Aeronaves de decolagem curta e pouso vertical da Força Aérea Italiana participaram de treinamento voltado à dispersão operacional e sobrevivência em cenários de alta intensidade
A Força Aérea Italiana (Aeronautica Militare Italiana - AMI) demonstrou recentemente a capacidade de empregar seus caças Lockheed Martin F-35B Lightning II em operações realizadas fora de bases aéreas convencionais, utilizando trechos de rodovias e áreas austeraѕ durante um exercício da OTAN realizado na Finlândia.
A atividade ocorreu entre os dias, 18 e 22 de maio, dentro do exercício “Imminent Field” (anteriormente conhecido pelo nome finlandês “Baana”) voltado ao conceito de Agile Combat Employment (ACE), estratégia operacional da OTAN baseada na dispersão rápida de aeronaves para locais descentralizados sem perda significativa da capacidade de combate.
Segundo informações divulgadas pelo Comando Aéreo Aliado da OTAN e pela AMI, foi a primeira vez que a Itália empregou caças F-35B no exercício finlandês. Durante o treinamento, as aeronaves italianas operaram em conjunto com caças Boeing F/A-18 Hornet da Força Aérea Finlandesa em uma pista improvisada em rodovia no dia 19 de maio.
Os F-35B italianos estavam destacados na Base Aérea de Pirkkala e utilizaram suas capacidades V/STOL (sigla para Short Take-Off and Vertical Landing, ou decolagem curta e pouso vertical) para validar operações em locais austeraѕ e dispersos.
O modelo é a única variante do F-35 capaz de realizar operações desse tipo, característica considerada estratégica para cenários onde pistas convencionais possam estar degradadas ou sob ameaça.
De acordo com a OTAN, o treinamento buscou reforçar a capacidade de sobrevivência das forças aéreas aliadas em ambientes de combate modernos, nos quais bases aéreas fixas podem se tornar alvos prioritários.
O conceito ACE ganhou relevância crescente dentro da aliança militar após o início da nova invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e das lições operacionais observadas desde então no conflito.
A doutrina prevê a rápida redistribuição de aeronaves, equipes de apoio e recursos logísticos para múltiplos pontos de operação, reduzindo vulnerabilidades e aumentando a resiliência das forças aéreas em caso de ataques contra infraestrutura estratégica.
Em declarações anteriores à imprensa especializada, o coronel Adam Nelson, da Força Aérea Sueca, explicou que o retorno da OTAN a operações dispersas representa uma adaptação direta às ameaças contemporâneas no teatro europeu.
Segundo ele, a capacidade de manter aeronaves operando mesmo sob forte pressão inimiga tornou-se um elemento central do planejamento defensivo da aliança.
A participação italiana no exercício também evidencia a crescente integração operacional entre os membros da OTAN no Norte da Europa, especialmente após a ampliação das preocupações de segurança regional nos últimos anos.
O exercício “Imminent Field” é tradicionalmente utilizado pela Finlândia para testar operações aéreas em rodovias, conceito historicamente adotado por países nórdicos como forma de preservar a capacidade de reação em caso de ataques contra aeródromos militares convencionais.




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