A formação é reconhecida pelo elevado grau de exigência operacional e psicológica. Ao longo do curso, os Oficiais-Alunos são submetidos a treinamentos de sobrevivência no mar e na selva, adaptação fisiológica, instruções operacionais e pouso a bordo.
A conquista representa não apenas um feito inédito, mas reforça o compromisso da MB em integrar a mulher a todos os setores da instituição. A Segundo-Tenente (Fuzileiro Naval) Helena Monteiro destacou o espírito de superação vivido durante o curso:
“A formação nos desafia diariamente. Cada etapa exige preparo técnico, equilíbrio emocional e muita resiliência. Em nenhum momento buscamos distinção; o objetivo sempre foi atingir o mesmo padrão operacional exigido de todos os pilotos da Aviação Naval. É gratificante concluir esse ciclo sabendo que estamos abrindo caminhos para futuras gerações.”
Para a Segundo-Tenente Isabela, a conquista materializa anos de dedicação:
“Ser Aviador Naval sempre foi um sonho construído com muito esforço. Cada fase da formação exigiu física e emocionalmente de mim e de meus amigos de turma, especialmente os treinamentos de sobrevivência e estágios de qualificação. Tenho muito orgulho de fazer parte desse momento e espero que nossa história incentive outras mulheres a acreditarem na própria capacidade.”
O Comandante em Chefe da Esquadra, Vice-Almirante Antonio Carlos Cambra, ressaltou a importância deste momento:
A formação das primeiras mulheres no Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais representa um momento histórico para a Marinha do Brasil. As Tenentes Helena Monteiro e Isabela Ferreira demonstraram competência, resiliência e capacidade operacional em todas as fases do curso, cumprindo exatamente os mesmos requisitos exigidos aos demais militares. Essa conquista representa mais um marco na integração feminina em todos os setores da Marinha do Brasil e inspira futuras gerações.”
Entre os companheiros de turma, o sentimento é de reconhecimento pelo profissionalismo demonstrado durante todo o período de formação, reforçou o Segundo-Tenente Ian Henriques de Andrade:
"O desempenho delas sempre foi compatível com o padrão exigido pelo curso. Todas as etapas foram cumpridas com comprometimento. A turma inteira celebra esse momento histórico com muito orgulho.”
Para os familiares, a conquista também possui significado especial. A mãe da Tenente (Fuzileiro Naval) Helena Monteiro, Rejane de Souza Monteiro, destacou a emoção de acompanhar a trajetória da filha: “Ver minha filha superar cada desafio dessa formação tão exigente é emocionante. Ela conquistou esse espaço por mérito, dedicação e coragem. Tenho certeza de que esse momento servirá de inspiração para muitas meninas.”
Ao conquistarem suas “asas” (formato do brevê que identifica um integrante da Aviação Naval), as Tenentes Helena Monteiro e Isabela Ferreira escrevem seus nomes na história da MB como as primeiras mulheres a compor a Aviação Naval da Força. Uma vez integradas aos esquadrões operativos, elas passarão a atuar diretamente na salvaguarda da soberania e dos interesses nacionais, o que abrange desde o apoio a operações navais e ações de Estado até a missões de busca e salvamento e a proteção da Amazônia Azul.
Da formação militar às “asas” de Aviador Naval
O caminho até a formação como Aviador Naval na MB é longo, rigoroso e seletivo. A trajetória começa ainda na formação militar, por meio do ingresso no Colégio Naval, Escola Naval, ou no Centro de Instrução Almirante Wandelkolk (CIAW), instituições responsáveis pela preparação dos futuros Oficiais da Marinha.
Após a formação militar naval, os Oficiais concorrem às vagas para as diversas especializações da Força. A seleção para o CAAvO é baseada em critérios de antiguidade, desempenho profissional e aptidão para o voo, refletindo o elevado grau de exigência da Aviação Naval.
Os militares selecionados passam, então, por uma série de exames médicos específicos para a atividade aérea, incluindo avaliações fisiológicas e psicológicas, fundamentais para a habilitação operacional no ambiente de voo. Concluída essa etapa, os Oficiais são movimentados para São Pedro da Aldeia (RJ), sede da Aviação Naval brasileira, onde iniciam a fase teórica do curso no Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval Almirante José Maria do Amaral Oliveira (CIAAN).
Na sequência, os alunos seguem para a fase prática de voo no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (EsqdHI-1), responsável pela formação dos futuros Aviadores Navais de asas rotativas da MB. Durante o treinamento, os alunos passam por estágios progressivos e eliminatórios, compostos por:
Manobras básicas;
Manobras avançadas;
Navegação por contato;
Voo por instrumentos básico;
Rádio-instrumentos;
Navegação por instrumentos;
Formatura;
Emprego de armamento;
Emprego geral, incluindo pouso a bordo; e
Missão operativa final.
Somente após a conclusão de todas as etapas, os Oficiais recebem as tão sonhadas “asas” de Aviador Naval e passam a integrar operacionalmente a Força Aeronaval da MB.
Os interessados em seguir carreira na MB e, futuramente, tornarem-se Aviadores Navais, devem participar dos processos seletivos de ingresso no Colégio Naval e na Escola Naval.
Atualmente, o concurso para o Colégio Naval oferece 156 vagas para jovens com idade entre 15 e 18 anos. Já a Escola Naval disponibiliza 66 vagas para candidatos com idade entre 18 e 21 anos.
Mais informações sobre inscrições, requisitos e etapas dos concursos podem ser consultadas no site oficial da Marinha do Brasil: Marinha do Brasil — Concursos Navais.







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