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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Argentina avalia compra de submarinos da classe Scorpène construídos no Brasil e aquisição do KC-390

Ministro da Defesa do Brasil diz que embarcações destinadas à Marinha Argentina poderão ser produzidas em Itaguaí; negociações também incluem o cargueiro KC-390 da Embraer


O governo brasileiro, intensificou sua ofensiva diplomática no setor de defesa junto aos países sul-americanos e já colhe os primeiros resultados. Durante visita oficial à Argentina, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que foi oferecido ao governo Argentino, os submarinos convencionais da classe Scorpène, e que o governo viu com bons olhos e podem vir a adquirir da França, sendo que a construção se dará no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro.

A viagem, realizada no dia 26 de maio, teve como principal objetivo reaproximar os setores de defesa dos dois maiores países da América do Sul e ampliar a participação da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira em futuros programas militares regionais. Além dos submarinos, a agenda incluiu discussões preliminares sobre uma eventual aquisição do avião de transporte multimissão KC-390 Millennium pela Argentina.

Segundo Múcio, a proposta envolvendo os submarinos Scorpène, ganhou força após uma missão do Tesouro francês, visitar Buenos Aires para apresentar alternativas de financiamento que envolveriam tanto a França, quanto o Brasil. O modelo em estudo prevê que as embarcações sejam produzidas em território brasileiro, aproveitando a infraestrutura instalada em Itaguaí.

No final de 2024, o governo argentino assinou uma carta de intenções com o Naval Group para a aquisição de submarinos convencionais da classe Scorpène. A empresa francesa mantém participação societária no Complexo Naval de Itaguaí, empreendimento responsável pela construção dos submarinos da classe Riachuelo destinados à Marinha do Brasil (MB).

Durante evento realizado em Brasília, o ministro destacou a necessidade de ampliar a cooperação militar regional e criticou o distanciamento histórico entre Brasil e Argentina em projetos estratégicos de defesa.

Segundo ele, a aproximação busca criar oportunidades para a indústria nacional e fortalecer a integração regional em áreas de interesse comum. O ministro classificou as conversas mantidas em Buenos Aires como positivas e indicou que novos entendimentos poderão surgir nos próximos meses.

A missão marcou o início de uma série de viagens planejadas pelo Ministério da Defesa (MD) a países sul-americanos. A estratégia busca apresentar produtos desenvolvidos pela indústria brasileira de defesa a potenciais compradores da região. Entre os próximos destinos anunciados pelo ministro estão: Chile, Paraguai, Peru, Colômbia e Venezuela.

A eventual construção de submarinos Scorpène, para à Armada Argentina em Itaguaí, representaria um passo relevante para consolidar o complexo naval fluminense como polo exportador de tecnologia naval militar. A infraestrutura foi criada a partir do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), fruto da parceria estratégica entre Brasil e França.

No local foram construídos os quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo. O mais recente deles, o Almirante Karam (S43), foi lançado ao mar em novembro de 2025. Atualmente, as instalações estão concentradas na construção do submarino convencionalmente armado com propulsão nuclear Álvaro Alberto, principal projeto estratégico da Marinha do Brasil.

Especialistas do setor observam que o mercado regional poderá gerar novas oportunidades para o complexo brasileiro. Além da Argentina, países como Chile, Peru, Equador e Colômbia deverão promover programas de renovação de suas forças submarinas nas próximas décadas, criando uma demanda potencial significativa para a indústria naval de defesa.

Outro tema tratado durante a visita foi o KC-390 Millennium. Múcio confirmou o início de conversas com autoridades argentinas sobre uma possível aquisição da aeronave produzida pela Embraer.

O ministro destacou a expansão internacional do programa e ressaltou que o modelo vem conquistando novos operadores no exterior. Segundo ele, mecanismos de financiamento apoiados pelo governo brasileiro podem contribuir para viabilizar futuras negociações.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da BID nacional, setor que responde por aproximadamente 3,5% do Produto Interno Bruto brasileiro e gera milhões de empregos diretos e indiretos em todo o país.

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