As Forças Armadas da Noruega estão testando o uso de inteligência artificial para acelerar operações de busca e salvamento conduzidas pelos helicópteros Leonardo AW101 SAR Queen da Real Força Aérea Norueguesa.
A iniciativa faz parte do projeto piloto denominado “KI SAR”, que introduziu recursos de IA no processamento das imagens captadas pelos sensores eletro-ópticos utilizados pelo Esquadrão 330, unidade responsável pelas missões SAR (Search and Rescue) do país.
O sistema emprega inteligência artificial para analisar em tempo real o fluxo de vídeo gerado pelas câmeras da aeronave, destacando automaticamente possíveis alvos de interesse e auxiliando as equipes de resgate a localizar pessoas desaparecidas com maior velocidade, especialmente em áreas de difícil visualização.
IA atua como apoio à tripulação
Segundo as Forças Armadas norueguesas, a tecnologia não substitui os operadores humanos, mas atua como ferramenta de apoio para aumentar a eficiência das buscas.
“A tecnologia foi projetada para apoiar, e não substituir, a tripulação. O objetivo é aumentar as chances de encontrar pessoas desaparecidas em tempo hábil, tornando as buscas mais eficientes e precisas”, informou o governo norueguês.
O projeto amplia os recursos já empregados nos helicópteros AW101 SAR Queen, que utilizam sistemas avançados de localização de celulares como principal sensor durante missões de resgate.
Anteriormente, a Aviation Week havia relatado que a tecnologia embarcada consegue localizar dispositivos móveis com precisão de até 50 metros.
No entanto, em muitos casos, vítimas podem perder seus celulares, deixá-los para trás ou simplesmente ficar sem bateria, obrigando as tripulações a executar extensos padrões de busca aérea por várias horas.
Com a nova IA aplicada às imagens das câmeras eletro-ópticas, a expectativa é reduzir significativamente o tempo necessário para localização de sobreviventes.
Projeto integra modernização digital das forças armadas norueguesas
A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo das Forças Armadas da Noruega para incorporar inteligência artificial em diferentes áreas operacionais.
Em 2025, o país criou um centro dedicado a dados e inteligência artificial em Kjeller, estabelecendo o que autoridades classificaram como uma “direção clara para a defesa digital do futuro”.
O diretor de tecnologia das Forças Armadas norueguesas, Bjørn Tore Markussen, afirmou que o projeto desenvolvido no Esquadrão 330 representa um exemplo prático da transformação digital em andamento.
“O projeto piloto no Esquadrão 330 é um bom exemplo do desenvolvimento digital no qual trabalhamos diariamente. Estamos utilizando ferramentas de alta tecnologia para salvar vidas, enquanto a tecnologia também poderá futuramente ser adaptada para outras plataformas”, declarou.
AW101 SAR Queen é peça central das missões de resgate da Noruega
O Leonardo AW101 SAR Queen é atualmente a principal plataforma de busca e salvamento da Noruega, operando em ambientes extremos, incluindo o Ártico e áreas marítimas de difícil acesso.
A aeronave foi desenvolvida para missões de longo alcance e elevada permanência em voo, sendo equipada com sensores avançados, radar marítimo, sistemas FLIR e capacidade para operações noturnas e sob condições climáticas severas.
As missões conduzidas pelo Esquadrão 330 incluem resgates marítimos, evacuação médica, apoio humanitário e busca de pessoas desaparecidas em regiões montanhosas e áreas remotas do território norueguês.

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