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sábado, 30 de maio de 2026

Morre o Tenente-Coronel Nestor da Silva, herói da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial

Veterano da FEB participou de algumas das mais importantes batalhas travadas pelos brasileiros na Itália e teve sua bravura reconhecida em combate pelo próprio General Mascarenhas de Moraes

O Exército Brasileiro (EB) comunicou com profundo pesar o falecimento do Tenente-Coronel Nestor da Silva, aos 108 anos, o veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e um dos combatentes que marcaram a história da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

Natural de Belo Horizonte (MG), Nestor da Silva nasceu em 13 de julho de 1917 e iniciou sua trajetória militar em 1938, quando ingressou no então 10º Regimento de Infantaria, na capital mineira. Posteriormente, foi transferido para o 11º Batalhão de Infantaria, em São João del-Rei (MG), onde alcançou a graduação de 2º Sargento em 1944.

No mesmo ano, embarcou para a Itália integrando os contingentes da Força Expedicionária Brasileira enviados para atuar ao lado das forças aliadas no teatro de operações europeu. Durante a campanha, participou de combates decisivos que consolidaram o legado da FEB, entre eles as batalhas de Gallicano, Monte Castello, Castelnuovo e Montese.

Sua atuação destacou-se especialmente pelas missões de patrulhamento em áreas dominadas pelas forças alemãs. Ao longo da campanha, comandou 18 patrulhas em território inimigo, demonstrando coragem, liderança e elevado espírito de missão.

Um dos momentos mais marcantes de sua carreira ocorreu durante a Tomada de Montese, em abril de 1945. Após a morte do comandante de seu pelotão, o Tenente Ary Rauen, Nestor assumiu o comando da fração em meio aos intensos combates. Pela excepcional demonstração de bravura e capacidade de liderança sob fogo inimigo, foi promovido ao posto de 2º Tenente ainda no campo de batalha.

A promoção foi concedida pelo então comandante da FEB, Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes, que destacou a atuação exemplar do militar brasileiro ao reconhecer sua conduta excepcional em todas as ações de combate das quais participou.

Ao longo da guerra, Nestor da Silva enfrentou inúmeros episódios de grande risco. Profundamente religioso, costumava atribuir sua sobrevivência à proteção divina, mesmo após presenciar a morte de companheiros e escapar de situações extremas, incluindo ataques de artilharia e explosões de granadas. Em uma dessas ocasiões, seu capacete salvou sua vida ao conter estilhaços que poderiam ter sido fatais.

Por seus feitos em combate, recebeu importantes condecorações militares, entre elas a Cruz de Combate de 1ª Classe e a Medalha Sangue do Brasil, distinções reservadas aos militares que demonstraram bravura e sacrifício em operações de guerra.

Após o retorno ao Brasil, deu continuidade à carreira militar. Em 1949 concluiu o Curso de Oficiais da Reserva, serviu durante sete anos na Brigada de Infantaria Pára-quedista e permaneceu na ativa até 1972, quando encerrou sua trajetória no Exército Brasileiro no posto de Tenente-Coronel.

Sua história permanece como símbolo de patriotismo, coragem e dedicação ao País. Integrante de uma geração que ajudou a escrever um dos capítulos mais importantes da história militar brasileira, o Tenente-Coronel Nestor da Silva deixa um legado de honra, liderança e compromisso com a nação.

A equipe da Defesa TV News se solidariza com os familiares, amigos e irmãos de farda do Tenente-Coronel Nestor da Silva neste momento de dor e consternação, prestando suas mais sinceras condolências e homenagens à memória de um dos heróis da Força Expedicionária Brasileira.

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