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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Exército Brasileiro acelera transformação para criar a “Força 40” e preparar tropas para guerras do futuro

Nova estratégia prevê modernização doutrinária, emprego de inteligência artificial, drones e operações multidomínio até 2040

O Exército Brasileiro (EB) iniciou uma das mais amplas transformações estruturais de sua história recente com a implementação da chamada “Força 40”, conceito estratégico que busca preparar a Força Terrestre para os desafios operacionais e geopolíticos previstos até o ano de 2040. O projeto envolve modernização tecnológica, reformulação doutrinária e reorganização das tropas para atuação em cenários de guerra multidomínio e ameaças híbridas.

A iniciativa surge em meio ao atual cenário internacional marcado por rápidas mudanças geopolíticas, avanço acelerado da tecnologia militar e aumento das tensões globais envolvendo operações cibernéticas, guerra eletrônica, drones e campanhas de desinformação.

Segundo o Exército, a Força 40 vai além da simples modernização de equipamentos. O objetivo é promover uma transformação institucional completa para criar uma força mais resiliente, conectada e preparada para atuar em ambientes operacionais altamente complexos.

Exército quer se adaptar à nova guerra do século XXI

De acordo com os estudos conduzidos pelo Estado-Maior do Exército, os conflitos modernos deixaram de ocorrer apenas no campo de batalha convencional e passaram a se desenvolver também na chamada “zona cinzenta”.

Nesse ambiente, ameaças híbridas combinam:

  • ataques cibernéticos;
  • guerra eletrônica;
  • operações psicológicas;
  • campanhas massivas de desinformação;
  • emprego de drones;
  • uso de forças indiretas (proxies);
  • e ações no ambiente eletromagnético e cognitivo.

O Exército avalia que o avanço da inteligência artificial, dos sistemas autônomos e das tecnologias de sensoriamento tornou o campo de batalha mais transparente, letal e hiperconectado.

Diante desse cenário, a Força 40 prevê a ampliação de capacidades ligadas à:

  • superioridade de informação;
  • comando e controle;
  • proteção de tropas;
  • pronta resposta;
  • sustentação logística;
  • e emprego de armamentos de maior alcance e precisão.

Política de Transformação reorganiza a estrutura da Força Terrestre

A espinha dorsal da mudança foi formalizada pela Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031), aprovada pela Portaria C Ex nº 2.662, de 9 de abril de 2026.

O documento estabelece quatro grandes eixos estruturantes:

  • desenho institucional;
  • capacidades militares;
  • doutrina;
  • e pessoal.

Dentro da nova organização, as tropas passarão a ser divididas em diferentes categorias operacionais.

Exército cria forças de emprego imediato e multidomínio

Entre as novas estruturas previstas estão as chamadas:

  • Forças de Emprego Imediato (FEI);
  • Forças de Emprego de Prontidão (FEP);
  • Forças de Emprego Continuado (FEC);
  • e forças especializadas em operações multidomínio.

As Forças de Emprego Imediato serão responsáveis pela resposta rápida em regiões sensíveis, especialmente próximas às fronteiras ou áreas de potencial crise.

Já as Forças de Emprego de Prontidão deverão possuir alta mobilidade e capacidade ofensiva para atuar em qualquer ponto do território nacional.

O modelo também prevê módulos especializados de apoio ampliado e integração direta com comandos conjuntos das Forças Armadas.

Inteligência artificial, drones e guerra eletrônica ganham prioridade

A incorporação acelerada de tecnologias emergentes aparece como um dos pilares centrais da Força 40.

O projeto prevê ampliação do uso de:

  • drones;
  • sistemas autônomos;
  • inteligência artificial;
  • sensores avançados;
  • guerra eletrônica;
  • comunicações seguras;
  • e sistemas digitais de comando e controle.

O Exército também pretende acelerar processos de experimentação doutrinária e atualização operacional para adaptar rapidamente as tropas às novas características dos conflitos contemporâneos.

Fator humano seguirá como prioridade da transformação

Apesar do forte foco tecnológico, o Exército afirma que o fator humano continuará ocupando posição central na transformação da Força Terrestre.

A nova política prevê investimentos em:

  • capacitação tecnológica avançada;
  • liderança militar;
  • ética profissional;
  • autonomia decisória em pequenos escalões;
  • e formação voltada às operações multidomínio.

Segundo a instituição, o conceito busca desenvolver militares capazes de atuar em ambientes operacionais cada vez mais dinâmicos e descentralizados.

Base Industrial de Defesa será peça-chave da Força 40

Outro ponto considerado estratégico pelo Exército é a integração com a Base Industrial de Defesa (BID), vista como fundamental para garantir autonomia tecnológica nacional.

A expectativa é que os programas estratégicos da Força 40 impulsionem o desenvolvimento de tecnologias de uso dual — militar e civil — fortalecendo a indústria nacional de defesa e reduzindo dependências externas.

O Estado-Maior do Exército trabalha atualmente na elaboração da Estratégia de Transformação do Exército Brasileiro, documento que deverá estabelecer as diretrizes práticas para implementação gradual da Força 40 nas próximas décadas.

Segundo o Exército, o objetivo final é garantir que a Força Terrestre brasileira esteja preparada para enfrentar os desafios operacionais do século XXI por meio de capacidade de dissuasão, presença estratégica e elevada prontidão operacional.

Com informações e fotos: CECOMSEX

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