em estágio inicial de desenvolvimento.
Em paralelo, a Boeing seguiu o mesmo caminho adotado pela parceria Lockheed Martin/KAI e retirou o T-7 da disputa Undergraduate Jet Training System da Marinha dos Estados Unidos, processo destinado a substituir a envelhecida frota de treinadores Boeing T-45 Goshawk.
A fabricante informou que, após "avaliação cuidadosa", concluiu que a aeronave não atende aos requisitos do programa naval americano.



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